Mãe de gêmeos

15 de jun de 2011

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Estava no parque com os meninos e uma moça gravidíssima veio falar comigo. Fez as perguntas de sempre (uni ou bivitelinos, quantos anos, babá ou creche, tratamento ou natural). Respondi a todas e perguntei quando o bebê dela nasceria. Ela disse que daqui a algumas semanas e que não é um bebê que espera, mas dois. E eis a bomba: a grávida de gêmeos me pergunta como é, na realidade, ter filhos gêmeos. Procurei o botão de ejetar e dei um sorriso mais misterioso que o da Monalisa, mas ela continuava olhando e esperando minha resposta. Então disse, palavra por palavra, minha experiência de ser mãe de primeira viagem de gêmeos:

Olha, não é fácil. É uma loucura, para ser mais exata. O que mais pesa não é o trabalho que é ao dobrado, mas o descanso que é dividido. É importante ter uma rede de apoio, principalmente quando eles são recém-nascidos. Vale convocar mãe, irmã, sogra, cunhada e amigas para ajudarem, pode ter certeza que trabalho não vai faltar. É banho, roupa e fralda que não acaba mais. Toda a ajuda é bem-vinda. E o pai das crianças também não pode escapar, tem bastante coisa para ele fazer também. Acho que pai de gêmeos tem que ser quase uma mãe, pegar junto, senão a mãe não sobrevive.
Se uma mãe que tem apenas um bebê já sofre por deixar a vida social e os programas ‘de antigamente’ de lado, uma mãe de gêmeos sofre muito mais. É inegável, é mais difícil programas com duas crianças pequenas. Mas não é impossível. Requer organização, paciência e muito bom humor.
Aliás, bom humor em doses cavalares é super recomendado para mães de gêmeos. Para dar conta das noites sem dormir direito, da irritação pela bagunça da casa e pela conta bancária que insiste em ficar no vermelho. Porque os gastos, minha amiga, esses são absurdos! É tudo duplo (nada passa de um filho para outro) e não, você não consegue desconto. E se você for como eu e tiver gêmeos longe da sua família, terá que contar com pessoas pagas para ajudar. Não interessa se é uma faxina a mais por semana ou uma babá full time, mas a questão é que terá mais gastos do que teria se tivesse apenas um bebê.
Ser mãe de gêmeos é punk. Puro rock and roll. Não é aquela bossa nova de ficar com um bebezinho no colo, sendo só dele por todo o tempo do mundo. Não, o tempo deve ser dividido. E o amor, também? Não, o amor não. O amor, sei lá como, se multiplica em escala exponencial. Não se tira de um pra dar pro outro.
É minha amiga, é trabalhoso ser mãe de gêmeos. Mas só um bebê é tão pouco, né? Cadê a emoção? Cadê a adrenalina? Cadê a cumplicidade nos olhos dos dois bebês? O amor entre irmãos vai sempre existir, mas entre gêmeos o vínculo é mais profundo e lindo de ver. Não tenho como explicar aqui. O cansaço dizem que passa, dizem que a gente esquece os momentos difíceis e fica só com os bons. Minhas olheiras ainda não me deixam esquecer o sono que sinto, mas o amor, ah esse faz a gente ter certeza de que tudo vale a pena e nem é tão difícil assim. É só olhar o lado cheio do copo.

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Adorei este texto da Carol Passuello, do Vinho,viagens, uma vida em comum e dois bebês. Ela relata bem como é ter filhos gêmeos! Arrasou mais uma vez Carol! :)
Beijos