Alergia à proteína do leite de vaca (APLV)

O que é alergia alimentar?

A alergia alimentar é definida como o grupo de reações adversas a alimentos que apresenta envolvimento do sistema imunológico. O seu desenvolvimento é resultado da interação de três fatores: a suscetibilidade do paciente (que é determinada por fatores genéticos), características do alimento e fatores relacionados ao trato gastrointestinal e, ocorre em cerca de 8% das crianças. No Brasil, na faixa etária pediátrica, o leite de vaca e o ovo são os principais alérgenos.

O que é alergia à proteína do leite de vaca?

A alergia à proteína do leite de vaca acontece quando o sistema imunológico erroneamente reconhece as partículas proteicas do leite como algo que o organismo deveria combater. Isso ocorre, porque assim que os bebês nascem seu intestino ainda está imaturo e a ingestão dessas proteínas pode iniciar um processo que chamamos de “sensibilização”.

A alergia ao leite de vaca atinge cerca de 5% das crianças com menos de 3 anos e tem sua maior prevalência no primeiro ano de vida.

Quais são os principais sintomas?

Em geral, os casos tem início nos primeiros 6 meses de vida. Os pais devem estar atentos para notar sinais que possam indicar esta alergia. Os sintomas são diversos e por isso o diagnóstico é difícil. Ocorrem reações no sistema gastrointestinal, como cólicas, vômitos, diarreia e sangue nas fezes; na pele, como vermelhidão (dermatite ou urticária), coceira e inchaço (angioedema); no sistema respiratório, como tosse, coriza, chiado no peito, asma e rinite; além de irritabilidade, perda de peso, anafilaxia (reação alérgica grave), entre outros.

Os sintomas podem ocorrer imediatamente ou até várias horas ou dias após a ingestão do leite.

Como é feito o diagnóstico?

Somente o médico está capacitado para diagnosticar a alergia ao leite de vaca.

No diagnóstico, a história relatada pelos pais é fundamental. Informações sobre a lista de alimentos suspeitos, via de exposição (oral ou inalatória), intervalo entre a exposição e o aparecimento dos sintomas, duração e características destes sintomas, além da resposta da criança a tratamentos já realizados são de grande importância para o pediatra.

Existem alguns testes que podem ser realizados para diagnosticar a alergia. Em crianças muito pequenas, os testes de laboratório frequentemente se mostram normais, dificultando a confirmação diagnóstica. Em geral, nesses casos o pediatra opta pela suspensão do leite de vaca e seus derivados (dieta de exclusão), por no mínimo 4 semanas, e observa a evolução dos sintomas. Após a resolução dos mesmos, a confirmação do diagnóstico é feita com a reintrodução do leite e observação do reaparecimento dos sintomas iniciais.

Existem ainda, testes cutâneos e sanguíneos que avaliam a presença de anticorpos específicos contra as proteínas do leite de vaca. Alguns pacientes apresentam positividade nos exames, mas quando ingerem o alimento não apresentam reação alérgica. Esse fenômeno é conhecido como “sensibilização”. Portanto, somente os resultados dos exames não são suficientes para fazer o diagnóstico.

E o tratamento?

O único tratamento é a restrição da ingestão do leite de vaca e seus derivados. Para que a criança possa obter os mesmo nutrientes fornecidos pelo leite de vaca é necessário realizar uma avaliação individual para determinar qual o tipo de alimento pode ser consumido.

Se a criança ainda está em aleitamento materno, a mãe poderá continuar amamentando, mas deverá fazer dieta de exclusão de leite de vaca e seus derivados. Na impossibilidade da manutenção do leite materno, em lactentes, a substituição é feita por fórmulas que contenham proteínas hidrolizadas (onde as proteínas do leite de vaca são

quebradas em partículas menores que não produzem alergia) ou apenas aminoácidos recomendada pelo médico.

Já em crianças maiores de 2 anos, pode-se introduzir alguns alimentos substitutos dos leite de vaca, entre os quais o leite de soja, além da manutenção de  dieta de exclusão total do leite e seus derivados. Para isso, os pais devem ter orientação adequada, que inclui informação sobre os derivados do leite, leitura detalhada do rótulo dos produtos industrializados; além do conhecimento dos ingredientes que podem conter leite de vaca.

Alergia ao leite de vaca ou intolerância à lactose?

Diferente da alergia ao leite, quando o organismo produz substâncias para “combater” a proteína do leite de vaca, a intolerância à lactose é a falta ou deficiência da produção de uma enzima chamada lactase, que serve para digerir a lactose (o açúcar do leite). Quando não absorvida, ela é fermentada por bactérias do intestino grosso levando à diarréia – o sintoma mais característico da intolerância, além de náuseas, cólicas e distensão abdominal.

É mais comum em adultos do que em crianças e com o avançar da idade existe uma tendência natural ao desenvolvimento da intolerância à lactose.

O que é “tolerância” ao leite de vaca?

Com o tempo, o sistema imunológico desenvolve tolerância à proteína do leite, porém, a idade em que isso acontece vai depender dos sintomas e do próprio organismo. A tolerância desenvolve-se espontaneamente na maior parte das crianças até os 12 ou 24 meses de vida. Ao fim do primeiro ano, 50% das crianças não apresentam mais alergia, 75% aos dois anos e próximo a 90% com 3 anos de idade.

Assim, sob supervisão médica, estes pacientes devem ser expostos novamente às proteínas do leite de vaca para confirmar se ocorreu a tolerância. Isto deve ser feito antes da criança receber acidentalmente (ou propositalmente) alimentos com essas proteínas.

Ajuda aos pais e familiares

Existem organizações que prestam auxílio às crianças com alergia ao leite de vaca. Em São Paulo, existe o Instituto Girassol e o Grupo Sempre Vita, além de outras entidades. Em Belo Horizonte, o apoio vem do Núcleo Allos, localizado no Hospital Infantil João Paulo II. Já em Salvador, os pais tem o apoio da Associação Baiana de Pais e Amigos de Crianças com Alergia Alimentar (ABAPAA).

 

Fontes: Livro: Alergia e Imunologia para o Pediatra; Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar; Revista Crescer; site: Alergia à Proteína do Leite de Vaca.

Importante: Segundo o Conselho Regional de Medicina (CRM), a informação médica via Internet pode complementar, mas nunca substituir a relação pessoal entre o paciente e o médico. Pelas suas limitações, não deve ser instrumento para consultas médicas, diagnóstico clínico, prescrição de medicamentos ou tratamento de doenças e problemas de saúde.

 Artigo escrito por: Dra.Camila Mendes Macca – CRM-SP 130.002 – especialista em Alergia e Imunologia. Para entrar em contato com ela, clique aqui e acesse seu site ou pela sua fanpage Clínica de Pediatria Primeiro Passos.

Beijos,

 

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