Parto prematuro

08 de set de 2011

Oie gente! Recebi o relato de parto de uma amiga e me emocionei lendo! Espero que vocês gostem. Quem conta sua experiência é a Favi Faleiros!

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Parto prematuro

Minha vida sempre foi assim, sem saber o que seria do dia de amanhã. Conheci meu marido aos 20 anos e com 21 começamos a namorar. Namoro firme e forte por quase 7 anos até o dia do casamento. Bem antes de casar, ja começaram as mudanças: Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Balneário Camburiú, Rio (de novo), Goiânia e, enfim, o exterior. Estamos morando em West Palm Beach, FL desde fevereiro de 2010. Planos de engravidar? Na minha cabeça sempre, desde que casamos há 3 anos. Mas pensando bem, como seriam os 9 meses? Onde estaríamos morando? Era tudo tão imprevisível que eu poderia pensar em ter meu bebê em qualquer parte do mundo.

Mesmo assim, decidimos que ja estava na hora. Parei a pílula, comecei ácido fólico e o primeiro mês de tentativa foi certeiro. Engravidei em dezembro de 2010, pronta pra ser mãe. Mudei todos meus hábitos alimentares, comecei exercícios moderados e li muitas e muitas páginas de vários livros sobre gestação. Tive o famoso enjôo matinal e o temido sangramento da 8a semana, mas sem descolamento da placenta. Logo no início fomos atrás de um médico. Convenhamos que isso já é difícil no nosso país, imagina nos EUA. Mas encontramos. O Dr. Hayden era o médico perfeito, mais velho, calmo, explicava tudo tintim por tintim. Fiz o pré-natal com muita tranquilidade, viajei pro Brasil duas vezes, repeti todos os exames na minha cidade, tudo pra certificar de que eu e o Gustavo estávamos bem. Com sogro obstetra, sempre tirei todas as minhas dúvidas e nunca dormi receosa com nada.

Tudo corria bem, não tinha engordado muito (10 kg até aquele momento) e fui para uma consulta de rotina na 32a semana. A primeira coisa que meu médico disse: “You look great!” Agradeci e fomos pra checagem de sempre. Mas por incrível que pareça, naquele dia eu só parecia ótima por fora. Minha pressão estava 150×100!! O teste de proteína na urina deu negativo e não havia inchaço, mas fomos pra casa com um medidor de pressão nas mãos e consulta marcada pra dali uma semana. Meu marido checava minha pressão 5 vezes por dia, e tudo indicava que ela não iria abaixar. Na 33a voltei ao consultório. Pressão 160×100, proteina na urina 3+. Não tinha outra opção, fui internada imediatamente com diagnostico de pré-eclâmpsia. Começou o pesadelo. Fiquei ligada ao monitor 24hs, exames que não acabavam mais, tomei esteróides pro pulmão do Gustavo amadurecer, mas sempre com o pensamento positivo e com a certeza de que receberia alta e ficaria em casa de repouso até que a gravidez chegasse à termo. Fiz a tão temida aminiosentese. Imagina enfiar uma agulha na barriga e retirar liquido amniotico? Eu não imaginava isso acontecendo comigo. O exame mostrou que o Gustavo estava maduro e a ultrassonografia mostrou que o liquido estava diminuindo, a placenta não estava funcionando bem e que meu bebê estava perdendo peso. Foram 5 dias de angústia, os exames mostravam piora e meu médico ja falava em indução do parto. Mas como assim??? Eu estava com 33 semanas ainda!

A última noite antes do parto foi umas das piores da minha vida. Tive uma dor de cabeça fortíssima, minha taxa de plaquetas foi à 88 (o mínimo era 150) e minha pressão oscilava ente 170×100 e 180×110. Tive sensação de que iria morrer a qualquer instante, chorava copiosamente e só pensava: meu bebê não está pronto. O que eu poderia fazer se meu organismo não iria dar condições para ele ficar pronto dentro de mim? Rezar pra que ele estivesse em boas condições aqui fora. Não restava outra opção pra mim a não ser uma cesariana de emergência, de mãos dadas com meu marido, tremendo igual vara verde e pressão 200×110.

Foi assim que no dia 26 de julho de 2011, com 33 semanas e 5 dias de gestação, meu filho veio ao mundo pesando 1,590kg e medindo 42cm. Pequeno??? Sim. Magro??? Também. Mas com uma saúde que impressionou médicos e enfermeiras. Não precisou de respirador, não teve icterícia (comum em prematuros) e foi pro berço aberto no segundo dia, ou seja, ja regulava a temperatura corporal sozinho. Ele não conseguia sugar e teve que ser alimentado com tubo na primeira semana, mas sempre com o meu leite, porque apesar de todos os perrengues me incentivaram a tirar colostro e leite com uma bomba elétrica desde o primeiro dia. Foram duas semanas na NICU (UTI neonatal). A nossa vida parou e parecíamos estar vivendo em outro plano. Meu marido não conseguia trabalhar e eu praticamente me mudei pro hospital. Eu fazia tudo: alimentava, trocava fraldas, ninava e fazia o kangaroo care (colocava ele em contato direto no peito por longas horas) e ele foi ganhando peso. Veio pra casa antes do previsto e com uma saúde de ferro.

Hoje, dia 8 de setembro, seria o “due date”, ou seja, a data prevista para o parto, mas o Gustavo já esta com 1 mês e quase 2 semanas. Fofo, bochechudo e cheio de manias. Nos faz rir e chorar de felicidade e explodir de tanto orgulho. Posso dizer que a experiência foi terrível, mas ver a carinha do meu bebê todos os dias apagam todas as tristes recordações.

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Lindo demais tudo que ela escreveu, né? E graças a Deus que está tudo bem com ela e com o Guti (apelido carinhoso do Gustavo)!

Beijos