[Entrevista] Luíza Diener

25 de out de 2012

Hoje a entrevista é com a Luíza, do blog Potencial Gestante. Sou mega fã do blog e ela sabe disso. Adoro a forma como ela  – e o Hilan – escrevem! Pra quem não conhece, vale a pena dar uma olhada e pra quem já sabe como é, vale a pena conferir a entrevista!

Nome: Luíza Diener

Idade: 27 anos

Nome e idade de seu filho: Benjamin, 2 anos e 2 meses

Como vc descobriu que estava grávida? Ela foi planejada?

Eu já estava tentando engravidar há pouco mais de 2 meses, mas achava que iria demorar quase 1 ano para conseguir. Fazia sessões de acupuntura para tratar os ovários policísticos (motivo pelo qual achei que fosse demorar a engravidar). Em uma das sessões, reclamei ao médico que estava sentindo-me extremamente cansada, mal humorada, com muitas espinhas. Sentia-me como se estivesse com uma TPM que nunca passava. Ele mandou um exame de sangue para fazer. Um teste de gravidez, que eu jurava que daria negativo. No mesmo dia descobri que estava grávida.

O que você sentiu quando soube da gestação?

Assim que vi o resultado do Beta HCG eu não acreditei, literalmente. Achei que poderia ser uma alteração hormonal qualquer, um falso positivo. Esperei mais de uma semana para confirmar a gravidez através de ultrassom. E lá estava ele, 8 semanas, bracinhos e perninhas, com o coração batendo a mil. Só então eu acreditei e fui contar para os amigos e parentes.
Mas claro que no mesmo dia em que fiz o exame de sangue, apesar da desconfiança, fui dormir nas nuvens com a possibilidade de estar gerando um BEBÊ!
Passei quase a gravidez inteira extasiada com a notícia. Só de pensar que de fato seria finalmente mãe, lágrimas enchiam meus olhos e às vezes rolavam compulsiva e involuntariamente pela minha face. Alegria define.

E sua gestação, como foi ? Você passou bem? Teve algum problema?

Minha gestação foi boa, não tive nenhum problema de saúde e nenhuma complicação com o bebê. Mas sentia dores muito fortes nas costelas e nas costas. Essas dores começaram perto do 6º mês de gestação e passaram imediatamente após o bebê nascer. Uma vez a dor foi tão intensa que fui parar no hospital e a médica desconfiou que o bebê poderia querer adiantar. Tomei progesterona por alguns dias até ver que era uma dor física mesmo, visto que já tinha problema de coluna antes e ela foi intensificada com o crescimento do bebê. Mas minha saúde estava perfeita, bem como a do Benjamin.

Quantos quilos você engordou? Já voltou ao normal?

Engordei quase 12 quilos: 1 kg no primeiro trimestre, 4 kg e tal no segundo e 6 kg no terceiro. Logo após o parto eu devo ter perdido uns 4 kg, mas demorei mais 4 ou 5 meses para voltar ao meu peso antes da gravidez. Claro que algumas coisas colaboraram, como a alimentação extremamente saudável que eu tive na gravidez e pós parto e os exercícios de natação e ioga durante a gravidez, que acho que me ajudaram bastante a voltar ao meu corpo anterior. Mas acredito que o fator que mais contribuiu para o retorno do peso foi a amamentação em livre demanda, sem o uso de mamadeiras, complementos, água, sucos, chás, nada para o bebê além do peito da mamãe a todo o momento que ele solicitava. Eu brincava que cada quilo que ele ganhava era um que eu perdia. Mas sou muito magra e depois vim a ter problema de baixo peso, o que me conferiu um quadro de desnutrição severa. Apesar de toda a alimentação acompanhada de nutricionista, depois eu tive dificuldades de ganhar peso para voltar ao meu peso inicial antes da gestação. Só hoje, após mais de dois anos, consegui finalmente voltar à minha forma anterior.

Teve algum cuidado especial durante a gestação, com alimentação, exercícios ou algo assim?

Sim, como já disse na resposta anterior. Uma alimentação extremamente saudável (me alimentei bem de um jeito que nunca tinha feito antes), com pouca gordura “ruim”, pouco sal e pouco açúcar refinado.  Mas ainda assim consegui comer muito doce e não passei fome, porque nunca contei caloria, mas escolhia com qualidade o que comia. Também fiz natação (normal) até o quinto mês e depois fiz ioga especializada para gestantes.

Seu parto foi normal ou cesárea? Foi você quem escolheu? Por quê?

Meu parto foi normal e sem anestesia, mas sofri uma pequena intervenção, a episiotomia. Eu escolhi o parto normal, a médica topou, mas ela optou pela episiotomia e eu me vi sem escolha lá na hora do vamos ver. Acredito que a maioria das mulheres pode e deve tentar o parto normal. Mas também acredito que a cesariana seja uma intervenção válida, caso seja realmente necessária.

