Como lidar com a morte de um filho

15 de set de 2015

Várias vezes eu recebi e-mails e mensagens me pedindo que escrevesse sobre como lidar com a morte de um filho. Confesso que eu sempre deixava para depois, porque é um assunto muito delicado e que eu nunca vivi.

Seja o filho que ainda estava na barriga ou um filho maior, eu acredito que não é fácil para a mãe entender e lidar com esta situação. Nos relatos que recebo, geralmente elas me contam que por muito tempo ficaram se perguntando porque aquilo havia acontecido com elas, muitas entraram em depressão e perderam o amor pela vida.

Fiquei com muita vontade de realmente escrever e quem sabe poder confortar alguma mãe que tenha passado por isso, mas como confortar o coração de uma mãe que sofre uma perda tão grande dessas?

Durante meus anos de estudos na faculdade de psicologia, li muito sobre a morte, pois trabalhava em hospitais e ela estava quase sempre presente. Aprendi bastante sobre as fases que todos nós passamos até aceitarmos a morte e é isso que quero dividir com vocês.

Elizabeth Kluber-Ross foi uma psiquiatra que durante toda sua vida estudou sobre a morte. Ela era suiça e publicou diversos livros sobre o assunto. Um, em especial, chamado “Sobre a morte e o morrer”, ela descreveu quais são as fases que todos passamos até aceitarmos a morte. Claro que, cada pessoa vive as fases de forma diferente, passam depressa por umas e podem ficar muitos anos em outras. São elas:

As 5 fases do luto

  1. Negação: é quando a pessoa não consegue aceitar e nega o tempo todo que o ente querido tenha falecido. Como se ela realmente não acreditasse que aquilo pode ter acontecido.
  2. Raiva: a pessoa agora não nega mais e o que ela sente é muita raiva. Raiva contra pessoas que ela considera culpadas, contra Deus, contra o mundo. Geralmente, nesta fase, as pessoas mais próximas acabam sendo as mais atacadas por quem está de luto, que, sem perceber, torna-se agressiva tanto verbal quanto – às vezes – fisicamente.
  3. Barganha: nesta fase a pessoa tenta barganhar, primeiro com si mesma e também com Deus ou no Ser superior que ela acredita. Faz promessas e pede por um milagre. Tenta encontrar alguma forma de reverter a situação.
  4. Depressão: a fase mais perigosa para chegar na aceitação da morte. Perigosa, pois nem sempre a pessoa deprimida é aquela que se tranca no quarto, não fala com ninguém, não come e se exclui do mundo. Pode acontecer dela tentar transparecer que está lidando bem com a situação e não está. Tem pensamentos negativos e pode até cogitar o suicídio. Ela se sente impotente e isso a deixa paralisada, ela não sabe o que fazer e nem como continuará vivendo.
  5. Aceitação: finalmente a pessoa aceita a morte. Aceitar não significa que ela esqueceu ou muito menos que a situação não a afeta mais. Aceitar é quando a pessoa consegue “tocar para frente”, entender que a vida continua, apesar de não ter mais seu ente querido junto dela. Mesmo que a dor ainda esteja presente em alguns momentos, ela consegue sorrir quando se lembra do previlégio que teve de ter conhecido, convivido e amado a pessoa que se foi.

Eu poderia ter escrito um texto cheio de “Não fique assim” ou então “Olhe ao seu redor e veja quantas pessoas que te amam”, mas eu sei que nenhuma palavra conforta no momento de dor. Quis dividir com vocês o que aprendi, pois quando sabemos o que está acontecendo conosco, fica mais fácil de entender e passar por aquilo.

Se você perdeu um filho, antes de tudo quero dizer que sinto muito. Muito mesmo. Depois quero que você leia com atenção as fases que descrevi e tente encontrar em qual você está. Se você acha que está demorando muito em uma delas, não deixe de procurar ajuda. Um psicólogo poderá te auxiliar neste momento de tanta dor e confusão. Assim você perceberá que é possível continuar vivendo e principalmente que a felicidade poderá ser encontrada também em outras coisas.

Um beijo carinhoso,