Diferenças entre as vacinas da rede pública e as particulares

16 de jun de 2013

O questionamento sobre as diferenças entre as vacinas da rede pública e as  particulares é frequente na consulta pediátrica. Mas a resposta não é igual para todas as vacinas, sendo assim, realizarei a análise particular de cada uma delas, apresentando inicialmente as diferenças gerais entre os calendários vacinais.

diferenças entre as vacinas das redes públicas e as particulares

 

Calendário Vacinal definido pelo Ministério da Saúde (UBS)

 

Idade

Vacina

Dose

Ao nascer

BCG (intradérmica)

Única

Hepatite B

Primeira dose

2 meses

Pentavalente (DPT + HiB + HB)

Primeira dose

Salk – Vacina poliomielite inativada

Vacina oral contra rotavírus

Vacina pneumocócica 10

3 meses

Vacina meningocócica C conjugada

Primeira dose

4 meses

Pentavalente (DPT + HiB + HB)

Segunda dose

Salk – Vacina poliomielite inativada

Vacina oral contra rotavírus

Vacina pneumocócica 10

5 meses

Vacina meningocócica C conjugada

Segunda dose

6 meses

Pentavalente (DPT + HiB + HB)

Terceira dose

Sabin – Vacina poliomielite oral

Vacina pneumocócica 10

9 meses*

Febre Amarela

Primeira dose

12 meses

Tríplice Viral (SCR)

Primeira dose

 

Vacina pneumocócica 10

Reforço

15 meses

Tríplice Bacteriana (DPT)

Primeiro reforço

 

Sabin – Vacina poliomielite oral

Reforço

 

Vacina meningocócica C conjugada

4 anos

Tríplice Bacteriana (DPT)

Segundo reforço

 

Tríplice Viral (SCR)

Reforço

10 anos*

Febre amarela

Repetir a cada 10 anos

15 anos

dT

Repetir a cada 10 anos

Campanhas Nacionais

Menores de 5 anos

Sabin – Vacina poliomielite oral

Semestral
De 6 meses a 2 anos

Vacina Influenza (gripe)

Anual
DPT – Difteria, coqueluche e tétanoHiB – Vacina contra haemophylus influenzaetipo BHB – Vacina contra Hepatite BSCR – Sarampo, caxumba e rubéoladT – Difteria e tétano (Dupla adulto)*Apenas nas áreas endêmicas

 

Calendário Vacinal definido pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

 

Idade

Vacina

Dose

Ao nascer

BCG (intradérmica)

Única

Hepatite B

Primeira dose

2 meses

Hexavalente (DPTa + HiB + HB + Salk)

Primeira dose

Vacina oral rotavírus pentavalente

Vacina pneumocócica 13

3 meses

Vacina meningocócica C conjugada

Primeira dose

4 meses

Pentavalente (DPTa + HiB + Salk)

Segunda dose

Vacina oral rotavírus pentavalente

Vacina pneumocócica 13

5 meses

Vacina meningocócica C conjugada

Segunda dose

6 meses

Hexavalente (DPTa + HiB + HB + Salk)

Terceira dose

Vacina oral rotavírus pentavalente

Vacina pneumocócica 13

9 meses*

Febre Amarela

Primeira dose

12 meses

Tetra Viral (SCR + Varicela)

Primeira dose

 

Vacina pneumocócica 13

Reforço

 

Hepatite A

Primeira dose

15 meses

Pentavalente (DPTa + HiB + Salk)

Primeiro reforço

 

Tetra Viral (SCR + Varicela)

Reforço

18 meses

Hepatite A

Segunda dose

4 anos

Tríplice Bacteriana (DPTa)

Segundo reforço

 

Sabin – vacina oral poliomielite

Reforço

 

Vacina meningocócica C conjugada

Reforço

A partir de 9 anos

HPV (meninos e meninas)

