Quando você vai aceitar sua nova vida?

20 de abr de 2017

Por muito tempo eu me imaginei mãe, me imaginava – e ainda imagino – meus filhos chegando em casa adolescentes, vindo felizes sentar para a almoçar, a gente dando risadas e sendo uma família perfeita para nenhum comercial de margarina por defeito. Como eles ainda são crianças, me permito imaginar a perfeição, mas hoje eu sei que as coisas não são bem assim. A grande mudança é que quando descobri que minha vida não seria aquele comercial de margarina sonhado, eu me frustrei. Demorei para aceitar. Como assim filhos não são só coisas boas?

O tempo foi passando, as crianças ficando maiores e eu percebia que ainda não conseguia aceitar a maternidade como ela realmente é. Não conseguia aceitar minha vida diferente e frequentemente pensava no meu passado, querendo estar lá.

Não me entenda mal, eu não estava arrependida de ter filhos, mas estava assustada com a realidade tão diferente do que eu imaginava de ser mãe.

Até que um dia, uma amiga muito próxima, ouvindo minhas reclamações (hoje eu percebo que só falava coisas ruins) sobre minha condição de mãe, me cortou e disse: “Mah, quando você vai aceitar sua nova vida?”

vitor brincando

Nossa, aquilo foi um tapa na cara bem dado. De repente me caiu a ficha de que eu não aceitava a vida nova que eu tinha e por conta disso só conseguia olhar os problemas que tinha nela. E claro que, quando me lembrava do passado só olhava as coisas boas.

Ela não faz a menor ideia, mas aquilo que me disse foi o melhor presente que alguém poderia ter me dado. A chance de me perceber de forma diferente. Depois disso comecei a observar minha vida e tudo que ela me trazia. Comecei a perceber também que meus filhos, mesmo dando trabalho, esperneando e se jogando no chão, me proporcionam muito mais momentos de alegria do que de dificuldades. Comecei a agradecer pelo tempo que passávamos juntos, pelas brincadeiras no chão e até pelo cansaço no fim do dia.

No começo, confesso, esses agradecimentos foram meio forçados, nem sempre eu estava realmente sentindo aquilo, mas depois de uns 15 dias minha vida começou a mudar. Quanto mais me observava, mais conseguia entender como eu funcionava e o que me estressava na vida de mãe. Fiz algumas mudanças na nossa rotina, coloquei regras bem claras e me comprometi a agradecer, dia após dia, a vida abençoada que eu tenho.

Claro que agora minha vida continua não sendo o comercial de margarina, mas me sinto leve e feliz! Até as pessoas em volta notaram minha mudança e disseram o quanto eu tenho sido mais paciente com meus filhos.

A vida está em constante transformação, mas para que a gente possa evoluir é preciso parar, olhar para dentro de nós e observar o que pode ser mudado ou melhorado.

Então agora eu te pergunto: Quando você vai aceitar sua nova vida (seja ela como for)?

Pense nisso.

Beijos,