Culpa de mãe

18 de set de 2014

Ultimamente não tenho me sentido como uma boa mãe. Tenho deixado o Vítor assistir desenhos mais do que eu gostaria e às vezes eu deixo só porque assim ele fica tranquilo no sofá e eu consigo agilizar as coisas em casa.

Não brigo mais tanto com ele por conta de comida. Se quer comer, ótimo, se não quer, paciência. Logo é hora da fruta e pronto. Não fico insistindo. E tem dias que eu me canso e faço barganha dizendo que ele vai ganhar uma sobremesa bem delícia se ele comer o prato todo.

Na hora do banho ele não quer lavar o cabelo. E eu não tenho insistido, deixo ele ficar sem lavar por um dia, mesmo sabendo que ele correu e brincou na escola e por isso deveria estar com os cabelos sujos. Acabo evitando conflito e explicando que então no dia seguinte não terá escapatória.

culpa de mãe

O ritual da noite nem sempre sou eu mais que faço. Essa hora já me sinto cansada o suficiente e peço para o marido fazer. E finjo que não vi quando ele esquece de escovar os dentes ou de levá-lo para fazer xixi. Já está tarde e não quero causar conflitos em casa.

As birras, que tem sido constantes, me cansam demais e em alguns momentos eu acabo cedendo ao que ele quer. Faço parecer que ele fez por merecer o que quer e resolvo. Não é sempre, mas o suficiente para me encher de culpa depois. Quando eu falo “não” eu sempre tento manter o que disse, mas confesso que não é assim todas as vezes.

Aliás, culpa tem sido minha companheira eterna. Sei que ultimamente eu tenho feito o que é mais fácil e não o que é melhor para meus filhos e me culpo por isso. Tenho sentido que não estou conseguindo organizar as coisas e que muitas delas estão totalmente fora dos trilhos.

Com a Mariah não é muito diferente, mas percebo que às vezes ela chora e depois de uns 10 minutos sem saber bem o que ela quer, eu dou o peito. Eu sei que não era fome, mas dou, porque no peito ela acalma e não chora. Em meio ao caos instalado tudo que eu quero é que ela não chore.

Culpa. Culpa. Culpa. Oh, sentimento ruim de sentir! E como entrei num ciclo vicioso de empurrar com a barriga e fazer o que dá, como dá, não estou conseguindo por ordem na casa, na vida.

Mas quem é mãe perfeita? Quem está sempre impecável com os filhos? A gente cansa mesmo, a gente cede, a gente acaba deixando pra depois, mesmo sabendo que não deveria. Por preguiça, por cansaço. Por querer ficar ali quietinha por alguns minutos e poder descansar muito mais a cabeça do que o corpo.

Teve uma época em que eu consegui organizar tudo e a rotina estava bem instalada e sendo minha boa amiga, mas é só uma coisa sair do lugar que pronto, bagunça tudo de novo!

Quero voltar a por tudo no lugar, quero minha paz de espírito de volta. Estou tentando e espero conseguir em breve. Até lá, culpa minha querida, eu não sou sua amiga, você já ficou demais por aqui, pode ir embora!

Beijos,