3 doses

10 anos*

Febre amarela

Repetir a cada 10 anos

11 anos

Vacina meningocócica C conjugada

Reforço

15 anos

dT

Repetir a cada 10 anos

Campanhas Nacionais

Menores de 5 anos

Sabin – Vacina poliomielite oral

Semestral
De 6 meses a 2 anos

Vacina Influenza (gripe)

Anual
DPTa – Difteria, coqueluche e tétano (acelular)HiB – Vacina contra haemophylus influenzaetipo BHB – Vacina contra Hepatite BSCR – Sarampo, caxumba e rubéoladT – Difteria e tétano (Dupla adulto)*Apenas nas áreas endêmicas

 Diferenças entre as vacinas da rede pública e as particulares

Vacina BCG

Pode ser aplicada já na maternidade ou nos postos de saúde e clínicas particulares no primeiro mês de vida. Não existe diferença entre a BCG do posto, da maternidade ou da clínica particular.

A BCG tem o objetivo de prevenir as formas graves de tuberculose. É aplicada no braço direito por via intradérmica (injetável). Alguns dias após a aplicação forma-se uma pequena pápula no local, que irá supurar (abrir) e eliminar uma secreção branca e sem odor (purulenta). Após alguns dias, a ferida se fecha e deixa uma pequena cicatriz arredondada no local. Esta reação é normal e demora em média um mês para se completar, mas há casos em que a ferida demora um pouco mais para evoluir podendo acontecer até o sexto mês de vida. Não se deve espremer a lesão ou realizar curativo local. Recomenda-se uma segunda dose da vacina quando, após 6 meses, não se observa cicatriz no local da aplicação (consultar previamente o pediatra da criança).

 

Vacina contra Hepatite B

As vacinas do posto, das clínicas e das maternidades são exatamente iguais.

 

Vacina contra poliomielite (Sabin e Salk)

O vírus da pólio causa a temida paralisia infantil, uma doença que felizmente já foi erradicada do Brasil. Existem 2 vacinas contra a poliomielite.

Sabin – vacina oral contra a poliomielite (vacina da UBS – a partir da terceira dose e das campanhas vacinais semestrais)

É a vacina da gotinha. É eficaz e feita com vírus vivos atenuados, e por este motivo há um pequeno risco de causar a paralisia infantil.

Salk – vacina inativada contra a poliomielite (vacina da UBS – nas primeiras 2 doses e vacina das clínicas particulares)

É injetável e feita com vírus inativados, não havendo qualquer risco de se adquirir poliomielite.

A eficácia das duas vacinas é semelhante e após a segunda dose da vacina inativada ocorre diminuição importante do risco de reação se realizada a Sabin nas doses subsequentes. Dessa maneira, pode-se perceber que a mudança ocorrida no calendário vacinal do Ministério da Saúde (ao introduzir a Salk nas 2 primeiras doses) foi de extrema importância na diminuição do risco de reações adversas.

 

Vacina oral contra Rotavírus

Existem duas vacinas disponíveis. A vacina monovalente, aplicada nos postos de saúde e administrada em 2 doses e a vacina pentavalente, encontrada nas clínicas particulares e administrada em três doses, aos 2, 4 e 6 meses.

Vacina tríplice bacteriana (difteria, tétano e coqueluche) celular e acelular

A diferença entre a tríplice do posto e das clínicas é que a vacina do posto é feita com células inteiras (celular) e a das clínicas é acelular. Não há interferência na eficácia da vacina, porém observa-se que a vacina celular causa efeitos colaterais como inchaço, dor no local da aplicação e febre com uma maior frequência, incluindo efeitos graves como espasmos e convulsões.

Vacina contra haemophylus influenzae tipo B

Esta bactéria é responsável por infecções como otites, pneumonias, sinusites e até mesmo meningites, principalmente em crianças menores de 4 anos de idade. As vacinas dos postos de saúde e das clínicas são iguais.

