Como é ter um filho

18 de jan de 2012

Uma amiga me mandou um e-mail ontem, dizendo que está querendo ter um filho em breve e me perguntou como é a vida de mãe. Esta foi minha resposta:

Não é nada fácil! Aliás, não é nem perto do que eu imaginava de dificuldade. É muito difícil!! Quando vc for ter um bebê planeje bem, pq eu quase entrei em depressão depois do parto, por conta de não estar preparada para o que vinha(claro que a enchente de hormônios tmb contribuiu). Todo mundo falava que era difícil, mas ninguém me contou o quão difícil seria.

Por que é tão difícil? Porque agora você vive em função de um bebê que chora e você não sabe porque, que quer mamar, mas não consegue sugar o peito direito, que suja fralda o tempo inteiro, que é super molinho e indefeso e principalmente porque você não dorme(tudo isso nas primeiras semanas). Ninguém me avisou que eu poderia ter crises de choro a qualquer momento, que me desesperaria ao ouvir o bebê chorar a noite inteira, que poderia ser que eu quisesse desistir, que eu ficaria tão cansada a ponto de só pensar em dormir e mais nada.

Ninguém me contou que quando o dia chegasse ao fim, eu começaria a ter sintomas de ansiedade sabendo que mais uma longa noite em claro estava chegando. Por mais que todos tenham me dito que era difícil, não soube antes as reais dificuldades em ser mãe. Aquela história de “ah, quando o bebê dormir, vc dorme também” não é bem assim, quando ele dorme tenho que aproveitar e fazer minhas coisas, ajeitar a casa, por roupa pra lavar, arrumar o quarto, fazer comida, etc.

Os primeiros 15 dias são, sem dúvida, os mais difíceis. A ajuda da minha mãe foi essencial, porque na hora do meu desespero e/ou cansaço ela estava com o colo prontinho pra pegar o neto e me ajudar. O marido também ajudou muito, mas ficou tão cansado quanto eu nessa maratona inicial. Depois ele voltou a trabalhar. Passada a prova de fogo da primeira quinzena as coisas começaram a melhorar. Eu já estava mais acostumada com a rotina dele, ele com a minha. As noites passaram a ser menos cansativas e os dias mais tranquilos. Mesmo assim ainda tem choros irreconhecíveis, crises de cólicas, berreiros no meio da noite, fraldas sujas, que muitas vezes vazam, trocas de roupas em plena madrugada pq ele golfou tudo, enfim… muitas coisas que eu não sabia e não estava preparada para lidar.

Mas e aí, então ser mãe não é bom? Ah, aí ele sorri pra mim. Um dia, de repente, como se acontecesse sempre, ele me olha nos olhos e sorri. Ele não precisaria dizer nada, nem tentar explicar, apenas sorrir bastou. Casa arrumada, roupa limpa, almoço quentinho pra comer? Pra que? Pra que vou precisar de tudo isso? Meu filho agora me olha e sorri! Isso aconteceu mais ou menos quando ele tinha 1 mês e daí em diante as coisas só foram ficando melhores ainda.

Toda a parte difícil do começo, agora eu tiro de letra. Não me importo em acordar de madrugada pra dar mama, nem de novo as 6h da manhã e já ficar de pé pra enfrentar um novo dia. Agora me dá vontade de abraçar, beijar, morder, amassar ele o tempo todo e por incrível que pareça, às vezes sinto vontade de acordá-lo só pra ver seus olhinhos me olhando. Mas não, não faço isso e aí vai uma dica: nunca acorde um bebê. É estresse na certa!

Ter filho só dá pra entender mesmo quando se tem, mas a gente muda de expectativa, de jeito, de pensamento. Tudo que importava antes, só faz sentido agora se tiver haver com bebês, senão, esquece, não tem mais a menor importância. Andar na rua pode ser um perigo constante tendo em vista o tanto de gente que fuma nas calçadas e aquele pequeno incômodo que eu tinha com o cheiro, agora passou a ser quase um ódio, só de pensar que pode fazer mal ao Vítor.

Eu queria ter sabido antes que o começo seria realmente devastador, que o amor de mãe não surgiria no meu coração assim que ele nascesse, mas que cresceria de forma absurda com o passar do tempo. Talvez tivesse sido mais fácil, talvez eu tivesse compreendido melhor, talvez não teria tido tanto medo. Bom, só sei que agora que ele tem 3 meses, eu amo ser mãe, amo meu filho muito mais do que imaginei e sinto que esse sentimento só cresce dentro de mim!

Com vocês também foi assim?

Beijos