A importância de ter uma equipe humanizada

17 de abr de 2014

Quando engravidei da Mariah e fui procurar um médico para me atender, não pensei e nem sabia sobre toda esta questão da humanização. Eu pesquisei um médico que atendesse meu convênio e isso é que era o mais importante para mim.

Lembro que nas primeiras consultas eu disse a ele que queria parto normal, perguntei se ele fazia, ele disse que sim e ficou tudo por isso mesmo. Na verdade eu não tinha intenção nenhuma de ter um parto normal. Ainda não tinha lido nada a respeito e continuava com a ideia de que a cesárea era a melhor coisa para mim.

Conforme fui lendo e aprendendo, comecei a mudar minha opinião sobre os partos e principalmente sobre o que eu gostaria pra mim nesta nova gestação. Comecei então a questioná-lo mais sobre como seria o parto, sobre as intervenções que eu não queria e tudo mais.  Descobri que não adianta querermos um parto se não tivermos uma equipe que esteja disposta a fazê-lo e mais que isso, que te respeite como protagonista dos acontecimentos e não como mero personagem.

A primeira coisa que fiz foi procurar uma doula. Depois de pesquisar e algumas pessoas me indicarem, conheci a Raquel Loureiro, que tem a consultoria Ser Mãe, aqui em Uberlândia. Marquei um horário com ela e foi aí que comecei a descobrir o quanto era importante ter uma equipe realmente disposta e humana. Não que os outros profissionais não sejam, mas como eu já tinha passado por uma cesárea desnecessária, pude sentir a diferença gritante de ter pessoas que realmente se importam e se preocupam com você e seu bebê.

Depois decidi procurar por uma médica, a Dra Luanda Calábria, que tinha sido muito indicada como uma das únicas médicas da minha cidade que faziam um parto normal respeitando de fato a gestante e o bebê. Lembro que na primeira consulta fui meio sem saber o que eu estava fazendo lá. Ainda não tinha certeza sobre se queria um parto normal. Ela não atende por convênio e isso me pesou muito no começo. Pensar em gastar com algo que meu convênio pagaria se fosse outro médico me deixou bem balançada.

Mesmo assim fui lá com meu marido, a consulta durou quase 3h. Sim, 3h. Já começou por aí. Uma médica sem pressa nenhuma, ouviu toda minha história com o primeiro filho, como tinha sido minha gestação e cesárea. Me fez muitas perguntas, se mostrou bem interessada. Saí de lá muito surpresa com tudo! Nem sabia que existiam médicos tão atenciosos.

Foi aí que eu começava minha descoberta por um parto que nem eu sabia que desejava tanto. Comecei a ler, pesquisar e me informar. A ideia de que eu estava gastando dinheiro com um médico começou a fazer sentido, afinal, assim eu teria a tranquilidade de que eu seria respeitada, não só durante o parto, como também durante toda a gestação.

As consultas com a Dra. Luanda e as sessões com a Raquel eram verdadeiras aulas. Cada vez que eu ia lá um tema era abordado, eu aprendia mais e ia sanando todas as minhas dúvidas. Aliás, elas sempre me perguntavam se eu tinha alguma questão, pediam para anotar caso alguma pergunta surgisse para que fosse esclarecida na próxima vez. Sempre tudo muito as claras, eu sendo sincera de um lado e elas do outro. Minha certeza de que eu queria um parto natural foi crescendo conforme eu fui me informando e aprendendo sobre o assunto. E fui crescendo, amadurecendo durante toda a gestação.

equipe humanizada

Mesmo assim, eu só soube a verdadeira importância de uma equipe humanizada no dia do parto. Foi naquele dia inesquecível que percebi o quanto era diferente ter pessoas que realmente se importavam com você e com seu bebê. O quanto elas estavam ali para me ajudar e fazer de tudo para que tudo acontecesse conforme eu tinha planejado.

Depois do parto elas continuaram aqui em casa e me auxiliaram no que foi preciso e nos dias depois também, sempre me enviando mensagem perguntando como iam as coisas e vindo aqui em casa nos ver. Uma sensibilidade e atendimentos completamente diferentes do que eu já tinha tido com qualquer equipe na vida e que me fez ver o quanto valeu cada centavo que gastei.

Sei que muitas não podem gastar com isso, por aqui também não foi fácil e no fim das contas vendemos nosso carro para não ficarmos com dívidas. Loucura para muitas, mas para nós – eu e meu marido – foi a coisa certa a se fazer. Afinal, se tratava de fazer o melhor para mim e minha filha, no momento mais importante e único, que é o parto.

Hoje sei o quanto a equipe faz diferença, o quanto é importante que a gente se cerque de pessoas que realmente farão a diferença, porque o parto só acontece uma vez e ele pode mudar todo o rumo da nossa – e do nosso filho – vida. O carro a gente se vira e compra mais para frente, mas o meu parto só foi uma vez e me sinto tranquila e feliz quando penso que tudo aconteceu conforme planejamos. Que não foi um médico que trouxe minha filha ao mundo e sim eu, ela estava ali me apoiando e principalmente se preocupando se tudo corria bem, mas quem fez meu parto, quem foi a protagonista de toda a minha história fui eu mesma e nada me tira a alegria de poder ter vivido tudo aquilo!

Se você ainda não leu o relato do meu parto:

Relato de parto domiciliar

Vídeo do relato de parto domiciliar

Beijos,