A verdade sobre ser mãe

17 de fev de 2014

Antes de ter filhos eu sempre olhava as outras mães e pensava nos absurdos que elas estavam fazendo, do tipo “nossa, ela está dando doce pro filho!”. E sim, em pensamento, eu julgava sem conhecê-la, sem saber o motivo daquele comportamento. Ficava pensando que nunca faria uma coisas daquelas, pois eu sabia o quanto fazia mal.

Sem perceber, eu julgava aquela mãe da forma mais injusta possível, pois eu não indagava os motivos que ela tinha. Claro que alguns comportamentos não precisam e nem tem explicações, situações extremas e inaceitáveis – por mim. Mas na grande maioria, eu não sabia, de fato, porque a mãe tinha decidido fazer aquilo.

Vítor nasceu, com ele veio o blog e duas coisas mudaram completamente: aprendi muito mais sobre como eu poderia criar meu filho de forma mais saudável e certa (ao meu ver) e nasceu uma cobrança infindável para que eu fosse essa mãe “perfeita” que eu estava aprendendo como a melhor coisa a se fazer. Informação e conhecimento nunca são demais e me ajudaram bastante a tomar muitas decisões, mas comecei a perceber o quão injusta eu era com aquelas mães que eu julgava sem saber, sem conhecer. O quanto somos humanas, passíveis de erros e o quanto erramos. Ah, como erramos!

Aprendi, acima de tudo, que nem sempre queremos fazer o que é certo. Como assim? Pois é! Descobri que algumas vezes eu sei que dar um pirulito não é saudável, mas que de vez em quando não tem problema nenhum. Descobri que, como tudo na vida, para ser mãe deve haver equilíbrio. Nem tanto de um lado, nem tanto de outro. Nem dar sanduíche pra um bebê de 6 meses e nem negar que a criança de 2 anos prove um pirulito. Tudo tem seu tempo e o bom senso ajuda demais a discernir isso!

Quantas vezes me peguei brigando comigo mesma, porque achava que tudo bem ele provar uma batata frita agora que completou 2 anos, mas “não, não posso dar fritura pra ele, assim tão novo!”. Comecei a sofrer com isso, muito, o tempo todo. Eu sempre falei que só daria as coisas para ele quando ele sentisse vontade de provar e não antes, quando ele nem saberia o que é. Tem algumas coisas que ele já me pediu, mas sinto que ainda não é hora, mas outras, por que não?

E toda essa conversa não é só sobre alimentação saudável, é sobre tudo! A educação que eu quero dar e a paciência que às vezes me falta, o comportamento que não aprovo e o que eu acabo deixando ele fazer. A televisão que não liberei antes dos 2 anos e o momento que eu ligo só para ter 10 minutos de descanso. O brinquedo que ele ganha e o outro que eu finjo que não vi quando ele não guardou depois de brincar. O “não” que tem sido mais constante do que eu queria e o “tudo bem, dessa vez você pode” que eu falo de vez em quando.

Sinto que a cobrança de ser a mãe que todo mundo deveria ser, não vem só de mim, vem dos olhares de fora, olhares que um dia também foram os meus, para as mães que só estavam tentando ser mães. Cobrança das pessoas que pregam certas coisas como verdades absolutas e não perdoam quem faça o contrário daquilo. Dos gestos de reprova e dos comentários maldosos. Cobrança principalmente de outras mães que julgam seu comportamento all the time. Como se elas sempre fossem melhores que você, em tudo.

verdade sobre ser mãe

Não, a maternidade não é uma guerra! A maternidade não é sobre as outras mães. É sobre você, sobre seus filhos. Sobre o que você acredita ser o certo! Eu defendo muito – e sempre defenderei – que precisamos sim de conhecimento, de informação para que saibamos distinguir melhor o que é certo e errado. Mas isso não significa sermos as mães dos livros o tempo inteiro. Não significa que não podemos fazer escolhas não tão boas de vez em quando.

Claro que sempre haverão comportamentos inaceitáveis, atitudes que não dá para ser assim. Mas como eu vou julgar? Como eu vou apontar o dedo para alguém e dizer “você está errada! Isso é um absurdo!”. Hoje em dia eu prefiro dizer “você já leu sobre isso? Já pesquisou sobre o que poderia ser feito de diferente?”, pois muitas vezes a pessoa age sem informação, mas de qualquer forma, a decisão final sempre será dela. Eu percebo que o que é importante para mim, nem sempre é para ela. E o que fazer? Aceitar, respeitar e seguir em frente.

Essa é a grande verdade sobre ser mãe. Não somos perfeitas. Tentamos ser, mas nem sempre queremos ser. Todas nós temos nossos limites, nossos pontos fracos. Não queremos que nos julguem por isso. E não devemos julgar também. Nosso sexto sentido é poderoso e quando ele põe em dúvida alguma de nossas atitudes, é quando devemos parar para analisar e refletir. Tentar abrir os olhos de outra pessoa é importante, é válido, mas sempre com muita cautela. Ela te pediu ajuda? Perguntou sua opinião?

E assim vamos seguindo, cada uma no seu lar, na sua família, com seus filhos, mas sempre querendo saber o que acontece na casa ao lado, né?

Beijos,