Parto normal depois de cesárea: minha história

11 de jun de 2014

Quem me acompanha desde o começo no blog (ou teve paciência de ler os posts antigos) já conhece bem a minha história, mas quem é novo por aqui não sabe como as coisas foram acontecendo, por isso que decidi falar um pouco de mim.

Eu ainda era menina quando decidi que queria ser mãe nova. Não nova adolescente, mas queria engravidar logo que casasse (eu também sempre quis casar!). Eu nem sabia como era ser mãe, nunca tinha pensado no que isso mudaria minha vida, só pensava que tinha que ser assim, casar e ser mãe.

Casei com 25 anos e comecei a programar quando que começaríamos tentar. Tinha medo de demorar, de passar anos tentando e não conseguir. Sempre conversando com meu marido, decidimos parar com o anticoncepional pouco antes de completarmos 1 ano de casados. Eu achava que levaria, pelo menos, 6 meses para o tão sonhado positivo.

Vinte dias depois Vítor ja “saracotiava” na minha barriga. Foi um susto, um choque. Eu queria muito ser mãe, claro, mas não imaginava que fosse ser tão depressa. Sem contar que eu tinha a sensação de que aquilo não ia acontecer logo e de repente tinha um teste de farmácia com 2 listrinhas nas minhas mãos. Demorei para comemorar de fato aquela benção que tinha recebido. Chorei bastante, fiquei confusa e finalmente consegui curtir a alegria que é esperar um filho.

Foi aí que criei o blog. Minha família mora longe e vi a oportunidade de comportalhar com eles tudo que eu estava passando, postando as coisas aqui. Nunca imaginei que ele se tornaria meu trabalho como é hoje. Ele foi crescendo aos poucos, eu fui pegando o jeito de escrever, de por para fora meus sentimentos e conseguir compartilhar com vocês.

Durante toda a gestação do Vítor, eu li muito sobre diversas coisas ligadas a maternidade. Queria aprender o máximo que eu pudesse, mas teve um assunto que eu me fechei e não deixei que nenhuma informação entrasse. Sobre o parto. Para mim a cesárea era a evolução do parto normal, uma forma muito melhor e fácil de se ter um bebê.

Eu não imaginava que não era assim, que a cesárea era, na verdade, uma cirurgia de muitos riscos e que deveria ser feita só em casos específicos de necessidade. Que essa facilidade que eu pensava, essa “evolução”, na verdade aumentaria os riscos de eu e meu filho termos algum problema sério durante a cirurgia e que marcar a data do parto então, nem se fale!

“Sentir dor para ter meu filho? Eu?? Nem pensar!!! Eu não faço escova no cabelo porque não gosto de sentir dor e agora vou fazer um parto normal? Nunca!”. Era isso que eu pensava do parto normal e por mais que as pessoas tentassem me alertar, eu estava fechada para qualquer tipo de informação. Quando meu médico disse que a cesárea era bem melhor, que “pra que eu ia ficar sofrendo se ele poderia fazer um exame que mostraria que meu filho estava pronto” e tudo seria mais prático senti um alívio. Depois ainda ele disse que por conta do meu problema no coração a cesárea era, definitivamente a melhor coisa (depois descobri que nos casos como o meu, a cesárea é muito mais arriscada!).

Não tive dúvidas de que o Vítor nasceria daquela forma. Então não pesquisei sobre como era a cirurgia, sobre as intervenções que faria nele após o nascimento. Todo mundo que eu conhecia tinha feito cesárea e esse que era o parto “normal” para mim. Quando eu estava com 38 semanas o médico disse que já poderíamos marcar a cirurgia, pois ele estava pronto. Eu acreditei, marquei e o Vítor nasceu.

Minha recuperação foi até que tranquila, tirando os primeiros dias e meu filho nasceu com saúde! Para mim isso é o que importava e eu era imensamente agradecida pelo meu médico ter trazido meu filho com vida e saúde para este mundo.

Eu não sabia que na verdade eu tinha sido enganada. Que o médico não tinha salvado a vida do meu filho e sim psoto ela em risco. Que 38 semanas é muito cedo para um bebê nascer de uma cesárea agendada. Que eu, por falta de informação, tinha posto a vida do meu filho em risco. Mas ele nasceu com saúde e isso faz parecer que no fim tinha dado tudo certo. Mas não, não é bem assim. Ele passou por diversos procedimentos desnecessários após o nascimento. Não veio para o meu colo, chorou sozinho numa sala fria que, embora meu marido tivesse junto, ele só pôde ficar olhando. Ele não mamou na primeira hora e nós só nos encontramos 2h depois, no quarto. Sei que não é toda cesárea assim, mas a minha foi. Uma são piores até. Outras melhores. Mas aqui conto a minha história.