Tanto que sempre que me peguntavam: “você vai fazer parto normal?” eu respondia “vou tentar”, porque a gente não tem como garantir 100% essas coisas. Por isso eu também me preparei psicologicamente caso fosse preciso passar por uma cesárea.

Você amamentou ou ainda amamenta? O que acha da amamentação?

Amamentei exclusivamente até o 6º mês do Benjamin e continuo amamentando até hoje.
Antes dos 6 meses, nada de água, suco, chá ou qualquer outra comida. O leite materno é suficiente até essa idade, mas continua sendo necessário após isso. Sou uma grande defensora da amamentação e acho que todas as mães devem tentar amamentar seus filhos pelo menos até 1 ano de idade. 2 seria o ideal. Mas entendo e respeito quem passa por situações diferentes.

Pra você, o que é ser mãe?

Não tinha uma pergunta mais fácil não? Ehehehhe!
Bem, acho que ser mãe é uma tarefa muita complexa. É muito amor, sim. Mas também é muita responsabilidade. Uma nova vida se inicia a partir da mãe. Um novo ser humano. Um novo indivíduo. Acredito que a infância da criança defina em grande parte o adulto que ela virá a ser. Claro que, como mãe, irei errar. Muito. E espero aprender com esses erros, assim como espero que meu filho também entenda que sou humana. E que tudo bem se ele errar também. Mas mesmo assim, meu esforço é diário para acertar sempre. Ser mãe é um legado que se carrega pelo fim de nossos dias, quer nossos filhos continuem perto de nós, quer não. No dia em que vi que meu filho ia nascer (eu já encontrava-me no hospital), o único pensamento que vinha à minha cabeça era: “Ele está chegando. E quando ele chegar, minha vida será outra para sempre. Para sempre eu vou ser mãe”.

Você fez o blog antes do Benjamin nascer, né? Como conseguiu dar conta depois com ele?

Sim, o blog surgiu bem antes dele nascer. Antes era fácil, eu sentia-me inspirada diaramente para escrever. Logo após ele nascer, continuou sendo fácil, visto que ele só dormia, mamava e voltava a dormir.
Mas depois ele foi crescendo, ficou mais difícil e eu precisei de mais disciplina para manter a constância no blog.
E, por incrível que pareça, hoje meu blog tem muito mais conteúdo que antes. Mas é com muito esforço e a maioria das vezes eu acabo adentrando as madrugadas para escrever um post. Cuidar de blog não é fácil não. É quase um segundo filho. Ahahahah!

O blog é feito por você e seu marido. Como vocês “dividem” as coisas relacionadas a ele e ao Benjamin?

Bem, a maior parte das coisas são feitas, criadas e discutidas enquanto ele dorme.
Outras fazem parte da nossa conversa cotidiana, do tipo “o Benjamin dormiu à tarde?”, “levou o cachorro para passear?”, ou “você vai postar hoje?”.

Mas geralmente temos uns dias reservados para ele e outros, para mim. Tentamos seguir esse esquema e, quando um quer postar fora dessa agenda, consulta outro.
E se o Benjoca está acordado, um olha o filho enquanto o outro escreve.
Também não fechamos nenhum trabalho com cliente antes de consultar o outro.

Você pretende ter mais filhos?

Sim. Mais 2. Ou 3. Ou 4. Vai saber? Ahahahaha!

Qual conselho você daria para uma gestante?

O conselho que eu sempre dou: aproveite este tempo para aprender a ouvir sua voz, seu corpo, seu bebê. Ouça sua intuição, respeite seu ritmo. Você terá uma gravidez muito mais tranquila e seu bebê também sentirá isso.
Esse tempo de conexão e conhecimento é essencial, visto que é essa a linguagem que você vai falar com seu bebê nos primeiros meses, até que ele cresça e aprenda a desenvolver sua própria linguagem.

O que você espera para o futuro dos seus filhos?

Perguntas difíceis parte II, by Mah.

Ahahhahah!

Olha, eu poderia tentar idealizar uma carreira bem sucedida, uma família amorosa ou qualquer outra coisa, mas acredito que essas coisas fogem do nosso controle de mãe.
Também poderia apelar para o clichê “quero que eles sejam felizes”, mas acho que na vida teremos momentos bons e ruins. Por isso eu espero que meus filhos (o que eu já tenho e os que ainda virão) aprendam a ser pessoas amáveis e sensatas. Que aprendam a respeitar ao próximo, mas que saibam posicionar-se diante de certas questões da vida.
Acredito que eles passarão por frustrações, então desejo que eles saibam lidar com elas e aprendam que tudo na vida é uma oportunidade para crescer. Que sejam pessoas justas e ponderadas. Que entendam que há tempo para tudo nessa vida e saibam reconhecer esse tempo, quer seja tempo de fazer algo ou somente de esperar a hora oportuna. Enfim, quero criar cidadãos. Pessoas honradas, respeitadoras.

Só espero que eu tenha capacidade para isso tudo 😉

Lu, obrigada pela entrevista. Adorei!!

Beijos,