[Leitor] A dificuldade de amamentar

29 de maio de 2013

O relato de hoje foi escrito pela Carol Simonetti.

Como a maioria das mães sempre sonhei e idealizei em ter um filho, sempre desejei que fosse único, planejado e amado. Também sempre li milhões de coisas por aí sobre o parto normal e a amamentação e nunca entendi o porque de apenas 40% das mulheres amamentarem, achava que era por pura estética, ridículo, um absurdo. Paguei minha língua.

Quando engravidei, coloquei como certo que teria parto normal (frustração 1), porque era muito melhor pra mãe, pro bebê, porque minha gravidez foi tranquila, porque nem sentia as contrações, porque estava encaixada… . Cheguei a pesquisar com meu marido salas de PN, porque tinha certeza que seria. Fiquei focada nisso, em quanto doeria, e se doesse, como faria, coisas para aliviar a dor etc… e a amamentação eu nem liguei, pra mim era a coisa mais natural e perfeita de todas, pra que deveria me preocupar? Não “calejei” o bico, não hidratei, não fiz nada ignorei essa parte, foquei no parto. OK.

A Luísa sempre teve problema de crescimento na minha barriga, seu percentil era sempre 10%, sendo que o normal é mais que 50%. Eu engordava horrores, mesmo comendo saudável, e a bebê nada de crescer. No oitavo mês descobrimos um pré-eclampsia. Palpitações, suava frio, inchaço no nível mais grave, e por isso lá se foi o sonho do PN, a Luísa nasceu de 38 semanas com 2,5 kg. No fim achei o PC bem tranquilo. Não senti dor, enjoo, cansaço, nada, foi perfeito. O problema começou depois.

A Lu era muito pequenininha, e meu peito era gigaaaante, de numero 42 foi pra 48, e com isso ela nao conseguia fazer a pega no mamilo. Ela só mamava no bico, e não tinha nada que fizesse ela pegar direito. Ficávamos meu marido de um lado abrindo a boca dela, e eu pinçando o bico… mas nada adiantava. Enfim, foram 15 dias de terror, muita dor, chorava ela de fome e eu de dor. E o pior que eu tinha muito leite, transbordava, mas fui na onda dos palpiteiros e não tirei leite para dar na mamadeira/copinho, o que fez com que meu leite logo no primeiro mês diminuísse muito. Porque ela não mamava no início, e sobrava demais… assim o leite reduziu bastante. Outra coisa que agravava, a Luísa é muito sonolenta, era raro sentí-la mexendo na barriga, quando RN dormia umas 18 horas picadinhas por dia, e hoje dorme 12 horas seguidas de noite (uma benção!)… o problema que agravou a amamentação foi que eu não conseguia acordá-la de jeito nenhum. Dava banho, fazia cócegas, deixava pelada, ela acordava, dava 3 mamadinhas fracas e dormia… AAAAAAH!

Resultado: com um mês eu tinha leite, mas era a metade do que tinha no início. A coisa era tão complicada que menstruei já na quarentena. Com 40 dias, quando ela estava com 3 quilos, e começou a fazer a pega direito, era tarde… de manhã tinha muuuuito leite, mas ao longo do dia ia secando, secando, e quando chegava umas 19 hs era desesperador porque ela berrava enlouquecida de fome e não tinha mais de onde tirar. O mais triste era saber o que estava acontecendo e ouvir de pessoas (principalmente família) “xiiiiiii acho que seu leite é fraco…”, “nossa comigo foi diferente, eu tinha leite pra 3”. Eu queria morrer. Como as pessoas podem ser tão insensíveis? Daí eu vi o quanto eu fui besta em julgar as mães que não conseguem amamentar seus filhos. Na maioria das vezes não é uma escolha, mas uma necessidade. Tem muitos fatores que podem sim influenciar na produção de leite.

Bom, com 40 dias entramos com complemento, doeu muito pra mim, porque nunca me imaginei fazendo isso, mas não suportava vê-la chorando desesperada de fome e sem uma gota de leite no peito. Até o sexto mês a amamentação foi assim. Cerca de 5-6 mamadas no peito e 2-3 mamadeiras de complemento. Pelo menos fiz questão de tentar de tudo, no meu limite, o máximo que conseguisse de amamentação, e fui até o sexto mês.

Sofri muito preconceito, muito julgamento, mas dei o meu melhor.

Quem se identifica?

Beijos,