As mães do dia a dia

03 de jul de 2017

Todos os dias eu saio para passear com o Dinho, meu cachorro. E conforme vou andando, fico observando as pessoas na rua.

Eu passo na frente de um berçário bem na hora em que os pais deixam os bebês lá. Vejo a mãe que sai correndo todas as vezes, a que gruda no bebê e quase não o deixa ficar, a que espera no carro enquanto o marido leva para dentro.

Fico pensando no dia a dia dessas mães, se trabalham ou o que fazem enquanto os bebês ficam ali. Parece estranho pensar que alguma mãe deixaria seu filho no berçario para ter um tempo para si? Isso me lembra o quanto somos julgadas, o quanto precisamos ter justificativa para tudo.

Parece que é algo obrigatório: não importa se você sente que precisa de um tempo, se você está com início de depressão, se você não trabalha, TEM  que ficar com seu filho em casa. Não é assim? Onde já se viu colocá-lo em uma escola? E aí começam os julgamentos das pessoas perfeitas.

Qual o problema de querer um tempo para si? Qual o problema de deixar que o filho fique um tempo no berçário ou na escola enquanto você faz suas coisas, ajeita a casa se for preciso e depois terá tempo de qualidade com ele?

Fiquei pensando sobre tudo isso no resto da minha caminhada, lembrando o quanto devemos olhar para nós mesmas em vez de apontar o dedo para um pedaço da vida dos outros. Porque na verdade é isso, as pessoas pegam um recorte da vida dos outros, apenas aquele pedacinho que elas enxergam e acham que já estão aptas a julgar toda uma vida.

Em alguns dias eu saio para passear também no fim do dia e lá estão aquelas mesmas mães indo buscar seus filhos. Reparei que uma delas sempre chega de cabelos molhados e embora eu não saiba o real motivo, me senti feliz de pensar que ela está tendo tempo de tomar um banho antes de buscar seu filho na escola. Fiquei refletindo como que, sim, é importante termos o nosso próprio tempo. Talvez a gente não consiga ter sempre, eu mesma demorei alguns anos até conseguir encaixar meu tempo na agenda, mas em algum momento ele volta e como é bom!!

Sei que muitas vezes dá uma “coçadinha” de vontade de falar do outro, mas sabia que isso contamina muito mais você do que ele? Eu tenho feito o exercício de me policiar sempre. Quando me vem a vontade de falar eu penso: para que jogar essa energia ruim na minha vida, sendo que posso usar esse tempo para aumentar a minha energia boa?

Não é tarefa fácil, muito menos simples, mas é possível!

Bora fazer nossa luz brilhar cada dia um pouco mais?

Deixe as mães serem mães possíveis, como forem, da forma que acharem melhor!

Grande beijo,