Diferenças do pós-parto: cesárea e parto normal

30 de set de 2014

Antes de começar este post eu quero deixar claro que:

– Não é um post polêmica sobre qual via de nascimento é melhor;

– Eu vou relatar a MINHA experiência com relação aos dois pós partos que tive;

– Cada mulher tem uma vivência diferente, por isso, se a sua foi diferente da minha, não se sinta ofendida;

– Discussões saudáveis são sempre bem vindas, mas não faça deste assunto sua guerra particular, não vale a pena!

Quis começar assim, pois sei que este assunto sempre gera polêmica, pois toca na ferida de muitas de nós, inclusive na minha. Bastante gente me pergunta como foi para mim ter passado pelas duas experiências e por isso resolvi escrever.

Foi totalmente diferente! Não tem nem grau de comparação! Acredito que não só pela forma tão distinta que os dois nasceram, mas também pela informação que eu tinha no parto da Mariah, por já ser mãe e saber o que vinha pela frente, enfim, são muitas coisas que resultaram em experiências completamente diferentes.

Experiência do pós-parto de cesárea: Vítor

Quando Vítor nasceu, de cesárea agendada, com 38 semanas e 2 dias (espero que esta ferida dentro de mim se cicatrize um dia, posso falar disso em outro post, se vocês quiserem!) eu não tinha nenhuma informação sobre o que seria melhor para mim e para ele. Eu não quis ter informação, na verdade, porque algumas pessoas tentaram me passar, mas eu estava muito “segura de mim” achando que já sabia o suficiente.

A cirurgia em si foi tranquila, não estava nervosa, a anestesia pegou de primeira e tudo correu dentro do esperado. Vítor nasceu, chorou e não veio para os meus braços. Eu estava ali imóvel pedindo para amamentar meu filho e só depois de quase meia hora (e eu como uma sirene na orelha do médico) é que ele deixou uma enfermeira trazê-lo. Não soltaram meus braços, não pude segurá-lo no colo. Ela o colocou todo torto próximo ao meu peito, mas foi sem sucesso.

Vítor foi com o meu marido para a sala de exames e fizeram procedimentos desnecessários nele, que geralmente os médicos fazem de praxe, quando apenas só alguns recém-nascidos realmente precisam. Mas não sabíamos disso na época e achamos normal ele ficar sozinho num bercinho e depois fazendo vários exames.

Passei 2h na sala de recuperação e tremia muito. Estava nervosa demais. Vou explicar: na hora que a enfermeira me trouxe ele pra mamar, vi que ele tinha nascido com polidactilia (clique aqui para ler a história), mas foi tudo tão rápido que pensei ser uma má formação no dedão e isso me deixou muito nervosa.

Quando fui para o quarto cheguei chorando, pedindo para vê-lo desesperadamente. Eles me trouxeram e pude finalmente pegar meu filho no colo, olhar direito suas mãoszinhas e poder amamentá-lo. Não senti nenhum amor louco de mãe como eu esperava sentir (já falei sobre isso aqui). No primeiro dia fiquei ótima, sem dor nenhuma, me levantava, fazia o que podia e o médico me elogiou que eu estava muito bem disposta.

No dia seguinte o efeito da anestesia passou e aí eu descobri o que era passar mal de verdade. Sentia muita dor, mal levantava da cama e minha pressão ficou muito baixa (7 por 4). Se tentava levantar, ficava tudo preto e quase cai algumas vezes. Foi um sacrifício para conseguir ir ao banheiro e tomar banho. Meu intestino não funcionou e por isso o médico receitou um remédio. Comecei a ter dores de barriga horrorosas e achava que não conseguiria chegar até o banheiro. Foi horrível.

Era para eu ter tido alta naquele dia a noite, mas passei tão mal que ele achou melhor que eu ficasse mais um dia. Comecei a tomar as medicações necessárias para não ter risco de infecções e amenizar a dor. Não consegui dormir.

No dia seguinte de manhã ele veio ver se eu estava melhor e me deu alta. Eu estava bem melhor, ufa!! Meus pais chegaram para me ajudar a organizar tudo e foram levando as coisas para o carro. A enfermeira chegou e disse que por regra do hospital, apenas a mãe pode retirar o bebê do berçário. Eu mal conseguia andar, como ia pegar meu bebê no colo?

Pedi uma cadeira de rodas (minha pressão continuava 7 por 4), mas ela e meu marido disseram que não, que eu conseguiria chegar até a porta do hospital andando. Fui escorada neles até o berçário. A enfermeira me deu o Vítor e na mesma hora ele foi para os braços do meu marido, não queria correr o risco de cair e derrubá-lo no chão.

Eles foram indo na frente e eu atrás, encurvada de dor e mal estar, me segurando na enfermeira. Achei que não fosse conseguir chegar até a porta da maternidade, mas consegui. Fiquei pensando como as atrizes conseguiam fazer aquelas fotos com o bebê no colo. Eu até tentei fotografar, mas minha cara mostrava como eu não estava muito boa.

Fomos para casa e eu melhorei demais lá! Fiquei muito mais bem disposta, a dor melhorou bastante e minha pressão voltou ao normal. Conseguia fazer tudo tranquilamente.

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Tive flebite (inflamação nas paredes da veia) por conta do acesso venoso no meu braço e doeu bastante. Quando cheguei no médico reclamando que meu braço estava, vermelho, inchado e doendo muito ele me explicou sobre a doença e precisei tomar um novo antibiótico para conter a inflamação.

