A AIDS e as mulheres

11 de maio de 2011

Faz uns dias que eu tenho pensado bastante sobre esse assunto: A AIDS e as mulheres. Coincidentemente uma mulher soro positiva comentou  aqui no blog e acabamos nos aproximando.

Primeiro, o que eu tinha era curiosidade, agora, depois de ouvir sua história, estou fascinada com a força de vontade dela, não só em viver, mas também em sua busca de ser mãe um dia. A história dela eu vou contar com calma para vocês em outro post. Hoje vou falar um pouco sobre o que li a respeito da doença e das mulheres com relação a ela.
Todo mundo já deve conhecer esta doença, que é tão comentada no mundo pelo sua gravidade e por ter se alastrado tão rapidamente entre as pessoas.

O que é a AIDS (HIV posistivo)?

O HIV é um retrovirus que enfraquece as defesas imunitárias do corpo destruindo os linfócitos CD4 (células – T). Estes linfócitos CD4 constituem um grupo de células brancas do sangue que normalmente ajudam o organismo a defender-se contra os ataques das bactérias, vírus e outros germes através da coordenação do sistema imunológico. Quando o HIV destrói os linfócitos CD4, o corpo torna-se vulnerável a diversos tipos de infecções oportunistas, ou seja, infecções que têm a oportunidade de invadir o corpo humano porque as defesas imunitárias estão enfraquecidas. (Galvão et al, 2010)

Existe diferença entre a contaminação de homens e mulheres?

A transmissão do vírus é muito mais facilitada de homem para mulher, cerca de duas a vinte vezes em comparação com relações mulher-homem. Este risco está relacionado com o fato de a área de exposição da mucosa vaginal, ser bastante elevado. As mulheres estão em maior risco de contraírem o HIV durante as relações heterossexuais do que os homens por varias razões. De acordo com vários autores, o sémen tem uma maior quantidade de linfócitos que podem ser infectados do que o fluido vaginal, para além de que fluido seminal também tem um efeito imunossupressivo sobre a mucosa que facilita a absorção do HIV. Em segundo lugar, as mulheres têm uma área mais lata de mucosa disponível para a penetração do HIV (vagina e cervix) e a única mucosa exposta nos homens e a uretra. A mucosa vaginal pode sofrer feridas microscópicas durante as relações sexuais, tornando a transmissão mais provável. Por último, as mulheres são biologicamente mais suscetíveis às infecções porque certas características do ambiente vaginal, como por exemplo, a temperatura, podem propiciar o desenvolvimento de alguns organismos, acrescendo ainda que a infecção é inicialmente assintomática, o que atrasa o diagnóstico e o tratamento.

As mulheres infectadas podem engravidar?

Ter um filho é para muitas mulheres um projeto central do ser mulher, contudo, no contexto de uma infecção HIV, esse desejo de ser mãe tem de ser pesado em relação ao conhecimento de que poderá passar o vírus para a criança e que é pouco provável que sobreviva tempo suficiente para realizar plenamente o seu papel materno.
Embora a grávida soropositiva corra sempre o risco de transmitir o vírus ao feto, verifica-se que, apesar de muitas mulheres optarem pelo aborto, o número daquelas que decidem continuar com a gravidez é cada vez maior. Estas crianças nascidas sob a ameaça da vida constituem um desafio às mães contra a doença, constituindo uma outra razão à vida das mesma. É relevante salientar que não existem estudos conclusivos no que respeita a uma correlação direta entre a gravidez e a evolução da infecção pelo HIV, no entanto, apesar do conhecimento dos efeitos da infecção pelo HIV na gravidez ainda ser reduzido, alguns autores fazem referência a possibilidade de complicações como, aborto espontâneo, morte in útero, parto prematuro, hipotrofia do feto.

Como deve ser feito o acompanhamento de uma gestante soropositiva?

Deve ser realizado muitos exames previamente, por isso a gravidez precisa ser planejada. Com os exames, é possível ver qual a melhor época para a mulher engravidar para que o risco do bebê se infectar seja o mínimo possível (menor que 1%). Durante a gestação a mãe deverá passar por tratamento com medicações específicas e na hora do parto, que deverá ser por cesarea, uma carga maior dos remédios será dado para a gestante.

A grávida soropositiva poderá amamentar seu filho?

O aleitamento materno representa risco adicional de 14% a 22% de contágio pelo HIV. Por esse motivo, contra-indica a amamentação direta ao seio materno, pois, desse modo, espera-se diminuir a probabilidade de contaminação da criança durante a gravidez e no pós-parto, quando a mulher deve ser orientada a inibir a lactação e receber instruções sobre como usar a fórmula infantil, de modo que minimize os riscos de contaminação e erros durante a preparação do leite artificial.
No entanto, como se pode observar, ainda há falta de orientação quanto à não amamentação e cuidados com a mama. É preciso orientá-la, pois caso a mulher não receba medicamento inibidor da lactação e não tenha as mamas enfaixadas, poderá se sentir incomodada e com desconforto. (Lourenço et al, 2009).

Referências Bibliográficas:
GALVAO, Marli Teresinha Gimeniz; CUNHA, Gilmara Holanda da; MACHADO, Márcia Maria Tavares. Dilemas e conflitos de ser mãe na vigência do HIV/Aids. Rev. bras. enferm., Brasília, v. 63, n. 3, June 2010 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71672010000300004&lng=en&nrm=iso>. access on 11 May 2011. doi: 10.1590/S0034-71672010000300004.
LOURENCO, Sílvia do Rosário Piteira Natário de; AFONSO, Henrique Guilherme Martins. VIH no feminino: vivência psicológica. Rev. bras. enferm., Brasília, v. 62, n. 1, Feb. 2009 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71672009000100018&lng=en&nrm=iso>. access on 11 May 2011. doi: 10.1590/S0034-71672009000100018.

Aí estão algumas questões sobre as mulheres soropositivas e sua vontade de se tornarem mães. Apesar do risco, com acompanhamento médico, ele pode ser reduzido a menos de 1% de infecção do feto, dando a mulher com AIDS a chance de realizar o sonho de se tornar mãe.

Espero que tenham gostado de conhecer um pouco sobre este assunto, que muitas vezes está distante de nós, mas que é muito importante.
Beijos,