[leitor] Relato de Parto Normal

22 de set de 2011

Oie meninas!!!

Hoje tem relato do parto normal da Fer, do Março de 84.

Março de 84

Dia 20 de julho: Amanheceu um dia clássico de inverno aqui no Sul. Muita chuva e frio. O dia se passou tranquilamente como os outros dias haviam passado.O único fato diferente era que naquele dia eu iria participar da oração feita nas quartas-feiras aqui na casa da minha mãe. Onde alguns membros da igreja que ela frequenta vem e oram e cantam hinos à Deus. Decidi nesse dia ficar e fazer uma oração pela minha filha.

Pediram que eu escolhesse um hino pela minha filha. Não conhecia todos eles e aleatoriamente escolhi o n° 22.Onde dizia para minha alma ficar em paz. E assim aconteceu, a paz tomou conta de mim naquela noite.
Terminada as orações e os cânticos, fui para meu quarto esperar meu marido chegar.
Por volta das 11 horas da noite nós já estavamos deitados, assistindo um seriado e comendo chocolate debaixo das cobertas. Me sentia muito bem, estavamos em sintonia um com outro como há tempos não acontecia. Deitada em seus braços,tendo pensamentos dispersos e solitários. O sono veio de mansinho. Decidi dormir.
Às 11:45pm deitei na cama para dormir e senti um estouro. Logo em seguida começou a jorrar água pela cama. Minha bolsa havia estourado.
Num misto de alegria e nervosismo levantei de sobressalto da cama. Minhas pernas tremiam, minha boca sorria sem parar. Tinha chegado a hora, tinha chegado nossa hora!
Meu quarto estava com o chão totalmente encharcado e meu marido perdido sem saber o que fazer.Acordei minha mãe para ajudar a arrumar algumas coisas para eu levar para a maternidade, pois a minha mala não estava pronta. Coloquei algumas roupas e fomos de taxi para o hospital.
A água da bolsa não parava de sair. Entrei no táxi e sentei sobre uma toalha.Sentia o líquido amniótico saindo e nao tinha nada que pudesse fazer para parar.Durante todo o percurso não conseguia falar,nem me mexer. Não sentia dor, não sentia nem meu corpo. Só respirava profundamente e orava baixinho. O meu marido segurava minha mão e podia ver nos seus olhos o nervosismo,mas não deixei me levar por isso. Precisava manter a calma e mantive até chegar a sala de pré parto.
Fui examinada pelo médico plantonista que constatou que eu estava com 2 cm de dilatação. O que me deixou preocupada, pois era pouco ainda.Faltavam mais 8 cm para que a Gabi pudesse nascer. E quanto tempo isso levaria que me preocupava. Mas tentei manter a calma para que tudo ocorresse o mais naturalmente possível.
Pediram para que eu vestisse o avental e chamaram meu marido, para dizer que iria ficar internada e explicar os procedimentos para a minha internação. E se despediu de mim e quando aquela porta se fechou e eu fiquei lá sentada foi como uma despedida de um casal comum para o nascimento também de um pai e de uma mãe.
Me levaram para outra sala onde eram feitos os procedimentos pré parto. Tomei um banho quente e demorado, tentando ao máximo relaxar. Fui colocada em uma maca onde pedi para que permanecesse sentada nela. Não queria me deitar, pois as dores tinham começado. Fracas e com um ritmo baixo.Depois de uma hora e meia me colocaram na ocitocina,que é um soro que aumenta as contrações e as dores também… Em alguns momentos pensei que não fosse aguentar, ou que nunca iria acabar. Por vezes pedi analgesia, que não veio. Por vezes pedi ajuda. O tempo passava e eu não sentia, parecia que estava ali por muitas horas.
Quando a médica veio medir a dilatação eu já estava com 6 cm. Me senti mais aliviada, pois estava acabando. A Gabi estava chegando e nisso que foquei para saber que a dor que estava sentindo seria recompensada pela chegada dela.
Nesse meio tempo até a ida para a sala de parto parece que entrei em transe, pois não me recordo de muita coisa, somente alguns flashes.Fui caminhando para lá e parando no caminho quando tinha alguma contração. Chegando lá eu deitei na maca onde comecei a fazer força, nisso olhei para o lado e vi meu marido sentado me dando todo o apoio que ele poderia me dar naquele momento tão especial para nós dois. Lembro de ter umas quatro ou cinco pessoas envolta de mim, pedindo para eu fazer força e alguém segurava minha cabeça. Acho que passaram-se uns 15 minutos e pude ouvir o som mais lindo e mais tranquilizador, o choro da Gabi. Colocaram ela em cima de mim e o tempo parou. Já não existia mais dor, nem sofrimento. Era uma sensação nova, sem ter como explicar. Como se os movimentos todos estivessem em câmera lenta. A minha filha ali em cima do meu peito e eu sentindo seu perfume. O melhor cheiro que senti na vida.Aquele momento poderia ser eterno. Ainda agora escrevendo e relembrando me emociono. Não há explicação sobre o sentido da palavra mãe.
Hoje ela está com 2 meses e posso dizer que sou completa. Que daria minha vida pra essa menininha que veio salvar minha vida.

Lindo, né? Cheio de emoção!!!

Beijos