Vacina contra meningococo C conjugada

Esta vacina protege contra a meningite causada pelo meningococo do tipo C, o tipo mais frequente no Brasil. As vacinas contra meningococo C do posto e das clínicas particulares são exatamente iguais, tanto na eficácia como na frequência de efeitos colaterais.

 

Vacina conjugada contra o pneumococo

Há dezenas de tipos de pneumococos, mas ainda não há uma vacina que proteja contra todos os seus tipos. As vacinas disponíveis protegem contra os tipos que circulam com maior frequência na população.

A vacina dos postos de saúde protege contra 10 tipos de pneumococo (por isso é conhecida como “10 valente”) e a vacina das clínicas particulares protege contra 13 tipos (sendo conhecida, então, como “13 valente”), ou seja, os dez tipos da vacina do posto e mais 3 tipos, o que corresponderia a uma proteção 6% maior do que as vacinas dos postos.

 

Vacina tríplice viral – Sarampo, Caxumba e Rubéola (MMR)

As vacinas dos postos e das clínicas particulares são exatamente iguais.

 

Vacina contra Varicela (Catapora)

A vacina contra a varicela já está disponível nas redes públicas para crianças até 1 ano e 3 meses.

 

Vacina tetravalente viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela combinadas)

Disponível somente nas clínicas particulares tem a vantagem de associar as vacinas tríplice viral e a varicela em uma só injeção.

Como ambas as vacinas devem ser aplicadas com um ano de idade, recomenda-se que as duas vacinas sejam feitas no mesmo dia. Porém, se os pais preferirem fazer em dias diferentes, é muito importante lembrar que deve haver um intervalo mínimo de um mês entre uma vacina e outra. Isto ocorre porque as duas vacinas são feitas com vírus vivos.

 

Vacina contra Hepatite A

Já está disponível nas redes públicas para crianças de 1 ano a 1 ano, 11meses e 29 dias.

Vacina contra Febre Amarela

Está indicada para os residentes e viajantes para as áreas endêmicas. A aplicação desta vacina pode ser feita a partir dos 9 meses.

Fique de olho: lactentes com menos de 6 meses em aleitamento materno, cujas mães receberam vacina contra febre amarela devem suspender o aleitamento materno por pelo  menos 15 dias.

A vacina contra febre amarela não deve ser administrada no mesmo dia que a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) devido ao risco de interferência e diminuição de imunogenicidade. Recomenda-se que estas vacinas sejam aplicadas com um intervalo de 30 dias entre elas.

 

Vacina de Influenza (Gripe)

Está indicada para todas as crianças dos 6 meses aos 5 anos de idade, assim como para todas as crianças com mais de 6 meses e adolescentes que apresentem fatores de risco.

Fique de olho: a primovacinação de crianças com idade inferior a 9 anos deve ser feita com duas doses com intervalo de 1 mês.

 

Vacina contra HPV

Existem duas vacinas diferentes, disponíveis no mercado, contra o HPV (papilomavírus humano). A vacina bivalente (16, 18) e a quadrivalente (6, 11, 16, 18) indicadas para meninos e meninas de 9 a 26 anos, em três doses.

Já está disponível nas redes públicas para meninas de 11 a 13 anos.

Fontes: Calendário Vacinal 2013 – Sociedade Brasileira de Pediatria; Manual de Imunizações – Hospital Israelita Albert Einstein

Importante: Segundo o Conselho Regional de Medicina (CRM), a informação médica via Internet pode complementar, mas nunca substituir a relação pessoal entre o paciente e o médico. Pelas suas limitações, não deve ser instrumento para consultas médicas, diagnóstico clínico, prescrição de medicamentos ou tratamento de doenças e problemas de saúde.

Artigo escrito por: Dra.Camila Mendes Macca – CRM-SP 130.002 – especialista em Alergia e Imunologia. Para entrar em contato com ela, clique aqui e acesse seu site ou pela sua fanpage Clínica de Pediatria Primeiro Passos.

Beijos,