Das saudades que vou sentir dos meus filhos

06 de out de 2014

Ontem a noite meu filho, pela terceira vez, levantou da cama e foi para a sala dizendo que não queria dormir. Eu sabia que ele estava muito cansado e perguntei qual era o problema. Ele respondeu:

– Estou com medo, mamãe!

Não tinha motivos para o medo, mas um quarto escuro, às vezes pode ser mesmo assustador. Eu estava mais cansada que ele e poderia ter dito que não precisava ter medo e pedir que se deitasse novamente. Mas não, fui até o quarto, deitamos juntos na cama e eu falei:

– Não tem porque ter medo, a mamãe estará sempre por perto para o que você precisar! Hoje vou ficar aqui deitada até você dormir!

Nesse mesmo instante um pensamento insistiu em aparecer, eu não disse para ele, mas pensei “bom, para sempre sempre não, mas estarei por todo tempo que eu puder!”. Fiquei abraçada nele, sentindo seu cheirinho gostoso que só os filhos sabem ter. Em menos de 5 minutos ele estava dormindo, mas eu quis ficar mais, só para fingir que aquele momento poderia ser eterno.

Não é sempre que eu consigo deitar e isso não é problema para ele, pois hoje em dia a hora de dormir é uma rotina muito bem estabelecida, mas sempre que eu posso, faço questão de viver este momento.

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Porque logo ele não vai mais querer que eu durma abraçada nele. Ele poderá me achar uma chata careta e ficará com vergonha de ser beijado por mim na frente dos amigos. Com o tempo voando deste jeito, logo ele se sentirá independente o suficiente para não querer mais meu abraço carinhoso e meus “ataques de beijos” que eu dou toda noite e ele pede sempre mais. Não vai mais pedir para “mexer no meu belinho” a hora que o sono bater e eu vou passar a ter meus cachos impecáveis de volta.

Num dia não tão distante ele não terá mais necessidade das minhas histórias do coelhinho Floquinho(eu tento inventar outras, mas ele sempre me pede essa) na beira da cama, dos abraços esmagados e do meu colo. Ele terá crescido tanto que passará a perceber que é possível viver sem ser tão grudado na mãe e que eu não sou mais tão necessária assim.

E aí eu sentirei falta, todos os dias, desses momentos. Vou querer voltar no tempo só para ter meu cabelo bagunçado de novo. Vou querer inventar mais histórias, dar mais abraços e poder falar “você é meu!” mesmo sabendo que isso é ilusão. Vou ter saudades de quando ele ainda cabia no meu colo e o quanto fazia questão de vim pra cá todas as vezes que se sentia inseguro com alguma coisa ou estava apenas carente.

A vida voa ainda mais quando nos tornamos mães e dar colo, carinho e atenção não é mimar, muito menos deixar mal acostumado. É ensinar o que é o amor e isso eu quero que ele aprenda todos os dias!

Beijos,