Educação e paciência

15 de out de 2013

Antes de sermos mães, somos seres humanos e como qualquer um a gente está sempre errando e sempre tentando acertar também.

Acredito que uma das maiores provas de paciência e amor que damos aos nossos filhos é educá-los. Como é difícil! Vítor está na fase de testes, de ver até onde ele pode ir. Junto com ela veio a fase de rir das minhas broncas e claro, sempre fazer tudo o contrário do que eu falo.

Nem sei quantas vezes eu já tive vontade de falar um “se você não parar eu vou embora” ou então “vou falar pra polícia vim te pegar se você não parar agora!”. Aí junto com a vontade de dizer, o que causaria um efeito imediato no comportamento dele, me vem a lembrança de tudo que esta simples frase pode acarretar. No trauma e medo que posso passar para meu filho, simplesmente porque naquele dia minha paciência acabou. E depois que se fala uma vez, deve ser fácil falar tantas outras.

Quis escrever esse texto hoje, porque estou passando por isso bem agora. Vítor morrendo de sono, sem querer dormir e me testou de todos jeitos. Me deu vontade de chorar, de gritar, de bater e de amedrontá-lo, mas me segurei, fechei os olhos, respirei fundo e pedi paciência.

Quando parece que ela não existe mais, é quando mais peço e é quando ela mais vem. Muitas vezes eu preciso sair do quarto, me distanciar dele, pensar no que fazer, porque se eu fico lá, sei que vou explodir e sei que não será nada saudável nem para mim e nem para ele.

Foi o que aconteceu agora. Eu queria que ele dormisse, pois ele sempre dorme um pouco de manhã e assim vai bem descansado para a escola. Mas acho que hoje ele não queria dormir e foi aí que começou a nossa luta. Depois de deitar na cama com ele, ler livrinhos, cantar, contar histórias, ele começou a me bater e a achar graça quando eu falava que não podia. E quando eu ficava séria, aí que ele ria mais. Fomos para o meu quarto, mas aí foi pior ainda, porque ele começou a chorar infinitamente porque queria mexer nas minhas gavetas e eu não deixei.

Na mesma proporção que minha paciência acabava, a irritação dele aumentava. Voltamos para o quarto dele e eu percebi que tinha chegado no meu limite, que não aguentava mais. Levantei e vim para a sala. Ele me chamou duas vezes e eu não fui. Apesar dele poder levantar e vim me encontrar, ele começou a chorar e não foi um choro de birra, foi um choro de medo. Na hora eu entendi que apesar dele não estar preso lá, ele se sentiu abandonado por mim. Parece que ele tinha entendido que não era uma brincadeira.

Fui pra lá já tão arrependida de ter saído. Mas eu sei que eu precisava. Esse tempo, que não deu nem 5 minutos entre eu sair e ele chorar foi o suficiente pra eu voltar para o eixo e entender que não era assim que as coisas funcionariam. Peguei ele no colo e depois de tantos meses que ele já dorme na cama, fiquei com ele nos braços até que adormecesse. Sim, foi de culpa. Me senti culpada por perder a paciência, por ter saído do quarto e por ter causado nele o sentimento de abandono, mesmo estando bem ali do lado.

Ficamos bem agarrados e ele dormiu muito rápido. Entendi que quanto mais irritada eu fico, mais ele fica também e portanto, não adianta de nada. Percebi que minha paciência é essencial para a educação e que sem ela eu jamais conseguiria chegar a lugar nenhum. Mais do que tudo, percebi que eu preciso aprender a controlá-la, preciso não me deixar perder as “estribeiras”, porque ele vai mesmo me testar. Ele precisa conhecer seus limites, os meus limites. E quando tudo isso passar, virão outras etapas, talvez ainda mais difíceis e que terei que vencê-las, assim como esta.

Li em algum lugar uma frase que eu sempre lembro e me ajuda a controlar “não é seu filho que te tira do sério, é você que está fora de controle.”

Beijos,