A difícil escolha de ser mãe

28 de abr de 2014

Eu sempre quis ser mãe nova, sempre quis casar e logo engravidar. Tinha medo de não conseguir ter filhos. Mas nunca tinha pensado sobre ser mãe. Mesmo que demorasse para eu engravidar, mesmo que eu fosse precisar de tratamentos ou qualquer coisa do tipo, nunca tinha pensado sobre ser mãe e sim só sobre engravidar.

Descobrir como era o gostinho de ver dois risquinhos num teste de fármacia, ver a reação do meu marido, da minha família e amigos ao saberem da minha gravidez. Pensava em como era bom ter um bebê crescendo ali dentro, de ser bajulada por todo mundo, poder comer o que quiser – quase tudo – sem peso na consciência. Ter preferência nos lugares que ia, ver as pessoas me sorrindo e sendo simpáticas. A expectativa da barriga crescendo, de ter um barrigão enorme e desfilar com ele por aí.

Mas ser mãe, em si, nunca tinha pensado. No que minha vida se transformaria depois do nascimento, em como seria minha rotina e na doação total que eu teria que fazer. Nas escolhas que agora seriam em funções de terceiros e em tudo que acarretaria para mim pelo fato de ter decidido ser mãe. Nas coisas que eu abriria mão, no tempo que não seria mais tão meu e em todo resto das coisas.

Na verdade eu não tinha a menor ideia do que eram essas “coisas” que mudariam. Descobri quando Vítor nasceu e foi um choque. Como eu não tinha pensado antes em algo tão óbvio? Claro que tudo mudaria, claro que seria tudo tão diferente e muito mais intenso do que eu poderia supor. Com a Mariah foi totalmente diferente, pois eu já tinha vivido tudo aquilo, sabia exatamente por tudo que eu passaria e talvez por isso foi tudo tão mais tranquilo.

ser mãe

Não é fácil ser mãe e por isso a decisão de se tornar uma deveria não ser fácil também.E não é na verdade, mas não é todo mundo que consegue pensar nisso, nesse outro lado de ser mãe, antes de ser. Quando nos tornamos mãe, temos sim que abrir mão de muita coisa. Não digo se anular pra sempre e esquecer todo resto, mas não dá para pensar que será tudo igual. Não dá também para achar que vai “terceirizar” tudo e que assim será tranquilo. Como disse o pediatra Dr. Martins, a pior coisa para um bebê é perder a mãe, pois ela é sua única referência de segurança. Foi o coração dela que ele escutou por 9 meses, seu cheiro e tudo mais. Não dá para terceirizar isso.

Às vezes eu penso em como estaria minha vida se eu ainda não tivesse filhos. Na tardes de bobeira que eu ficava, na minha profissão que eu estava seguindo. No blog que não existiria e em tantas outras coisas que seriam diferente. Confesso que tem dias que queria ter uma dessas tardes de bobeira para ficar sem fazer nada. Mas só disso que eu sinto falta, porque de resto, hoje minha vida é muito mais completa.

Mesmo depois de uma noite sem dormir – como a de hoje – nada me faz mais feliz que o sorriso do Vítor e o rostinho de satisfação da Mariah depois do mamá. Ver meus filhos crescendo, se desenvolvendo. Receber todo amor vindo deles. É, não tem nada melhor do que ser mãe, mesmo sendo difícil!

Vocês já tinham pensado nisso antes de ter filhos?

Beijos,