O que é síndrome de alergia oral?

14 de maio de 2013

A síndrome de alergia oral é caracterizada por sintomas alérgicos que se restringem à mucosa oral. Em situações em que as manifestações são decorrentes da ingestão de frutas e vegetais em indivíduos alérgicos ao pólen, o termo mais específico é síndrome pólen-frutas.

Mas qual é a causa?

Esta síndrome decorre de uma sensibilização inalatória prévia a pólens (contato repetido com pólens por meio das vias aéreas) com subsequentes sintomas restritos à cavidade oral, por ocasião da ingestão de frutas e vegetais frescos. A semelhança entre algumas proteínas presentes em pólens, frutas e vegetais faz com que a presença da mesma proteína em diferentes fontes desencadeie os mesmos sintomas alérgicos. Ou seja, o organismo que inicialmente tornou-se “alérgico” as proteínas do pólen “observa” a presença de proteínas semelhantes em frutas e vegetais e “ataca” os mesmo, desencadeando os sintomas. É a chamada “reação cruzada”.

Caracteristicamente o alimento envolvido é fonte de alérgeno apenas quando fresco e cru, pois as proteínas envolvidas usualmente são termolábeis (se quebram quando os alimentos são cozidos ou processados).

E quais são os sintomas?

Os sintomas ocorrem em geral logo que a fruta ou vegetal entra em contato com a mucosa oral e são restritos a este local. São eles: coceira, incômodo, queimação dos lábios e da língua, inchaço e vermelhidão labial e perioral. Sintomas mais graves são raros.

 

Quais são os principais alimentos envolvidos?

 

Alimentos

Maçã, pêra, laranja, melancia, melão, pêssego, frutas de caroço (cereja, ameixa, abricó), Kiwi

Batata, cenoura, pepino, salsão, tomate, aipo, abóbora, abobrinha, erva-doce

Avelã, nozes

Algumas especiarias

 

Como é feito o diagnóstico?

Como toda alergia alimentar o diagnóstico é feito, principalmente, com as informações trazidas pelos pais durante a consulta. Para o médico é importante o conhecimento dos alimentos que causam os sintomas, com que frequência eles ocorrem, qual a gravidade e a região onde a criança mora (por causa da associação com o pólen, lembram?).

Para avaliar a sensibilização alérgica, tanto o teste cutâneo, chamado prick-test, como testes sanguíneos (que avaliam a presença de anticorpos específicos contra as frutas e legumes em questão) são úteis, quando interpretados cuidadosamente.

Devemos sempre lembrar que os exames podem apresentar resultado normal, mesmo na presença de um quadro clínico típico. Desta maneira, podemos utilizar o chamado teste de provocação oral, onde oferecemos para criança, em ambiente adequado e sob supervisão médica (sempre), o alimento suspeito e observamos a manifestação dos sintomas relatados.

Como é feito o tratamento?

A restrição dos alimentos que provocam os sintomas é o tratamento indicado. A instabilidade das proteínas permite que o paciente ingira os alimentos cozidos ou processados sem apresentar reações. Cerca de um terço dos pacientes adquire tolerância ao alimento após cerca de dois anos de dieta de restrição rigorosa, passando a ingeri-lo, novamente, sem nenhum problema.
Fontes: Artigo médico: Síndrome de Alergia Oral e arquivo pessoal.

 

Importante: Segundo o Conselho Regional de Medicina (CRM), a informação médica via Internet pode complementar, mas nunca substituir a relação pessoal entre o paciente e o médico. Pelas suas limitações, não deve ser instrumento para consultas médicas, diagnóstico clínico, prescrição de medicamentos ou tratamento de doenças e problemas de saúde.

Artigo escrito por: Dra.Camila Mendes Macca – CRM-SP 130.002 – especialista em Alergia e Imunologia. Para entrar em contato com ela, clique aqui e acesse seu site ou pela sua fanpage Clínica de Pediatria Primeiro Passos.

Beijos,