Gestação de trigêmeos

21 de nov de 2014
Quem conta a história é a Michele Kaiser do blog Os trigêmeos da Michele
Quando me vi grávida pela segunda vez, fiquei muito feliz e comecei a planejar o novo quartinho, a pensar nas mudanças que sofreria meu apartamento com a vinda do novo bebê, a pesquisar na internet como lidar com o ciúmes da filha mais velha e o que fazer para que a chegada de mais um herdeiro fosse o menos traumática possível para ela. Eu não tinha ideia do que estava por vir!
Alguns anos atrás, quando decidi que havia chegado a hora de ter filhos, não imaginei que demoraria quase dois anos para engravidar. Durante esse tempo, descobri minha endometriose, me submeti a uma videolaparoscopia, fiz injeção de hormônios e, por fim, tomei indutor de ovulação. Foi uma alegria muito grande a descoberta da minha primeira gestação, que foi maravilhosa e durou 38 semanas e 2 dias. Mônica nasceu em 4 de agosto de 2011.
Como havia demorado para conseguir engravidar pela primeira vez, quando decidimos que estava na hora de ter outro bebê eu tinha certeza que meu período de tentante seria longo. Para minha surpresa, no segundo mês de tentativas já tive um teste positivo, o que me deixou nas nuvens! Na 6ª semana, fiz a primeira ecografia. Ao ver dois sacos gestacionais na tela do computador, pensei que não estava entendendo o exame. A médica confirmou a suspeita, mas alertou que um dos embriões poderia não se desenvolver por diversos motivos. Como ainda não dava para ouvir os corações, marcamos nova ecografia para dali a 10 dias.
Chegado o dia, iniciamos o exame e notei que o médico ficou mudo, só examinando. Vi que ainda existiam dois sacos gestacionais e me senti aliviada por não ter perdido nenhum bebê. Foi quando ele disse: “Olha, nesse saco gestacional está tudo bem, há um bebê e a vesícula vitelina. Só que, nesse outro saco, há dois bebês. São trigêmeos!”. Isso mesmo, trigêmeos. Plurivitelinos. Dois idênticos e um diferente. Pular de um para quatro filhos? Sem qualquer tratamento de fertilização? Como isso foi acontecer? Imaginem o susto!
Passamos a acompanhar a gravidez, que era de risco, com ecografias quinzenais. Íamos a um médico especialista, que se intitulava “pediatra de bebê no útero”. Ele teve medo que nossos idênticos desenvolvessem a Síndrome da Transfusão Feto-Fetal porque o primeiro exame mostrou essa possibilidade. Apesar de todas as dores, cansaço extremo, peso, azia, cólica e dificuldade de mobilidade, a gravidez transcorreu sem maiores problemas e Matheus, Murilo e Marcelo nasceram no dia 4 de outubro de 2013, de 34 semanas, com cerca de 2 quilos cada um. Passaram 15 dias no hospital: 7 na UTI neonatal e 8 em uma sala para controle do aumento de peso.
Meus pais mudaram-se para minha cidade para nos ajudar. Das 21h às 9h tenho uma babá, desde que eles tinham dois meses. Amamentei os nenês até os seis meses no peito, embora nunca exclusivamente (como havia feito com a Mônica), porque não havia suficiente.
Sou professora de inglês e trabalho cerca de 5 horas por dia, quatro dias por semana. Faz muito bem pra minha cabeça sair um pouco de casa. Acho que meus bebês são muito tranquilos e não dão tanto trabalho. Exigem bastante atenção porque são três, mas já dormem a noite inteira, comem bem e brincam bastante juntos. Eles têm uma rotina estabelecida que me ajuda demais! E a irmãzinha é o maior amor com eles. A relação dos trigêmeos com ela é uma coisa linda de se ver.
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 Hoje os trigêmeos têm 1 ano e 1 mês e a Mônica tem 3 anos e 3 meses. Nossa vida é uma loucura! São 4 cadeirinhas para o carro, que teve que ser trocado por um de sete lugares. Por dia, são cerca de 15 fraldas trocadas, uma maquinada de roupa de criança pra lavar (eles engatinham por todo o apartamento e se sujam muito), quatro banhos pra dar, muitas refeições e muitas mamadeiras para preparar! Cada criança toma 3 mamadeiras de leite em pó (especial para a idade) e mais 3 mamadeiras de sucos variados por dia. Fora a água. Quando corto as unhas de todos, duas vezes por semana, são 80 unhas! Enfim, são quatro filhos com 2 anos e 2 meses de diferença. Uma folia! Impossível conhecer nosso dia-a-dia e não pensar em números! Aqui a gente vive tudo vezes quatro!
Beijos,