[Leitora] Relato de amamentação

24 de abr de 2013

Este relato de amamentação foi escrito pela Mariana Prata.

Sempre sonhei ser mãe! Mais do que casar, mais do que me formar, queria ser MÃE.

Engravidei e foi uma grande alegria depois de 1 ano e 7 meses de espera e um diagnóstico de infertilidade… muita reza, muito choro e muitos negativos.

Finalmente meu positivo… Planejei tudo: quartinho, parto, roupinhas, pediatra…

Amamentação? Nem pensei nisso… Afinal, para mim, amamentar era instintivo. Coloca o bebê ali e pronto! Tudo acontece…

Meu obstetra orientou escovinha nos mamilos e pomadinha preventiva, sol se possível e só!

Não fui amamentada. Minha mãe teve rachaduras nos seios e com 7 dias desistiu. Mas eu achava que era lenda essa coisa de os seios racharem…

Enfim… minha bebê nasceu com 35 semanas de Parto normal, com 2,480kg e 45cm. Foi para UTI com desconforto respiratório e foi detectada uma infecção neonatal. Ela nasceu as 22:41 e eu só pude vê-la no dia seguinte as 16:00, pois era esse o horário de visitas… Fiquei arrasada, não foi assim que imaginei. Cheguei na UTI ela estava com oxigênio, sonda e um cateter no umbigo. O pediatra me explicou que ela respirava bem mas a oxigenação caía. Estava de dieta zero pois a infecção fazia com que ela vomitasse. Depois de 10 minutos, me mandaram pro quarto. Simples assim. Sem mais explicações, lenga-lenga, colo, carícias, nada…

Leite? Que leite? Não sentia nada. Ninguém conversou comigo ou me explicou sobre ordenha ou estimulação das mamas. Todos os dias as visitas eram assim, por 10 min. Passava o dia todo nervosa e sem notícias.

No dia da alta, o pediatra me disse: se você conseguir trazer seu leite, a gente dá pra ela pela sonda. Aí começou meu pânico. Eu precisava ter leite. Precisava.

Fui pra casa, e com uma bombinha tipo buzina, fazia a estimulação. Seguindo meus instintos, massageava e pensava na minha pequena. Depois de 2 dias, o leite jorrava. Muito leite. Levava tudo para o Hospital. No oitavo dia de internação, peguei o pediatra folguista. Foi o mais atencioso. Conversou comigo e permitiu que eu tentasse amamentar no dia seguinte. Ele perguntou o horário que eu poderia ir e eu disse: eu que pergunto, que horário posso vir. E ele me autorizou ficar das 7h as 21h. Cheguei as 7 do dia seguinte, me chamaram… Que emoção. Quando peguei ela nos braços, vi que não sabia nada. Como começar, como segurar, o que fazer. Ninguém para me ajudar. A pequena era guerreira, e queria muito meu leitinho. Pegou divinamente e com toda força… mamou… até encher a barriguinha.

E assim foi por mais 2 dias. Entre uma mamada e outra, eu aguardava na recepção. Cadeira dura, sem ter o que comer, pois a lanchonete do hospital só tinha refrigerantes e salgadinhos.

Algumas vezes cheguei para amamentar e ela não pegou. Tinha chorado antes do horário determinado e eles deram uma mamadeira. Que revolta! Enquanto alguém dava uma mamadeira pra ela, eu esperava na recepção.

Ela teve alta e eu amamentei exclusivamente até os 6 meses. Continuei amamentando, sempre em livre demanda. Ela chorava, colocava no peito. Sempre. Quando eu queria, quando ela queria… curava manha, dor de vacina ou dor de colo!

Quando ela fez 4 meses, tive que voltar ao trabalho. Ela não aceitou o copinho e a babá introduziu a mamadeira. Assim foi até os 9 meses quando meu bico do seio começou a machucar.

Surgiu uma bolha. Consultei 6 genicologistas e nenhum sabia o que dizer. Passei tudo que me indicaram. E, sofri. Muita dor. Até que um ponto se tornou insuportável. Consultei um mastologista. O diagnóstico: deformação anatômica do ducto mamário, só resolve quando parar de amamentar.

Desmamei, a bolha sarou. Nunca me perdoei por esse desmame. A bebê encarou numa boa, afinal já estava adaptada a mamadeira. Mas eu? Chorei, sofri….

Depois de 1 ano, engravidei novamente. Estudei, li muito… me informei o máximo que pude. Não queria que a história repetisse.

Não preparei o seio para a amamentação. Não passei nada. Preparei o meu psicológico. Eu posso, eu consigo.

Ela nasceu! As 23:20 de Parto Natural com 2,790kg e 47cm. Linda, saudável. E foi levada para o berçário. Como assim? Passei a madrugada toda indo até o berçário e insistindo com as enfermeiras pra que trouxessem ela para mamar. O que aconteceu somente as 6:30…

Como a irmã, pegou muito bem o peito. Mamou, mamou, mamou.

Com 20 dias, aparece uma bolha. A mesma. No mesmo lugar. Me desesperei. Uma amiga me indicou o AMS e eu entrei para o grupo. Fui a uma reunião e conheci a Grasielly e a Simone. Me apaixonei! Por elas, pelo grupo, pela amamentação.

O diagnóstico? A pega. Tenho a auréola curta e isso dificultava. Tem que abrir mais a boca, corrige aqui, arruma ali. Problema resolvido! Bebê gordinha e mamãe muito feliz!!!!

Até quando pretendo amamentar? Por quê? Sou eu quem decide? Não, não! Quem decide é ela! Minha bebê!!!

Quer ver sua história aqui? Mande e-mail para mah@vidadegestante.com.br

Beijos,