A nova resolução para partos

09 de jan de 2015

Na quarta-feira, dia 07/01/15, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) publicou uma resolução com normas para estimular o parto normal e diminuir esse aumento desenfreado de cesáreas desnecessárias que acontecem no país. Nesta resolução, as gestantes terão acesso a informação sobre o parto normal e a cesárea, para que entendam os riscos que mãe e bebê correm ao fazer uma cesárea desnecessária. Elas também terão direito a saber qual a porcentagem de partos normais que o hospital e o médico escolhidos tem.

Pelo que entendi, no SUS tudo continua da mesma forma, o que muda é para quem tem plano de saúde, onde a taxa de cesárea ultrapassa os 80%. Os planos de saúde terão 6 meses para se adaptarem as novas regras, onde além do que já citei acima, deverão disponibilizar uma carteira da gestante onde o médico terá que preencher durante toda a gestação. Não será mais permitido que os médicos agendem a cesárea, a mulher deverá entrar em trabalho de parto e só se for necessário fazer a cirurgia. Para isso, os médicos deverão – obrigatoriamente – preencher um formulário chamado partograma sobre a evolução do trabalho de parto e caso seja feita uma cesárea sem necessidade ou não houver o preenchimento do formulário, eles poderão não receber pela cirurgia.

A ANS também tem planos de fazer seminários e diretrizes para que os médicos aprendam e façam atendimentos humanizados dessas gestantes.

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Minha opinião sobre o assunto

Apesar de achar que a resolução poderá trazer mais saúde para as gestantes e bebês, algumas coisas me preocupam a esse respeito:

– Entrar em trabalho de parto: isso me deixa muito feliz, pois entrar em trabalho de parto, mesmo que seja para fazer cesárea, já é muito mais saudável, pois é a forma do bebê demonstrar que está pronto para nascer.

– Informação: será que os planos de saúde conseguirão de fato deixar as gestantes devidamente informadas sobre tudo a respeito do parto normal e cesárea para assim elas saberem o quanto é mais saudável o parto normal e ficarem mais seguras?

– Médicos: médicos que fizeram cesárea a vida inteira não tem prática alguma em parto normal, o que pode acarretar intervenções desnecessárias e violências obstétricas com as gestantes. Eles estão abertos a aprenderem sobre isso e realizar partos normais sem inventarem problemas inexistentes?

– Parto humanizado: li também que começará uma campanha a cerca de conscientizar os médicos sobre como é um parto humanizado, para que as gestantes sejam respeitadas na hora do trabalho de parto e parto, além de todo pré-natal. Dessa forma seriam respeitados seus desejos sobre como tudo acontecerá. Minha dúvida: será mesmo? Médicos que trabalham há muitos anos com cesárea se abrirão para a informação e começarão a mudar seus comportamentos com relação a isso?

– Mulheres questionam sobre não terem o direito a escolha: eu acredito que as gestantes não perderão o direito de escolha, mas para optarem elas precisam estar realmente informadas sobre todos os benefícios do parto normal e todos os riscos de uma cesárea desnecessária. Se desde o começo da gestação houver uma verdadeira preparação da gestante, não digo 100%, mas a grande maioria se sentirá segura e desejará um parto normal. Para as que mesmo assim quiserem cesárea, entrar em trabalho de parto já é um grande começo.

Resumindo: acho a resolução uma ótima ideia, mas é necessário o preparo dos médicos e informação para as gestantes para que dê realmente certo e que traga reais melhorias. Estou torcendo!

Não escrevi este post para gerar polêmica e sim para informar sobre a nova resolução. claro que eu precisava dar minha opinião sobre o assunto, poi sei que vocês gostam de saber, né?

E para terminar, uma frase que ouvi de um médico para refletirmos: “Se mesmo depois de ter informação a gestante quiser fazer cesárea, é porque ela ainda não tem informação suficiente.”

Você, como mãe, faria um procedimento desnecessário se soubesse que ele traria risco de vida para você e para seu filho? (vou deixar esta pergunta aqui para pensarmos!)

Beijos,