Planejando a gestação

24 de fev de 2012

Na postagem de hoje vou escrever  mais como paciente do que como médica, já que o assunto está um pouco fora da minha área de atuação, mas é assunto recorrente aqui em casa. Há 1 ano e meio meu marido e eu resolvemos que queríamos engravidar, na ocasião pesquisei tudo o que se referia à gestação e me deparei com um conceito interessante que é o de gestação de 12 meses. Esse termo corresponde ao período da gestação associado a 3 meses de preparo do organismo para que a mulher tenha uma gravidez saudável. Hoje, vou falar um pouco sobre esses 3 meses que antecedem a gestação (assunto no qual estou phD, já que no nosso caso o período pré gestacional está um pouquinho prolongado).

O planejamento da gestação é de fundamental importância, uma vez que previne uma série de intercorrências para a mãe e para o feto.

Algumas medidas são essenciais (tanto para as futuras mamães, quanto para os futuros papais):

  • Antes de interromper o método contraceptivo alguns hábitos devem ser mudados, tais como o tabagismo, etilismo e uso de substâncias ilícitas. Esses hábitos apresentam potencial tóxico ao feto.

Há descrição de diminuição de fertilidade feminina e da qualidade do sêmen pelo uso de cigarro. Além disso, o tabagismo pode levar a má nutrição fetal, levando a restrição do crescimento intra uterino da criança , maior risco de prematuridade e baixo peso ao nascer.

A ingesta de álcool também apresenta risco ao feto. Não há dose segura para consumo do álcool durante a gestação, sabe-se que seu efeito teratogênico é mais importante no primeiro trimestre, mas não é limitado a esse período, podendo ocorrer em qualquer momento da gravidez. Os efeitos deletérios podem variar desde baixo peso ao nascer e dificuldade de concentração, até abortamento, mal formação do sistema nervoso central ou síndrome alcóolico fetal (quadro grave bastante comum na prática neuropediátrica).

O uso de drogas ilícitas (crack, cocaína, maconha, entre outras) pode levar a alterações do fluxo sanguíneo placentário, levando a má nutrição fetal e hipóxia. Há também a possibilidade de efeitos mal formativos e sangramentos, condições que podem levar a atraso global do desenvolvimento neuropsicomotor da criança, bem como alterações do comportamento da mesma.

  • Para as futuras mamães: estar em dia com os exames ginecológicos de rotina (mamografia, Papanicolau), procedimentos odontológicos (há maior predisposição a gengivite durante a gravidez).
  • Controle de peso, o excesso de peso ou baixo peso materno podem levar a problema de fertilidade, diante disso, é importante manter IMC adequado.
  • Realizar exames pré concepcionais: hemograma, tipo sanguíneo (avaliar risco de incompatibilidade ABO entre mãe e feto) e RH (importante para evitar isoimunização RH para as próximas gestações, no caso da mãe ser RH negativo e o pai positivo), glicemia de jejum (avaliar risco para diabetes gestacional), sorologias (rubéola, citomegalovírus, HIV, toxoplasmose, hepatite B, sífilis).
  • Diminuir ingesta de cafeína (café, chá preto/branco/verde, refrigerantes tipo cola), há relatos de maior incidência de baixo peso ao nascer e prematuridade em função do efeito vasoconstritor da cafeína. Além disso, diminui a absorção do ferro e afeta negativamente a fertilidade.
  • Evitar alimentos crus durante a gestação (sushi, sashimi, carpaccio, quibe cru), evitar manipular fezes de animais, lavar muito bem as mãos e saladas cruas. Com esses cuidados minimiza-se o risco de toxoplasmose.
  • Iniciar uso de ácido fólico 3 meses antes de interromper o método contraceptivo, que deve ser mantido até o terceiro mês de gestação. O ácido fólico atua na proteção contra defeitos do tubo neural no feto, fenda labial/palatina, cardiopatia e síndrome de Down, além de diminuir a atividade trombolítica em função de sua atividade sobre o MTHFR, diminuindo desta forma o risco de abortamento. Há também relato de contribuir na prevenção de Diabetes Gestacional tardia e atuar na expressão dos genes  que facilitam o aparecimento de câncer de mama e cólon intestinal, diminuindo o risco do surgimento destas patologias.
  • Suplementação Vitamínica (C, D, E), que deve ser iniciada 3 meses antes da interrupção do método contraceptivo e mantida até ao menos 3 meses de gestação.

Vitamina C apresenta ação antioxidante, melhorando a resposta imunológica, sua deficiência na gestação pode relacionar-se a risco aumentado de aborto, prematuridade e descolamento precoce de placenta.

Vitamina E também apresenta ação antioxidante, protegendo os tecidos do corpo, atuando beneficamente em pacientes com dificuldade reprodutiva.

Vitamina D tem importância para o sistema imunológico, crescimento ósseo, atuando na absorção do cálcio.

  • Atividade física, tais como caminhada, hidroginástica, yoga e pilates. A prática de esportes é benéfica durante a gestação e ajuda a diminuir ganho de peso, varizes, dores lombares e ansiedade (problemas comuns durante a gravidez). O ideal é que a prática esportiva seja iniciada antes da gravidez.

A consulta com obstetra deve ser feita assim que a decisão de engravidar for tomada, para que todas essas medidas sejam iniciadas e o primeiro  passo para uma gestação saudável seja dado.

Nas próximas postagens falarei um pouco mais sobre os defeitos de tubo neural, infecções congênitas (toxoplasmose, sífilis, HIV, citomegalovírus) e síndrome alcóolico fetal, mencionados hoje.

 

IMPORTANTE: Segundo o Conselho Regional de Medicina (CRM), a informação médica via Internet pode complementar, mas nunca substituir a relação pessoal entre o paciente e o médico. Pelas suas limitações, não deve ser intrumento para consultas médicas, diagnóstico clínico, prescrição de medicamentos ou tratamento de doenças e problemas de saúde.

Beijos