Adolescência e Gestação [depoimento]

17 de jul de 2013

Depoimento escrito pela Carolina Martins sobre adolescência e gestação. Se quiser ler outro relato sobre o tema:

Gravidez na adolescência

Sempre fui mais avançada que as meninas da minha idade, porém quem me conheceu quando eu tinha apenas 10 anos de idade não diria que minha vida seguiria o rumo que seguiu.

Até os 10 anos eu era uma garota tímida, inteligente e de poucos amigos e em um ano me tornei uma pessoa completamente diferente. Quando passei para a 5ª série no colégio conheci um garoto que tinha uma realidade completamente diferente da minha, ele era uma pessoa errada e quando digo isso para as pessoas é tentando amenizar e esconder o ser que ele realmente era, um ladrão. Sim, nos meus 11 anos de idade me apaixonei por um ladrão e enfrentei o mundo por ele, incrivelmente fiquei um ano e seis meses com uma pessoa assim.  Enfrentei meus pais e tudo o que apareceu na minha vida para ficar ao lado dele e não me arrependo. Ele me ensinou a ser uma pessoa forte. Neste período da minha vida, tive que amadurecer muito para enfrentar os problemas que apareceram na minha frente.

A partir de então, minha inocência não existia mais. Depois dele, vivi diversas histórias que me marcaram duramente de alguma forma. Enfrentei traições, distância, racismo do meu pai, entre outras diversas coisas que faço questão de esquecer.

Em 2011 conheci o pai do meu filho. Gostaria muito de a partir daqui escrever uma história bonita e dizer o quanto minha vida deu certo depois de tantas desilusões. Mas não foi exatamente assim.

Eu e ele ficamos por um acaso, e uma semana depois me vi namorando com ele, ele é 7 anos mais velho que eu e ele deixou toda a fase de curtição para poder ficar comigo. Pela primeira vez depois de muito tempo ele tinha se permitido namorar com alguém. Ele deixou as festas, deixou de fumar, passou a ser uma pessoa melhor por mim e eu me sentia a garota mais sortuda do mundo por isso. Nosso namoro foi ótimo, tivemos desavenças como todo relacionamento e ele me fez muito feliz, independente do rumo que minha vida seguiu depois dele eu agradeço por todos os momentos que estive com ele e por todas as coisas que ele me ensinou.

Nós dois tínhamos a senha um do outro do facebook, e foi numa noite que pra mim parecia comum que minha vida inteira desmoronou.

Eu estava conversando com uma amiga minha, pelo facebook, quando ele entra pelo meu e começa a ler minha conversa. Nesta conversa eu e ela estávamos falando sobre dois garotos que gostavam de mim e como eu estava fazendo para me afastar deles para não ter problemas. Acontece, que o meu namorado (na época) leu e entendeu tudo errado. Ele me ligou, e me xingou de tudo o que pode existir de ruim de mundo, ele estava completamente decepcionado comigo. Algumas pessoas dizem que o que ele fez foi invadindo minha privacidade, não entendo dessa maneira pois eu e ele tínhamos liberdade para isso, e eu no lugar dele teria ficado da mesma maneira.

Minha menstruação já estava atrasada e nós dois sabíamos disso.

Uma semana após o acontecido eu e ele terminamos, ele não conseguia mais confiar em mim e eu sofri muito sem contar para ninguém. Guardava toda a tristeza pra mim.

Eu e ele continuamos nos falando até eu fazer o teste de gravidez e descobrir um Positivo.

Meu chão caiu. Como eu iria cuidar de uma criança? O que eu daria pra ela, além do meu amor se eu não tinha absolutamente nada?

Contei para o pai do bebê e ele disse que era pra eu abortar e foi a partir de então que minha vida se tornou um inferno. Ele passou a me odiar pelo fato de eu não aceitar o aborto, e me falou coisas que eu jamais gostaria de ouvir dele, ele disse que não amaria o filho e que nunca o veria, e me abandonou. Sumiu! Passei minha gravidez inteira sozinha, sem o apoio dele, enfrentando preconceitos por estar grávida aos 16 anos. Enfrentei comentários maldosos da minha família e olhares de desprezo de todos da minha escola e a minha volta.

Enquanto minha barriga crescia, o pai do meu filho estava em festas ficando com milhares de mulheres, e eu nunca me permiti ficar com alguém depois dele, e doeu. Doeu cada dia de toda minha gestação. Não era fácil estar sozinha.

Tive que abandonar os estudos e com eles todos os meus amigos que ainda me restavam. Comprei todo o enxoval sozinha, sem um centavo de ajuda do pai dele, até que tomei a iniciativa de colocá-lo na justiça com a ajuda da minha mãe.

Tive medo do dia da audiência pois nesse dia seria a primeira vez que ele me veria grávida.

Ele nunca me acompanhou em nenhuma ultrassom, nenhuma consulta do pré natal, não compartilhou a felicidade da descoberta de ser um menino, ele simplesmente não sabia nada sobre o filho dele.

No dia da audiência, incrivelmente eu estava tranquila, e essa tranquilidade acabou no segundo que vi ele. Não consigo explicar que sensação foi aquela. Após ver ele, vi toda a raiva que eu tinha criado dele naqueles oito meses indo embora.

Nos olhamos e não dirigimos a palavra um ao outro.

O acordo determinado pela justiça não me agradava nem um pouco e quando eu pensei que não poderia ficar pioraté  o pai do meu filho me vir com a história de que ele não tinha certeza da paternidade. Não acreditei naquelas palavras que ele havia dito, aquilo me doeu, doeu cada letra daquela frase. Passei a não conseguir prestar atenção em nada do que foi dito a partir daquele momento, minha maior vontade era fugir dali.

Naquele mesmo dia, a mãe dele me ligou e me xingou e eu desmoronei, nunca chorei tanto em minha vida, não aguentava mais ouvir um desaforo se quer.

Continuei minha vida e no dia 21 de maio de 2013 a minha vida nasceu. E eu vi que todo o sofrimento que passei valeu a pena.

Hoje, sou mãe solteira e muito orgulhosa disso. Sou feliz por ter enfrentado tudo o que enfrentei e dedico toda a minha força ao meu filho. Passaria cada coisa que passei de novo por ele.

Espero ser a melhor mãe e o melhor pai do mundo, e sei que nada está perdido, pois minha vida acabou de começar!

Tem uma experiência bacana e quer contar aqui? Escreva para mah@vidadegestanteemae.com.br

Beijos,