Amamentar: o maior elo de ligação [depoimento]

10 de jul de 2013

O depoimento de hoje foi escrito pela Gabriela sobre o tema amamentar.

Tudo começou no dia 04 de junho de 2012, um domingo… com a menstruação atrasada, fiz um exame de gravidez comprado em farmácia. Esse era o segundo mês de tentativa e como me frustrei muito no primeiro mês, estava meio desencanada. Mas, pra minha surpresa, o exame deu POSITIVO! As duas listinhas mudaram a minha vida pra sempre. Após comemorações entre eu e meu marido, liguei no dia seguinte para o meu médico e pedi um exame laboratorial! O resultado saiu no mesmo dia e não aguentamos segurar a notícia! Contamos pra todo mundo!!!

Dia 08 de junho tive a primeira consulta com meu médico, que passou mais exames e vitaminas! Assim que saí da sua sala, fui encaminhada a uma outra sala para conversar com uma enfermeira, especialista em amamentação. Tive uma longa conversa com ela. Na verdade, mais escutei do que falei. Ela já sabia de todas as dúvidas que uma gestante poderia ter a respeito desse tema. Mas, basicamente, tive algumas instruções que me ajudaram muito depois que a Carolina nasceu. As que me lembro e que realizei todos os dias foram usar a bucha vegetal nos mamilos (uma bucha específica para esse local, não poderia usar em outro local do corpo, porque senão ela ficaria macia e não adiantaria nada), tomar sol fraco durante 15 minutos nos seios nus (se o dia estivesse nublado ou sem sol, era preciso usar lâmpadas amarelas no lugar) e comprar aquelas conchas, já que os bicos dos meus seios eram invertidos, e usá-las para dormir. No mesmo dia providenciei tudo e comecei a fazer o que ela me indicou. Confesso que usar as conchas nos primeiros meses foi muito penoso, pois meus seios ficaram muito doloridos, mas depois que o incômodo nos seios passou, foi moleza!

Tudo foi ficando do jeito que ela disse que ficaria: as auréolas aumentaram de tamanho, ficaram escuras e os bicos estavam formadinhos. No dia que fui ao médico para marcar a cesárea (tive hipertensão arterial na gestação e não pude esperar pelo parto normal), ela quis me ver novamente. Ficou muito contente com o resultado do meu trabalho e eu fiquei muito orgulhosa! Mas, me deu mais uns conselhos: descansar todas as vezes que eu puder e beber muuuuita água, pois a maior parte do leite materno é composto por água.

amamentar

Dia 28 de janeiro, às 21:30 horas, meu maior tesouro veio ao mundo e às 02 horas da madrugada foi o horário que tive a Carolina nos braços para amamentar. Qual não foi a minha surpresa ao ver como ela tão pequenininha já tinha os instintos para sobrevivência. Foi só posicioná-la, encostá-la no peito e pronto, ela já começou a sugar. E aí, começou o maior exercício de amor, doação e paciência que uma pessoa pode ter. É um momento único, que faz o instinto maternal aflorar! Olhar sua filha tão unida a você, tão dependente, que a saudade do barrigão desaparece! É o maior ato de amor do mundo! Principalmente porque, cá entre nós, nunca na minha vida senti uma dor tão terrível! Nas primeiras duas semanas de vida da Carolina, eu mordia meus lábios tão forte que uma vez até sangrou, tamanha a dor que sentia. E além da dor da sucção, tinha a angústia do leite demorar para descer. E a minha mãe, na tentativa de ajudar, ficava com a cabeça ao lado da cabeça da Carolina pra tentar escutar se ela estava engolindo e isso me deixava mais aflita ainda… Graças a Deus, depois de dois dias o leite veio! E com isso, meu sossego chegou! E ela começou a mamar gostoso e chegou a engasgar muitas vezes por causa da quantidade de leite que saía. Os dias foram passando e a Carolina encontrou o melhor jeito (e o melhor seio) pra ela mamar! Ela prefere mamar no seio direito, que inclusive é o que eu tenho mais leite, porque acho que a posição fica mais confortável pra ela. Nunca tive rachaduras, sangramento ou qualquer outro tipo de problema que pudesse impedir ou dificultar a amamentação, mas acredito todo esse sucesso à orientação que recebi no pré-natal e ao trabalho que fiz todos os dias da minha gestação!

Amamentar é difícil e doloroso, mas é extremamente delicioso e prazeroso! Entendo as pessoas que desistem, pois realmente não é fácil acordar várias vezes, operada e esperar 40 minutos, uma hora para o bebê mamar… mas devemos lembrar que é através disso que nossos filhos recebem a primeira imunização. Por isso sempre tive fé e força para persistir! Hoje, ela está com três meses e meio e quando a posiciono para mamar, ela já sabe que é o “tete” e abre aquele sorrisão! Ela mama com mais vigor, menos tempo, mas ainda muitas vezes ao dia e uma vez na madrugada. Amamento em livre demanda, todas as vezes que ela solicita, sempre com muito amor e paciência. É um momento maravilhoso de cumplicidade que ela tem SÓ comigo! E é sempre incrível! Aproveito cada minuto, porque o tempo passa muito rápido e sei que logo outros alimentos serão introduzidos e o dia do desmame chegará!

Pra mim, amamentar é o maior elo de ligação e amor entre eu e minha pequena! É sentir um transbordar de amor!