Parto normal e humanizado: qual a diferença?

02 de set de 2015

Hoje muito se fala no parto humanizado e com isso muitas mulheres ficam na dúvida do que é um parto normal e humanizado, quais as diferenças e tudo mais. O parto humanizado não é uma via de parto diferente do normal, mas ele é uma nova forma de nascer, com muito mais respeito pela mulher e pelo bebê.

Tem diferença nascer de um parto ou de outro? Com certeza!! O fato da mulher ser respeitada e vista como ser humano e não como mais uma gestante em trabalho de parto, além da experiência da vivência ser totalmente outra, faz com que este momento seja muito mais saudável e menos traumático. Faz deste momento o que ele deve ser, maravilhoso!

É possível sentir a diferença desde o atendimento no pré-natal, onde o médico não se preocupa apenas com a saúde física da mãe e do bebê, como também com a parte psicológica que tanto é afetada pela gestação. As consultas são feitas com mais calma e com o médico muito mais atento ao que a gestante fala. Muitos deles também dão mini aulas durante as consultas para que a gestante tenha a maior quantidade de informação possível. Eles se preocupam com o fato da gestante poder ter informação para decidir o que será melhor para ela. Bem diferente das consultas do parto normal, onde o médico atende em 15 minutos e mal olha para o rosto das mulheres que ali estão, sem se preocuparem em passar informações importantes e principalmente, verdadeiras.

No parto normal, geralmente, o médico não espera mais do que 40 semanas de gestação e pode ser que, por volta de 39 semanas ele opte por induzir o parto artificialmente, alegando que o bebê poderá passar da hora. Um bom acompanhamento pré-natal faz com que, dificilmente o bebê passe da hora. Isso porque o médico está sempre examinando e observando a gestante e qualquer coisa que saia do habitual é sinal de alerta para investigar o que está acontecendo. Já no parto humanizado, os médicos esperam – com o devido acompanhamento – até as 42 semanas de gestação e só fazem a indução se for algo realmente necessário.

Diferente do parto normal, no humanizado, intervenções desnecessárias, como ocitocina artificial (indução do parto, com aumento da intensidade das contrações e que causa fortes dores nas mulheres), episiotomia (“pique” ou corte no períneo que hoje estudos demonstram que não tem a menor necessidade e é considerado uma violência obstétrica contra a mulher), entre outros, são evitados, pois podem acarretar em quadros que necessitem de uma intervenção maior ou até mesmo de uma cesárea. Claro que, tendo necessidade, os médicos usarão destas intervenções, mas somente se for de real necessidade e não para acelerar o parto por pressa do médico ou qualquer outro motivo que não a saúde da mãe e do bebê.

A ruptura da bolsa geralmente acontece de forma natural, no parto humanizado, no início ou durante o trabalho de parto. Já no parto normal, é comum os médicos a romperem para que o processo seja agilizado e a gestante dê a luz mais depressa. Não respeitar o tempo do bebê é preocupante, pois ele pode nascer antes de estar totalmente maduro para isso. A maturação dos pulmões, por exemplo, é a última coisa que acontece e é de extrema importância para a vida e saúde do recém-nascido.

Durante o trabalho de parto normal, nem sempre deixam que a gestante se movimente pelo hospital e coma alguma coisa ou até mesmo beba água, assim como ela não tem opção de onde quer estar ou em que posição quer ficar no momento do nascimento. Já no parto humanizado ela poderá (e é até bom que faça, pois auxilia no trabalho de parto!) andar pelo hospital ou local que escolher estar, poderá se alimentar, o que é muito importante já que o trabalho de parto demanda muita energia e ficará na posição que for mais confortável durante todo o processo.

A gestante que quiser, poderá escrever seu plano de parto (clique aqui para conhecer melhor sobre isso!), optando sobre como deseja que as coisas aconteçam, com quem quer estar, como vai querer o ambiente e tudo mais. Com ele, o médico saberá como a gestante quer tudo e poderá fazer o máximo para que aconteça daquela forma. Digo “fazer o máximo”, pois claro que a decisão final é do médico, por isso que é tão importante uma equipe realmente humanizada e que você poderá confiar e saber que não vai usar de procedimentos desnecessários.

A anestesia dada, muitas vezes acontece de praxe no parto normal, sem consultar a gestante se ela gostaria ou não de tomar. Como toda intervenção, a anestesia pode acarretar alguns problemas, como a redução dos batimentos cardíacos e respiração do bebê, o que pode levar a uma cesárea de emergência. Por isso, é importante que a decisão seja da mulher e que ela tenha informação para decidir sobre isso, como acontece no parto humanizado. Quando ela está preparada para o parto, sabendo lidar com a dor, ela não é um problema, mas sim uma forma de mostrar o andamento do trabalho de parto.

A mulher não é coadjuvante do seu parto, é dela o papel principal, mas muitas vezes este papel passa a ser do médico e é o que acontece no parto normal. Ela não tem direito de manifestar suas vontades e decisões, já no parto humanizado, tudo é ouvido e considerado como importante para que o nascimento do seu filho seja o momento mais emocionante de sua vida.

E o bebê? Ninguém pensa nele? Pois é, no parto normal ele vai direto para outra sala e também sofre procedimentos, muitas vezes, desnecessários (como colírio de prata nos olhos e aspiração). Só depois de feito tudo, de limpo e enrolado é que volta para o colo da mãe. No parto humanizado, o bebê vai direto para os braços da mãe, que poderá amamentar assim que o bebê demonstrar vontade. O pediatra poderá fazer os primeiros exames com o bebê no colo da mãe e será possível que se espere o cordão umbilical pare de pulsar para cortar (assim o bebê receberá mais sangue, o que diminui a chance de anemia).

Muitas pessoas pensam que o parto humanizado só é feito em casa ou então sem o preparo necessário da equipe para o parto. Pelo contrário, os profissionais que fazem parto humanizado estão sempre muito atentos a tudo, bem informados, com todo material que for preciso e o parto poderá ser feito no hospital, casas de parto ou na própria casa dela, como a gestante preferir. O parto humanizado em hospitais é feito nos quartos, dando maior conforto e aconchego para a mãe e o bebê, diferente do parto normal, que acontece no centro cirúrgico.

Existe cesárea humanizada? Quando o parto vaginal humanizado não é possível, a cesárea acontece, mas com uma equipe humanizada ela é totalmente diferente, pois eles respeitam tudo que for possível dentro dos desejos da gestante, deixando o centro cirúrgico o mais aconchegante possível, com luzes mais baixas, músicas escolhidas pela mãe e um ambiente menos frio, como costuma ser.

Essas são as maiores diferenças entre um parto e outro. De forma bem resumida: o parto humanizado é um parto onde a mulher e o bebê são respeitados e pensados em primeiro lugar.

Leia muito, informe-se sempre!

Beijos,