Aí começou a me bater uma tristeza. Eu queria dormir e nada mais. Pedia pro meu marido ficar com o Vítor, porque eu queria descansar. O tempo todo. Não queria visitas, nem fazer cara de “feliz da vida”. Eu não estava feliz, não estava sentindo tudo aquilo que me diziam que eu sentiria com a chegada de um filho. Queria minha vida de antes de volta. E assim foram por uns 20 dias. Depois melhorou, mas passar mesmo deve ter levado um certo tempo. Descobri que isso se chama Baby Blues e é uma depressão pós parto mais leve.

Nosso amor foi sendo construído com o passar do tempo. Hoje ele explode meu coração, mas no começo não foi nada fácil. Nada como eu esperava.

Relato de cesárea: nascimento do Vítor

Experiência do pós-parto normal: Mariah

Eu me preparei a gestação inteira para o parto da Mariah. Li muito, exercitei muito as coisas que aprendia. Sabia que doía, que poderia ser que não aguentasse a dor. Eu já sabia o que me esperava, apesar de também saber que nada é bem do jeito que a gente pensa até vivenciar aquilo.

O trabalho de parto dela (eu estava com 39 semanas e 4 dias) começou fraquinho, um dia antes a noite (clique aqui para ler meu relato de parto) e de manhã é que eu percebi que seria naquele dia que ela iria nascer. A dor começou fraca e foi aumentando, durou mais ou menos 6h e a dor intensa do tipo “não aguento mais” veio misturada ao cansaço do fim de trabalho de parto e durou cerca de meia hora.

Eu fiquei muito calma durante todo o processo – graças a tudo que eu tinha aprendido – e tinha momentos que ainda tinha dúvidas se estava mesmo em trabalho de parto. Fiquei dopada e quase não conseguia prestar atenção nas coisas ao meu redor. Eu estava dentro de mim, lá mesmo no fundo, em contato direto com a minha filha que também se esforçava para nascer.

Ela foi nascendo devagar, aos poucos e pude sentir cada pedacinho do seu corpo saindo de mim. Chorou e eu a peguei no mesmo momento. Sentei no chão frio do meu quarto (pra total desespero da minha médica que pedia toda hora para eu ir para a cama, pois não podia ficar ali) e a abracei! Chorava, ria e tremia, muito. Não conseguia me mexer direito e entrei em estado de choque. Será possível que eu realmente tinha conseguido parir minha filha? No meio da minha confusão mental eu perguntava se eu estava sonhando ou se tudo aquilo era real. Parecia sonho!

Minha médica e a doula do meu lado rindo e me dando parabéns e meu marido abraçado na gente, também mal acreditando que nossa menina já tinha nascido. Ela começou a procurar meu peito e menos de 10 minutos de nascida já o sugava com toda a força. Até hoje não consigo descrever o que foi que senti ali. Uma verdadeira explosão de sentimentos, uma coisa louca e maravilhosa. O cansaço do trabalho de parto tinha passado e eu agora era pura euforia.

Fiquei sentada no chão uns 40 minutos, até que minha médica dizer que não dava mais, eu precisava ir para a cama me aquecer.Eu fui, aproveitei e já me limpei, coloquei um pijama enquanto a doula limpava o pouco sangue que tinha na Mariah. Colocou sua primeira roupinha e ela voltou para os meus braços. Pegou o peito de novo e ali ficamos por muito tempo, acho que mais de uma hora.

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Aí começou a me dar uma fome enorme e ela dormiu. A coloquei no moisés e fui jantar (pedi arroz, carne moída e requeijão!). Eu me senti um pouco fraca e a médica explicou que era por conta de tudo que eu tinha passado, que realmente era muito cansativo parir um filho. Mal dormi de tanta adrenalina.

No dia seguinte eu estava me sentindo ótima. Levantei, tomei um bom banho demorado, lavei os cabelos, me arrumei e esperei o Vítor chegar para conhecer a irmã! Não sentia nenhuma dor e quando perguntei para minha médica sobre os remédios que eu deveria tomar ela respondeu:

– Que remédios? Você não precisa tomar nada!

Ah, quanta diferença da experiencia anterior. Quanto emoção! Não senti nenhum tipo de tristeza no pós parto, pelo contrário, me apaixonei de imediato pelo bebê que carregava nos braços. Eu e ela também fomos construindo o amor, apesar de inicialmente ser diferente, o sentimento foi aumentando com o passar dos dias.

Até hoje sou grata por ter tido a chance de viver essa louca experiência que é parir um filho. Não me conformaria de passar pela Terra sem viver tudo aquilo! E viveria de novo, quanto fosse possível.

Relato de parto domiciliar

Ainda me dói pensar em como o Vítor passou por procedimentos desnecessários e o quanto eu arrisquei nossa vida numa cesárea DESNECESSÁRIA. Eu não tinha informação suficiente, mesmo achando que tinha. E também não tinha preparação para um parto normal, o que hoje eu considero essencial para quem quer viver essa experiência. Na cesárea do Vítor, foi o médico que fez tudo, no parto da Mariah, fomos eu e ela. E isso faz toda diferença.

Essas foram minhas experiências no pós parto dos meus filhos. Quero reforçar que não escrevi para causar polêmica ou para dizer o que é melhor ou pior. Escrevi com todo meu coração, todo sentimento que vivi em ambos os casos.

E como eu sempre digo: se informem e escolham de forma consciente como querem que seus filhos venham ao mundo!

Beijos,