O que eu gostaria de dizer para uma grávida

30 de jun de 2014

Na verdade não sei bem por onde começar a falar. São tantas coisas que eu gostaria de te dizer, que parece que não vou conseguir organizar as ideias. Além do que, não quero que você pense que eu sou uma pessoa chata, que pensa que entende tudo de gestação e parto.

Não, eu não entendo tudo, ainda tenho muito o que aprender, mas gostaria de dividir com você o que eu já aprendi até hoje. Sinceramente, a maior parte do meu aprendizado vem da minha própria experiência, que me fez ler e aprender a teoria sobre aquele assunto.

Primeiro quero que você curta muito sua gestação. Não fique ansiosa para conhecer seu bebê, pois você terá o resto da vida para passar com ele depois e a gestação dura apenas 9 meses. Aproveite cada novidade, cada novo chute que sentir. Converse muito com seu bebê e deixe que ele sinta toda a emoção que você tem de poder carregá-lo.

Gerar um bebê é algo extraordinário, milagre da vida. Como tudo, ele também traz algumas responsabilidades. Não que você será responsável por tudo relacionado ao seu bebê, pois muitas coisas fogem do nosso controle e entendimento, mas tem algumas coisas que você poderá fazer para ajudar seu bebê a se desenvolver e nascer de forma mais saudável.

Um coisa que você não pode esquecer: ler e se informar é essencial. Nós nascemos com o “defeito” de ter medo do desconhecido, por isso, quanto mais você ler, mais entenderá o que se passa com o bebê, o que se passará depois e com isso você se sentirá mais segura para agir frente aos acontecimentos.

Antes de decidir pelo seu parto, se informe, leia tudo que você puder sobre o assunto. Como disse, eu aprendi com a minha experiência e não gosto nada da culpa que sinto com relação ao parto do Vítor. Não que você vá sentir o mesmo que eu, mas minha culpa é diretamente ligada a minha falta de informação na época, por isso eu repito: leia muito, se informe e tome sua decisão baseada em informações e não em achismos.

Eu achava que minha experiência com a cesárea tinha sido ótima. Eu achava que era a melhor coisa que tinha feito. Até estudar, até ler e até, finalmente, ter meu parto natural. É indescritível a sensação de trazer nosso filho ao mundo. Tão diferente de quando você faz cesárea e quem faz seu parto é o médico e não você. E antes que você pense, não, parto normal (não precisa nem ser o natural, como foi o meu, basta que seja respeitado, humano) não tem nada a ver com ser corajosa. Veja, eu não dou conta de fazer escova no cabelo, odeio sentir dor! E como posso ter tido a Mariah em casa, sem anestesia ou coisa do tipo?

Vou te contar meu segredo: informação e preparação. Me preparei para viver esse momento, para saber lidar com a dor e para saber o que fazer quando tudo acontecesse. Faria tudo de novo, mil vezes. Por isso, não canso de repetir: leia, leia muito! Não só sobre o parto, mas sobre o que acontece com o recém-nascido depois, sobre o que é necessário e o que não é. Sobre amamentação. Se informe sobre o hospital que você pensa em ter o bebê, veja se são profissionais humanizados, que te tratará com respeito. Não se seduza por maternidades bonitas e luxuosas, isso não significa que lá dentro exista pessoas que pensem em você como pessoa e não como só mais uma grávida.

Tome cuidado com o médico que você escolher. Essa é uma realidade triste, mas muitos deles mentem para nós! Sim, mentem! Eles falam o que melhor lhes convém e não o que será mais saudável para nós e nossos filhos. Por isso a importância de ler e se informar. Mais uma coisa que aprendi com o que me aconteceu. Na gestação do Vítor acreditei em tudo, na da Mariah pude contestar o médico a respeito do que ele dizia e ele ficou tão assustado com isso que disse que não poderia me atender como eu queria. Pelo menos me deu a chance de procurar um profissional que realmente fosse ético.

E se você quiser uma ajuda pra tudo isso, eu estarei aqui. Não vou passar sua gestação toda te enchendo com minhas opiniões, como disse, não quero ser a chata. Quero ser a pessoa que apenas te mostrou que as coisas podem ser diferentes do que você pensa hoje e principalmente, quero que você nunca se sinta culpada como eu me sinto. Espero que um dia isso passe!

Sei que a minha culpa não é sua, mas se eu puder te ajudar a não sentí-la também, o farei. Por isso, não esqueça: se informe, você tem 9 meses para isso!

Beijos,