[Leitora] Todo cuidado é pouco

10 de ago de 2012

Leitora: Luana Siqueira

Fui criada cercada de cuidados, minha mãe via e ainda vê perigo em tudo e sempre nos alertou. Poderíamos – meu irmão e eu – estar brincando da coisa mais boba, que ela sempre via uma maneira de nos machucarmos, nos entalarmos, e todos os outros tipos de ‘armos’ possíveis.

Para o meu irmão, entrava por um ouvido e saía por outro e até hoje é assim, para mim ficou aquela sementinha do “cuidado com isso, cuidado com aquilo” e também a vontade de ser diferente para o meu filho. Agora eu observo tudo, analiso a situação e vejo se devo me preocupar ou não, e quando ele crescer, vai ser assim, sem neuras ou excessos.

O Pedro está há praticamente 1 semana de completar 7 meses, é saudável, inteligente, risonho, tem cara de arteiro, observa cada detalhe das coisas, quer pegar tudo, tudo mesmo, gelado ou quente, áspero ou liso, ele pega em tudo, levanta as sobrancelhas, faz uma cara engraçada e se gosta coloca na boca, se não gosta joga no chão.

Por conta dessa fase eu estou ainda mais atenta aos perigos, porque como sabemos, além deles não terem muita noção, os principais acidentes acontecem em casa, e eu que consigo me antecipar a tudo, vi minha terça-feira, que era para ter sido mais um dia comum, se tornar em um chororô sem fim, com direito a muita culpa.

Estávamos nos arrumando para sair e o marido teve a ideia de tomar banho com o bebê, e eu que geralmente reclamo e não deixo, por medo dele escorregar ou alguma coisa do tipo, respondi de primeira: “Claro, toma sim amor, ele vai curtir”. Nesse meio tempo, estava com a piastra – prancha, chapinha – em cima da pia do banheiro esquentando e ela estava ali há tanto tempo que achei até que estava desligada, mas mesmo assim, pedi para o meu marido tomar cuidado com ela.

Assim que o banho terminou eu peguei o bebê e comecei a secá-lo sentadinha na tampa no vaso e quando fomos sair do banheiro, ele fez xixi, o que me fez voltar, só que quando eu sentei de novo, ele chorou e lembrei do treco quente em cima da pia e na mesma hora comecei a gritar que ele tinha se queimado. Como o meu marido é técnico em segurança do trabalho e também faz vários cursos de primeiros socorros, colocamos a mão dele em baixo d’agua e nesse meio tempo liguei para o pediatra, que receitou tylenol e uma pomada para aplicarmos 4 vezes ao dia, mas o que rolou nesse meio tempo é que não sai da minha cabeça, que é meu filho chorando, chorando sem parar, berrando, esperneando de dor, porque ele conseguiu passar a mão inteira na piastra, ele queimou todos os dedos daquela mãozinha linda, gordinha e minúscula e está com bolhas enormes nos dedos.

Meu desespero só aumentava quando eu pensava em como íamos fazer para aquela dor passar, para cuidar da mão queimada de um bebê que vive pegando tudo e vive com ela na boca, além é claro, da culpa sem fim de ter deixado a piastra em cima da pia, de não ter lembrado de desligar, de não ter segurado as mãos dele com mais força, de não ter saído logo de cara com ele do banheiro, de não isso, de não aquilo, de não tudo. Culpa, culpa, culpa.

Naquele dia eu pedi com todas as forças que aquela dor fosse em mim e não nele, e desejei mais que tudo ter super poderes.

O relato ficou grande, mas o alerta é simples: Pesquisas apontam que  a maioria dos acidentes acontecem em casa. Mantenham remédios, produtos de limpeza e objetos cortantes e que possam perfurar, longe do alcance das crianças. Informem-se sobre primeiros socorros em casos de queimaduras, engasgos, cortes, sufocamentos e outras coisas que podem, infelizmente, acontecer dentro da nossa própria casa.

Hoje existem várias coisas que podem nos ajudar a tornar a casa mais segura, como travas, suportes e tudo mais que precisarem para manter seus bebês seguro. Vejam perigo em tudo sim, se antecipem aos acontecimentos, mas tentem não passar isso com exagero aos seus pequenos.

Se tiverem babás ou ajudantes que fiquem sozinhas com o bebê, tentem escolher as que tem noções básicas de primeiros socorros e deixem a vista telefones do pediatra e emergência.

Uma dica bacana, para quem tem animais de estimação, é terem cuidado, porque por mais bonzinho que seja seu bichinho, ele tem dias de mau humor e pode reagir mal as brincadeiras ou puxões do bebê. Fiquem sempre por perto e atentos.

É muito importante lembrar que para qualquer situação, é importante manter a calma!

Espero que o que aconteceu com o meu filho e esse relato, contribuam de alguma forma para que outros bebês não passem pela mesma coisa.

Obrigada Mah pela oportunidade de compartilhar.

Beijos com carinho a todas,

Luana