O dia que eu pensei que fosse morrer

24 de abr de 2015

Era um dia como qualquer outro, eu estava sozinha em casa com as crianças e tudo corria super bem. Estávamos brincando na sala de montar castelos e ler. Logo seria hora de começar a rotina noturna, com banho, janta e tudo mais.

Comecei a perceber que eu estava com um incômodo no peito, uma dorzinha bem fraquinha, mas não me importei muito. Depois de um tempinho – tipo uns 20 minutos – essa dor começou a aumentar e logo ficou bem forte. Tão forte que não estava conseguindo mais me mexer direito e deitei no tapete da sala. Era uma dor no peito, do lado esquerdo e subia até o ombro e um pouco no braço.

Eu nunca me preocupei muito com dores que eu sinto, mas dessa vez comecei a me preocupar. Embora eu soubesse que, por exemplo, se fosse um infarto, seria fulminante e eu não ficaria sentindo dor (porque em pessoa jovens o infarto é de uma vez!) comecei a pensar “e se comigo for diferente e eu estiver sendo a exceção da regra?”.

Enquanto estava ali, deitada com as crianças fiquei pensando o que aconteceria se fosse realmente algo sério. Como seria a vida deles sem mim? Olhei pra Mariah, a enchi de beijos e pensei que, se eu morresse com eles ainda pequenos, ela nem teria recordação de mim, já que é tão nova. O Vítor poderia até ser que tivesse alguma lembrança. E apesar de desejar que eles ficassem bem, me doeu pensar nisso. É meio dramático, mas fiquei imaginando eles, anos depois, vendo meus vídeos, olhando minhas fotos e não se lembrarem de como a mãe era.

Vítor e Mariah estavam literalmente em cima de mim e eu tentei explicar pro Vítor que não estava muito legal, que estava com dor e ele respondeu “eu quero bater na dor!”. Eu também queria, mas naquele momento não sabia o que fazer. Resolvi ligar pro meu marido e contar o que estava acontecendo, porque vai que eu desmaiasse ou algo do tipo.

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Ele veio pra casa depressa e nem eu, nem ele estávamos entendendo o que era aquela dor. Eu achei que não tinha necessidade de ir pro hospital (e isso daria uma trabalheira danada, já que não tinha quem ficasse com as crianças) e fiquei deitada quietinha na minha cama. Depois levantei e fui tomar banho.

A dor foi melhorando aos poucos até que ficou bem fraquinha de novo. Ainda está dolorido (isso tudo foi ontem!), mas acredito que possa ter sido só um mal estar mesmo! Eu nunca tinha ficado com medo de morrer, mas como sou cardiopata, pela primeira vez me vi desesperada com a possibilidade de não ver meus filhos crescerem.

Claro que, prefiro mil vezes eu ter alguma coisa do que eles, mas percebi o quanto ficamos mais medrosas depois dos filhos. Eu não costumava temer a minha morte como agora e nem teria ficado tão preocupada se fosse em outros tempos. No fim, tirei a lição de nunca esquecer aproveitar os pequenos momentos, pois nunca sabemos como será o dia de amanhã, né?

Beijos,