Conforme eu fui lendo e aprendendo a culpa começou a bater. Me senti triste por ter feito do meu parto um momento tão corriqueiro. Como se nascer acontecesse o tempo todo com a gente. Como se não fosse o momento mais importante da minha vida e da vida do meu filho. Quanto mais eu lia, mais eu tinha vontade de fazer tudo diferente.

Aí decidimos que era hora de termos um novo filho. Vítor tinha 1 ano e 10 meses e achamos que era agora ou nunca. Engravidei no segundo mês de tentativa. Comecei a me abrir para informações e apesar de ainda estar relutante quanto ao parto, eu sabia que como tinha sido não se repetiria. Eu queria um parto normal, mas com anestesia, por favor.

Lembro que eu tinha um médico (outro, claro! O do Vítor nunca mais!) que dizia fazer parto nromal, mas queria minha autorização para algumas intervenções. Isso me incomodou e decidi procurar por uma médica que fizesse um parto humanizado. Ela só atendia particular e no começo fiquei muito contrariada de ter que pagar alguém, sendo que tinha um bom plano de saúde que cobria tudo se fosse com outro médico. Mesmo assim fui só para ver “qual era a dela”.

A consulta demorou mais de 2h e saí de lá não querendo outro médico! Entendi porque que ela não aceitava convênios e percebi que aquele dinheiro não seria mal gasto, afinal era do nascimento da minha filha que estávamos tratando. Meu marido foi junto e também gostou bastante dela, mas ainda achava uma loucura eu querer parto normal:

– Cesárea é mais segura, amor! – ele sempre me dizia.

Mal sabia ele! Mal sabia eu! Conforme a gestação foi progredindo eu fui lendo e aumentando o desejo pelo parto normal. Depois o desejo era pelo parto natural, sem intervenção nenhuma, até que comecei a desejar infinitamente pelo nascimento domiciliar. Mas meu marido ainda me achava uma louca, então eu me contentava em ter a Mariah no hospital, desde que fosse um parto humanizado.

Nisso saiu nos cinemas o documentário “O Renascimeto do Parto” e aí sim a coisa engrenou. Levei meu marido arrastado pro cinema, que foi de cara feia e não querendo ir. Quando saimos de lá a primeira coisa que ele me disse foi:

– Amor, vamos ter nosso bebê em casa?

Não contamos para ninguém sobre o parto domiciliar e só “batemos o martelo” mesmo no finzinho da gestação. Antes pesquisamos bastante, conversamos com a minha médica sobre os riscos e o que ela poderia fazer no caso de alguma emergência. Descobrimos que com tudo planejado e uma equipe especializada o risco de algo dar errado é muito mais baixo do que todos imaginam e que mesmo assim, a médica tem praticamente os mesmos recursos que teria no hospital, em casa, no caso de emergência.

Eu arrumei as malas da maternidade e combinei com a médica que, se caso ela achasse necessário, iria para a maternidade a qualquer momento, sem discussão. Queria que minha filha nascesse em casa, mas jamais arriscaria sua vida.

E assim fomos seguindo até o grande dia!

Quanto mais eu lia, mais decidida e confiante eu ficava. Li sobre as etapas do trabalho de parto, sobre como amenizar a dor, quais seriam as melhores posições. Conversei muito com a minha doula, tanto ela quanto a médica vieram conhecer minha casa antes do parto, quiseram saber onde ficavam todas as coisas. Nos preparamos para que o nascimento da Mariah fosse da melhor forma possível. E foi.

Como o conhecimento nos faz mudar de opinião e como eu fico feliz de poder sempre mudar o que penso e não ter vergonha de dizer que aprendi e com isso mudei o que pensava. Hoje eu sei que a cesárea é uma ótima cirurgia, mas não em todos os casos e que eu não precisava ter posto meu filho em risco à toa. Mas como tudo nessa vida é aprendizado eu aprendi, descobri umas nova forma de olhar para o parto e com isso vivi o momento mais intenso da minha vida.

Se você que está lendo quer um conselho, aí vai: leia muito e pesquise muito antes de decidir seu tipo de parto. Seja ele cesárea, normal ou natural é preciso estar ciante de tudo, tantos dos benefícios, como dos riscos que se corre em cada um. Só assim você poderá ter seu filho sem preocupações.

Essa é a minha história, minha experiência. Espero que com ela eu consiga ajudar outras pessoas a construirem suas próprias histórias.

Beijos,