[Leitora] Verdades Absolutas

22 de jan de 2013

A Gabriela, leitora do blog, me enviou este texto e me perguntou se eu poderia publicar, pois andava chateada com algumas coisas que andava vendo na blogosfera materna. Como sempre defendi que este espaço não era só meu, aceitei e gostaria de saber a opinião de vocês sobre o assunto também!!

Antes de mais nada, explico que a ideia deste post surgiu como uma forma de desabafar, e depois de escrever cheguei à conclusão de que para ser coerente com tudo que aqui está escrito, era preciso que o conteúdo fosse devidamente publicado, antes mesmo de finalizar já tinha em mente que a pessoa certa para publicar seria a Mah. Explico, dos muitos blogs que acompanho, admiro muitíssimo o trabalho dela, por justamente mostrar os dois lados da maternidade, confessar seus medos, anseios, inseguranças, conquistas, e não só o lado cor de rosa, que todas já sabemos bem como é! Além de todas estas razões aprecio muito seu jeito honesto e verdadeiro de compartilhar conosco o cotidiano de uma mãe.
Se existe algo revolucionário em ser mãe nos tempos de hoje, é poder contar com o troca troca constante entre mamães das experiências de cada uma por meio de seus blogs e grupos de discussão.
É incrível como essa nova ferramenta pode nos ser útil, é possível pesquisar diferentes opiniões, estudar sobre um determinado assunto, conversar com outras mamães na mesma situação, acompanhar o desenvolvimento dos filhos das nossas amigas virtuais e até mesmo chegar a conhecê-las em encontros promovidos pelos blogs/grupos.
Porém existe algo nisso tudo que tem me incomodado há algum tempo, e culminou com um acontecimento que me fez refletir sobre como estamos afastando e muitas vezes excluindo outras mães de fazer parte desse mundo gostoso que é a informação, a troca de experiências.
Quem acompanha a blogsfera materna sabe contar perfeitamente quais são as práticas que vão te tornar a melhor mãe do mundo, certo?
Começa com o tipo de parto, se houve analgesia, e quando você, por qualquer razão que seja, não se encaixa no modelo entendido como “perfeito” você é considerada uma mãe pela metade!
Depois é possível acessar verdadeiros dossiês sobre amamentação, alimentação, comportamento, educação, e por aí vai a longa a lista de “verdades absolutas” e muitas vezes cegas, que deixam de considerar cada um como um indivíduo único e particular, que tem suas razões, problemas, medos, inseguranças, anseios, enfim, tudo isso que estou citando é pra falar sobre como é perigoso achar que um determinado modelo serve em todo mundo.
Cada mãe tem sua história familiar, que se une à historia familiar do pai da criança e aí reside a beleza da vida, somos seres diferentes.
Desde a gravidez percebi que tinha quem levasse suas opiniões à ferro e fogo, se ela fez assim, porquê você não haveria de fazer?
E aí percebo que existe uma grande competição de egos, quem está certa e quem está errada, e mais, talvez algumas pessoas nem tenham a coragem de trazer à tona suas dificuldades, com medo da reação das mais extremistas. Mas o pior mesmo é quando algumas mães se sentem acuadas por não se encaixarem no padrão desejado/idealizado, e acabam sendo excluídas desta experiência que tem tudo para ser uma ferramenta usada à nosso favor, mas ao invés disso, criamos grupos/panelinha e ofendemos (muitas vezes), sem saber o que aquela pessoa passou.
Será que é possível saber o que é certo e errado na maternidade? Alguém conhece todas as variáveis presentes naquela família? Alguém esteve lá acompanhando cada passo daquela pessoa que a fez chegar àquela situação? Não! Evidente, só podemos saber de nós mesmas, cada um sabe o que passou, o que passa, não dá pra ter a menor ideia do que é a realidade da outra pessoa, como foi sua infância, sua adolescência, seus traumas, como é seu histórico familiar, seu casamento, ou seu namoro, ou sua solidão, percebem?
Há muitas nuances que precisam ser levadas em conta, é por isso que não devemos julgar.
É muito fácil escrever que você não concorda com X, Y, Z, mas já parou pra pensar o peso que podemos estar colocando sobre os ombros de uma pessoa que já se sente muito mal com algo que para você pode ter sido natural, mas para outra pessoa pode ser uma ferida, por exemplo?
Já vi quem escrevesse que não entende como mães conseguem não ter determinada conduta, oras, já pensou que não existe só você no mundo, e muito menos só a sua verdade?
E que tal ao invés de apontar o dedo, podemos ser sermos solidárias com a dor da outra, ou respeitosas com a opinião de cada uma?
Desde a minha pouca experiência com a maternidade (minha filha está para completar 6 meses) pude perceber que certas verdades não se aplicavam a ela, à nós, à minha família.
A única opinião que pode trazer um benefício é aquela que considera as peculiaridades, os detalhes daquela situação.
Então quando escrevemos para um grande público, uma forma de não afastar as pessoas, seria evitar os extremismos, evitar proferir que só o que você faz é verdade, é bom, é o melhor.
Toda mãe dá o melhor de si, faz o melhor que ela pode, e quem somos nós pra dizer que não?

Beijos,