Amigos como referências para a vida

18 de jul de 2013

[publieditorial]

Foi no meio dos meus amigos que comecei a descobrir quem eu realmente era. Em casa sempre tive a referência dos meus pais, do meu irmão, da minha família de modo geral, mas foi com meus amigos que fui descobrindo das coisas que eu gostava e também do que eu não queria para minha vida.

Essa mistura de culturas e educação sempre foi muito positivo para mim. Hoje eu imagino que minha mãe deveria ficar muito preocupada quando eu queria ir para a casa de um amigo que ela não conhecia a família e hoje entendo bem porquê. A preocupação de não saber como funcionavam as coisas em outra casa, preocupação essa que com certeza terei com o Vítor.

Mas com os vizinhos era tranquilo, todo mundo conhecia todo mundo e eu podia brincar sem preocupar os meus pais. Mesmo quando a cultura é a mesma, sempre têm diferenças com relação a criação, ao que é prioridade para uma família e outra.

amigos como referências

Lembro de uma vizinha que nunca deixava que a filha a chamasse de “mãe”, tinha que ser sempre “mamãe”. E em casa nunca teve disso, eu chamava como me sentisse à vontade. Outra que deixava os filhos livres para fazer qualquer coisa ou não fazer nada. Já em casa eu tinha horário para tarefas, minhas tardes eram recheadas de cursos e aulas. Então, essas diferenças me faziam pensar sobre como eu gostaria que fosse, sobre o que eu achava melhor, me dando referências para a vida.

Me lembro que um dia cheguei em um curso e uma amiga chegou atrasada. Quando ela me contou que dormiu e perdeu a hora, eu perguntei “Mas sua mãe não te chamou?” e me surpreendi com ela dizendo que a mãe não ligava se ela faltasse, que na verdade ela nunca nem sabia dos horários da filha. Eu tinha uns 9 anos e no primeiro momento pensei “Nossa, que legal!! Minha mãe sempre pega no meu pé, nunca me deixa faltar em nada!”, mas em seguida ela completou “ela não liga para mim!” e eu senti uma tristeza enorme em sua voz. Eu era nova, mas, mesmo assim, percebi o quanto ela se sentia triste por não ter uma mãe que “pegava no pé” e dei valor à minha.

Além de tudo que uma verdadeira amizade proporciona, ela também nos dá referências para a vida, nos mostrando que há diferentes famílias, com diferentes modo de criação. E nenhuma é melhor ou pior, mas podemos encontrar qual jeito é o que acreditamos.

Hoje, com o Vítor, eu faço muitas das coisas que a minha mãe fazia comigo, mas com certeza não farei todas, darei o meu “toque” na criação dele, priorizarei o que eu aprendi ser importante na minha experiência de vida durante a infância.

E o que importa mesmo é passarmos esses valores que acreditamos para nossos filhos, assim, quando eles encontrarem seus amigos, saberão escolher o que vale e o que não vale a pena seguir.

Beijos,

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