[Leitora] No céu existe uma estrelinha

06 de nov de 2012


Nome: Gabriela Medeiros

Tudo começou no final de 2010, quando meu marido e eu decidimos que seria uma boa hora de termos nosso primeiro filho. Parei com a pílula em outubro do mesmo ano e iniciamos as tentativas. No final de fevereiro de 2011, quando tive a certeza que ainda não estava grávida, decidi procurar um médico. Na época foi detectado um probleminha na entrada do útero, onde tive que tratar. Durante o período do tratamento, paramos com as tentativas (pedido feito pela GO). Porém, ela nos falou que deveríamos dar início a preparação de uma futura gravidez, foi ai que conheci a chamada gravidez de 12 meses.

Comecei então a fazer caminhadas diariamente, comecei o uso do ácido fólico e ter uma alimentação mais saudável e segui sonhando com o dia de mãe. Em meados de agosto do mesmo ano, recebi o diagnóstico que estava tudo ótimo comigo e que estava finalmente livre para as tentativas, mas em conversa com a GO, achamos por bem saber se estava tudo bem com o maridão. Baterias de exames feitos (inclusive espermograma), finalmente estávamos prontos pra iniciarmos as tentativas.Esperei mais um pouco e durante o revéion de 2011/12, fiz vários pedidos enquanto os fogos estouravam no céu, e o mais importante deles era a concretização de uma família saudável e feliz.

Pois bem. Viajamos logo em seguida para 15 dias de merecidas férias e começamos finalmente a “produção” do nosso bebê. Minha menstruação nunca foi de atrasar, pelo contrário, meu ciclo sempre foi de 28 dias, ou seja, sempre chegava 2 dias antes da data da última menstruação e os famosos “sintomas” femininos, eu já começava a sentir uma semana antes. Como a data se aproximava e eu nada sentia, resolvi ir até a farmácia e comprar um teste e fazer, a ansiedade tomava conta de mim.

Fiz o teste e apareceram duas linhas, porém uma bem fraquinha o que me deixou em dúvida, esperei 3 dias de atraso e refiz o teste e as linhas apareceram mais nítidas, fiz então o exame de sangue e sem dúvida alguma, eu estava grávida. Foi uma alegria imensa, era um choro misturado com risada e gargalhadas, não consegui acreditar. Isso aconteceu exatamente dia 01/02/12, meu marido faz aniversário dia 12/02, então decidi guardar segredo e dar de presente pra ele essa notícia maravilhosa,foi muuuuuuuito difícil, guardar esse segredo, mas consegui.

Preparei uma festa surpresa para ele e chamei toda família e alguns amigos, com a desculpa de um aniversário surpresa (só pra constar, ninguém sabia que estávamos tentando engravidar)  e depois do parabéns à você, entrego para ele uma caixa que falei que era seu presente, nela continha: o exame de gravidez, um par de sapatinhos de lã e uma camiseta com a foto dele,com a seguinte frase – papai do ano. A intenção era ler também uma linda mensagem,mas a emoção não me permitiu. Daí pra frente, continuei com as caminhadas, alimentação saudável e o ácido fólico, estava indo tudo bem até aquela manhã que eu queria esquecer.

 

Era dia 25 de maio e durante o começo da manhã senti uma vontade de fazer xixi, mas relutei e fiquei um pouco mais na cama, quando não aguentava mais decidi levantar e ir ao banheiro. Assim que coloquei os pés no chão senti uma forte dor na barriga e senti ela dura. Fiz xixi e quando olhei pro papel, vi rastro de sangue. A principio não me apavorei, voltei pra cama e esperei uns minutos, as dores aumentaram e o sangramento também. Aí o desespero tomou conta de mim, liguei imediatamente para minha GO, que pediu para eu ir até seu consultório imediatamente, chegando lá, ela constatou que estava tendo contrações e começou a fazer uma ultra.

O bebê estava super bem, com batimentos e movimentos normais, mas como havia tido sangramento ela achou por bem fazermos um exame de toque. Foi quando ela suspirou bem profundo e me disse: – Vamos, sente ali para conversarmos.

Vi naquele instante que algo acontecia. Ela me explicou que minha bolsa já estava no canal vaginal, que meu útero havia se dilatado e que a bolsa desceu até o canal e iria a partir daquele momento me colocar em repouso absoluto para evitar que a mesma se rompesse. A ideia era permanecer em repouso, evitando o máximo de tempo o rompimento da bolsa, para que o bebê continuasse a crescer e atingisse pelo menos a 26ª semana, onde seria mais “fácil” ele sobreviver.

Eu tinha acabado de completar 21 semanas. Ao chegar no hospital para o internamento, ao sair da cadeira de rodas, a bolsa estorou. Sai totalmente do rumo naquele instante. Foi muito difícil saber que seu filho provavelmente  não viveria. Mas sentia ela mexer (era uma menina) a todo instante. Algum tempo depois as contrações passaram e não consegui sentir mexer mais. Aplicaram em mim soro com citocina. Pouco tempo depois minha filha nasceu, porém nasceu morta. Media 28cm e 480g. Estava toda formadinha e bem grandinha. O desespero tomou conta de mim. Os meus sonhos tinham acabado e aquele bebê tão esperado e amado, agora seria so uma lembrança. Meu diagnostico foi I.I.C.(Incompetência Istmo Cervical).

Hoje me encontro mais uma vez grávida, precisamente de 7 semanas, devido o meu problema terei que passar por um procedimento cirúrgico (cerclagem), daqui a algumas semanas. A dor de perder um bebê é muito grande. Enquanto existem pessoas que não querem gerar uma vida e acaba tendo vários filhos, eu , por minha vez, queria muito aquele bebê e não consegui. Vai entender, né? So Deus mesmo tem esta resposta.

Ainda tenho sonhos com minha bebê, no começo foi bem difícil, hoje a dor esta digamos, “camuflada”, até porque agora voltei a sorrir, tristeza deu a vez a felicidade.Carrego dentro de mim, uma nova vida. Peço todos os dias a Deus, que olhe por nós e que desta vez der tudo certo.

Jamais esquecerei minha filhinha, sempre faltará alguém na minha família, mas procuro nesse momento, não pensar muito nisso, pois não quero que  o bebê que carrego sinta este tipo de sentimento. Quando o irmãozinho(a) dela nascer saberá que no céu existe uma estrelinha, olhando por nós e lá de cima iluminará sempre nossa vidas.

Beijos,