Cansaço respiratório: relato de parto

16 de jun de 2014

Quando a Natane me escreveu para contar sua experiência com a cesárea fiquei muito chateada. Não por ela ter escrito, mas pelo que ela me contou. Pensei na cesárea do Vítor, em que poderia ter sido com ele e em como é super comum isso acontecer, mas a gente só sabe mesmo quando acontece próximo de nós ou mesmo conosco.

Isso acontece em toda cesárea agendada? Não, mas é um risco que se corre e mesmo quando o bebê está com quase 40 semanas, sem sinais de que está na hora de nascer, o risco é bem maior.

Este post não é para causar polêmica e nem falar mal da cesárea, é apenas para contar uma história, que acontece tanto por aí e alertar as gestantes para que se informem e decidam por seus partos de forma consciente.

Má,

Recebendo seus posts pelo Facebook, um dia, em um dos seus posts semanais sobre a gestação da Mariah, vi que tínhamos
poucos dias de diferença de gravidez. Foi muito bacana acompanhar o que vc escrevia porque era justamente o que eu estava passando, semana a semana.

Vi que você estava obstinada em tê-la por parto natural, em casa e tudo mais. Essa ideia, pra mim, sempre foi muito bonita na teoria. Eu, que sou uma pessoa muito prática, nunca pensei em outro parto que não uma cesária devidamente marcada e planejada. Na minha cabeça, era essa a experiência que eu tinha que viver: minha mãe teve duas cesárias e me incentivou; minha cicatrização sempre foi ótima; já tomei duas anestesias rack por conta de uma fratura no joelho e foi super
tranquilo; minha médica não me forçou a nada, mas também não incentivou o parto normal… Enfim, eu achava que era isso que eu queria e era essa a decisão correta.

Minha gravidez correu de maneira muito tranquila. Não tive problemas e a Tiê desenvolveu super bem.

O dia do parto foi marcado para 23 de março. Eu aguardei toda feliz. Preparei os kits com roupinhas pra ela, arrumei as lembrancinhas, o enfeite de porta de maternidade etc.

Foi o domingo mais feliz e, ao mesmo tempo, mais assustador da minha vida. A cirurgia correu bem e ouvir o choro da minha menina foi a coisa mais emocionante do mundo. Ela nasceu com 3,570kg e 51cm. As notas apgar foram 9 e 10. Estava tudo bem.

Fui para a sala de recuperação e, como eu previa, tive uma recuperação ótima. Em menos de duas horas, me deixaram ir para o quarto, onde eu esperava encontrar meu marido, a família e, enfim, pegar a pequena nos braços. Mas não foi bem assim.
Assim que cheguei no apartamento da maternidade, meu marido me falou que uma
enfermeira havia acabado de ligar e avisar que a Tiê estava com um cansaço respiratório e precisaria ficar algumas horas na incubadora. Eu pedi para ele descer e ver o que, de fato, estava acontecendo.Ele voltou trazendo a notícia que ela não tinha expelido o líquido aminiotico do pulmão e precisaria ficar no oxigênio até conseguir respirar normalmente. Ele logo viu que aquelas horas poderiam se tornar muito mais do que isso. E se tornaram.

Resumindo a história: foram 9 longos dias de UTI neonatal para que ela eliminasse o líquido. Demorei 6 para pegá-la nos braços. E 7 para começar a amamentar. Ela ficou lá sozinha, sem aconchego, sendo alimentada via sonda.

Eu não tive festa no quarto, ninguém viu meu enfeite de porta, ninguém pegou as lembrancinhas e a mala de maternidade dela voltou para casa fechada, do mesmo jeito que chegou.Por mais que eu soubesse – e era isso que os medicos e enfermeiros diziam – que não era um problema grave e ela logo estaria comigo, só

quem passa por uma situação dessa sabe a dor e o trauma que é sair de alta do hospital sem seu bebê nos braços. É de partir o coração.
Soube, mais tarde, que esse é um problema típico de cesárias eletivas. No parto normal, a pressão que o bebê sofre para passar no canal vaginal, ajuda a comprimir o pulmão e eliminar a água.Sabe, Mah, sou uma pessoa que respeita muito as escolhas e opiniões das pessoas. Cada mulher tem o direito de escolher o que ela acha que é melhor para ela e para o bebê. Mas quis contar minha história para aquelas que estão em dúvida. O cansaço respiratório em bebês nascidos de cesária eletiva é bem mais comum do que se pensa. A gente nunca acha que pode acontecer com a gente, mas acontece.  E, apesar de tudo estar bem agora, posso afirmar que foram o piores dias que já vivi.

Ficou a lição para uma próxima gravidez. Quero que meu próximo bebê possa vir no tempo dele e da melhor forma para a sua saúde. E todo mundo devia pensar assim: mães e médicos.
Você também tem uma história para contar? Escreva pro meu e-mail mah@vidadegestanteemae.com.br
Beijos,