Reflexões sobre a infância – Parte I

12 de mar de 2012

A MINHA INFÂNCIA

Eu tive um infância extraordinária. Morava em uma rua onde haviam crianças  de várias idades em todas as casas do quarteirão e com o tempo nossos pais foram se aproximando, nós nos aproximamos e nos tornamos uma grande família. A “Rua’s Club”*, que quando começou tinha 10 famílias!

Passávamos os dias brincando na rua, pega pega, elefantinho colorido, passa anel… Tinha um terreno na frente de casa e ele logo se tornou nossa pista de bicicleta, skate, patins. Os meninos desciam a rua em disparada em seus carrinhos de rolimã, enquanto as meninas brincavam de casinha, com bonecas, panelas e afins.

Naquela época não existia celular, nem computador e apesar de ter vídeo game, não tinha tanta graça como as brincadeiras na frente de casa, com todo mundo junto. Quando estava na hora de entrar, ouvia minha mãe no portão “Má, tá na hora!” e lá ia eu pra casa, morta de cansada! Parecia que os dias eram maiores, eu brincava e brincava e ainda estava no meio da tarde. Tenho a impressão que a correria de hoje era algo inexistente!

Em uma das comemorações no fundo de casa!

Em uma das comemorações no fundo de casa!

A amizade era tanta que nossos pais compraram uma chácara juntos, que chamamos de “Rua’s Ranch” e era para lá que íamos todo final de semana. Piscina, futebol, andar à cavalo, procurar frutas no pomar, tinha  para todos os gostos e não importava se estava chovendo ou se fazia sol a gente sempre dava um jeito de nos divertirmos.

Dia das mães, dos pais, das crianças, Páscoa, nada passava em branco. Minha mãe juntava a turminha no fundo de casa, passávamos dias ensaiando e arrancávamos lágrimas de nossos pais com as apresentações mais variadas: danças, escolinha do professor Raimundo, teatro, piadas, até receitas de bolos “ao vivo” já teve!

Férias, feriados, carnavais, lá íamos nós em caravana de 8, 10 carros conhecer o Brasil. Ilhéus, Aracaju, Recife, Natal, Ubatuba, entre outras. Minha viagem de 15 anos para os EUA foi também com algumas das meninas. E fomos crescendo assim, cada um com sua individualidade e escolhas, mas sempre com uma coisa incomum: a amizade.

Ubatuba/SP

Ubatuba/SP

Com o tempo, algumas famílias foram se mudando da rua, Salvador, Araçatuba, São Paulo, outras há poucas quadras dali, mas nada fazia com que a amizade que cresceu entre nós diminuisse ou se perdesse com o tempo. Os adultos se tornaram meus tios e meus amigos de infância, meus primos.

Claro que outros amigos foram aparecendo enquanto a gente crescia, mas a turma da Rua estava sempre reunida.

Até hoje nos falamos, conversamos e nos encontramos. Não é tão fácil como antigamente, já que as crianças cresceram, muitos casaram, tiveram filhos e a “Família da Rua” só foi aumentando!

Sinto muita saudade desse tempo, mas sinto mais pro saber que a infância do Vítor não será assim. Outra época, outro momento, outras preferências… mas isso fica para o próximo post!

Beijos

*Nome fictício