Parto prematuro e a incompetência Istmo-cervical

08 de jan de 2014

A Ariane já tinha contado seu relato um dia aqui no blog, minha surpresa foi quando ela me escreveu para relatar a continuação da história. Sempre muito bom acompanhar um pouco da vida dos leitores também!

Se você ainda não leu: Gestação e ovários policísticos

Dando continuidade ao meu relato anterior, com 13 semanas descobrimos que o nosso Bernardo estava a caminho. Todos os exames estavam excelentes e levava minha vida normalmente durante a gravidez. Minha única indisposição de grávida era uma azia frequente, mas que não chegava a tirar meu bom-humor.

Com 24 semanas fizemos uma ultra, que indicava tudo perfeito e fomos liberados pela médica para fazer uma viagem para Buenos Aires, meu presente de aniversário e última viagem antes da chegada do nosso bochechudo.
Com 25 semanas fomos. Nos divertimos muito, e o pique da grávida aqui estava lá no alto. Como a barriga ainda não havia crescido muito estava cheia de disposição. Passamos 3 dias desbravando a cidade.

Voltamos para casa e no final de semana seguinte uma preguiça incontrolável tomou conta de mim. Não queria levantar da cama nem para comer. E como era um fim de semana chuvoso, aproveitamos para descansar bastante.
Já no fim do domingo, nossa programação era assistir ao jogo da final da copa das confederações na cama com um mega balde de pipoca.
Começou o jogo e com ele vieram algumas cólicas muito leves, algo quase imperceptível. Acontece que reparando no tempo do jogo, elas aconteciam de 10 em 10 minutos, de forma cronometrada. Não quis assustar meu marido e continuei ali assistindo o jogo, mas prestando atenção ao cronômetro.
No fim do jogo, resolvi levantar para ir ao banheiro e um filete de sangue bem pequeno saiu no papel higiênico. Sinal de alerta!
Liguei para a minha médica que disse que poderia ser apenas algum vasinho que estourou durante a relação sexual, mas que por desencargo de consciência eu poderia ir ao hospital verificar.
Ficamos indecisos se iríamos ou não para o hospital, mas como com sangue não se brinca, tomei um banho com calma, e fomos.

Chegando lá, as 23h do dia 30 de junho, o susto! A médica de plantão fez um exame de toque, e sem nenhum tato mandou ver:
“Você está com 10cm de dilatação, não tem mais como voltar atrás. Seu bebê está nascendo e com 26 semanas de gestação a chance é mínima. Você pode chamar a sua médica aqui ou eu mesma tiro o seu bebê!”
Bom, não preciso nem dizer que chamei a minha médica naquele mesmo momento, né?
O meu problema era de incompetência no colo do útero. Mulheres costumam ter esse diagnóstico apenas após vários abortos que costumam ocorrer por volta das 13 semanas. Como era minha primeira gravidez, não tinha como saber que eu tinha este problema.

As horas seguintes foram de muita angustia! Como o parto poderia acontecer a qualquer momento, fui direto para o centro cirúrgico e meu marido foi encaminhado para o quarto pois só poderia entrar no centro cirúrgico no momento do parto.
Assim que dei entrada me deram uma injeção para amadurecer o pulmão do meu pequeno e fui orientada a ficar deitada, sem levantar pra absolutamente nada e me movimentar o mínimo possível. A injeção só começaria a fazer um efeito real no bebê a partir de 24h após tomada.
No início foi tranquilo, aquelas cólicas leves permaneceram por horas e horas, e meu único companheiro era o relógio de parede do centro cirúrgico, que me deixava acompanhar e verificar que as contrações continuavam a cada 10 minutos. Por incrível que parece isso me fazia manter a calma.
Nesse período minha médica veio conversar comigo, explicando as possibilidades do parto e as chances em cada um deles. Em resumo, parto cesárea eu não poderia engravidar nos próximos 5 anos e a chance dele ter uma hemorragia durante a remoção da barriga seria muito grande. Parto normal, o risco maior era da pressão na cabeça, coração e pulmão dele na saída pelo canal vaginal o que também poderia causar hemorragia. Mas também havia um parto ideal, algo que ela chamou como parto de literatura, pois é dificílimo de acontecer. Ele deveria nascer de parto normal, só que sem o rompimento da bolsa. A bolsa só poderia estourar depois do nascimento dele, assim ele não seria pressionado na passagem.

Depois de 15h no ritmo lento, meu pequenino decidiu que não dava mais pra esperar. Uma ultrassonografia de emergência foi feita e como ele estava na posição correta a médica decidiu tentar o parto normal.
Na primeira força que fiz ela alertou: Está nascendo!
Na segunda, o susto! Ouvi o barulho da bolsa estourando e rapidamente após a terceira força vi meu bebê sendo levado pelos médicos, sem choro, sem beijinho na mamãe, sem nenhuma reação!
Os próximos 15 minutos foram os mais longos da minha vida, até que o pediatra voltou com a notícia: está vivo! Foi entubado, está na uti, mas está VIVO!
Nascia o meu Be, com 830g, 32cm, apgar 1/3.

E ai vem uma outra longa história, que até posso contar um dia, sobre como é acompanhar o desenvolvimento de um bebê na uti.

incompetência istmo-cervical

Com certeza vamos querer saber a continuação desta história!

O que a Ariane descobriu que tem é a Incompetência Istmo-Cervical, clique e leia mais!

Quer contar a sua história também?? Escreva para mah@vidadegestanteemae.com.br

Beijos,