Relato de parto da Carol

27 de jul de 2014

Ficar grávida foi uma felicidade imensa, e junto com a descoberta vieram os inúmeros preparativos, consultas, exames, enxoval, muita leitura sobre o assunto. E eu que sempre pensei que preferisse uma cesárea para não sentir dor, me vi fascinada pelos muitos benefícios de um parto normal, tanto pro bebê quanto para a mãe.
E então tudo começou na madrugada do dia 4 de Março, uma terça de Carnaval.  Na segunda eu e o Daniel ficamos em casa curtindo a piscina com amigos e à noite minha mãe me ligou, ela me ligava todos os dias no final da gestação perguntando se estava sentindo algo diferente e mais uma vez falei que não, somente as contrações de treinamento de sempre. Apesar do médico desconfiar que eu não chegaria até as 40 semanas devido à minha placenta  amadurecida, até então não havia sentido nada em especial que pudesse ligar com trabalho de parto. 
Essa noite estava com preguiça de fazer qualquer coisa pra jantar e acabei comprando um lanche e comi até quase não caber mais, e fui dormir um pouco depois da meia noite incomodada com a barriga cheia e a falta de ar.
De madrugada acordei várias vezes pra fazer xixi, como de costume, só que estava sentindo uma dorzinha de barriga junto, achei que era por causa da comilança e nem liguei, fui indo assim até de manhã quando começou a incomodar mais e resolvi levantar pra comer alguma coisa.  Tomei um iogurte e comecei a pensar se essa dorzinha seria o início do trabalho de parto, e resolvi marcar o tempo, e estava sentindo a cada 7 minutos. Acordei o Daniel e marcamos novamente, dessa vez a cada 6.
Resolvi ligar pro dr. Ricardo, imagina, terça de Carnaval, 9:40h da manhã, paciente querendo parto normal, só alegria né? Ele me disse que primeiro filho esse processo de dilatação normalmente é demorado, que seria melhor ficar em casa nesse período e que quando as contrações estivessem mais próximas, que provavelmente só seria à tarde, pra eu ligar novamente.
Ok, tentando manter a calma fui tomar um banho e terminar de arrumar minha malinha já que a do Lucas já estava pronta. Achei que teria tempo e nem tinha ligado pra minha mãe ainda, mas a dor começou a aumentar bem rápido, e logo eu já não tinha posição confortável durante as contrações,  eu só tinha vontade de ficar sentada na privada e fazer xixi. Em uma das idas ao banheiro saiu meu tampão mucoso e quando marquei o tempo já estava sentindo a cada 2 minutos!
Eram 10:40h e com a dor intensa falei pro Daniel ligar pro dr. Ricardo avisando que estávamos indo pro hospital e fui terminar de me arrumar correndo. Nesse momento bateu um medo (a tal hora da covardia) e chorei um pouco falando pro Daniel que eu achava que era forte mas não sabia se seria mulher suficiente pra aguentar aquela dor até de tarde. Jogamos tudo dentro do carro e falei pro Daniel pelamordedeus correr porque a dor estava atingindo seu auge.
Como era feriado chegamos em 5 minutos, cidade pequena tem suas vantagens também. Eram umas 11h e o Daniel me deixou na recepção para estacionar e a secretária foi me levar pra sala de exame. Logo o Daniel e o dr. Ricardo chegaram e como eu estava de vestido ele me pediu pra somente tirar a calcinha pra fazer o exame de toque, acho que ele não estava levando muita fé em mim, porque ele falou “Menina, mas você é forte, já está 9 cm dilatada, faz tempo que não vejo isso acontecer tão rápido! Vamos pro centro cirúrgico agora! “
Bateu aquele misto de nervoso, e excitação e pensei então tá, é agora! Coloquei o avental e fui levada pro c.c enquanto o Daniel fazia minha entrada no hospital e buscava as coisas no carro. Chegando no c.c deitei na maca e o dr. Ricardo queria que eu já ficasse em posição ginecológica, mas a dor nas minhas costas estava muito grande e pedi pra ficar mais recostada. Ele me falou pra ficar de ladinho e agora sim fazer força quando viesse a contração e quando coroasse eu viraria só pra ele nascer. Ah, que sensação boa de fazer o que seu corpo está mandando, segurar aumentava a dor, e fazer a força pra baixo aliviava. Sempre pensei que na hora o nosso corpo sabe o que fazer, eu não fiz nenhum preparo, naquele momento crucial a gente deve seguir nossos instintos.
Logo ele coroou, me virei, o dr. Ricardo me avisou que faria a episiotomia e me mandou segurar nas barras do apoio das pernas e empurrar! Nessa hora não tem mais medo, nem vergonha, nem preocupação com mais nada de fora, eu só pensava que meu filho tinha que nascer e que ele precisava da minha ajuda e quando vinha a contração eu fazia toda força do mundo. Toda força mesmo, nunca fiz tanta força na minha vida, agradeci por não ter sido anestesiada pois provavelmente não teria feito nem a metade da força necessária. Nos intervalos eu respirava fundo, resmungava meio alto por causa da dor e tentava me concentrar, parecia que eu saía do meu corpo e voltava novamente na hora da contração e lá eu ia outra vez.  Foram poucas vezes e dói bastante, não vou mentir, mas acredito que a dor sempre tem um propósito  e no meu caso foi necessária pra me desprender do mundo pensante, aprender a perder o controle e ouvir o que meu corpo mandava fazer e assim causar a ruptura do meu corpo se transformando em dois.  Apesar de doer não me causou sofrimento, ambíguo, mas é verdade, porque essa dor é suportável e passageira e nesse caso ela veio pra gerar somente alegria.
Acho que foram umas 5 contrações e na última o dr. Ricardo teve que dar uma ajudinha pois a contração estava curta e o bebê voltava, e então a sensação do Lucas nascendo realmente foi a melhor da minha vida, uma inundação de felicidade e alívio! Quando ouvi seu chorinho e a enfermeira trouxe meu filho pra perto de mim senti também as lágrimas rolarem no meu rosto, lágrimas de felicidade e um amor sem tamanho! Olhei bem pro rostinho lindo do meu filho, fiz um carinho nele e pensei, conseguimos meu amor! Levaram ele pro pediatra examinar enquanto eu expelia a placenta e o dr. Ricardo terminava os últimos procedimentos.
Quando o Daniel entrou com o Lucas nos braços pude ver na emoção de seus olhos que algo dentro dele tinha mudado pra sempre. Assim como eu, meu marido havia descoberto em poucos segundos o real sentido da paternidade! Choramos os 3 juntos, nos beijamos e sabíamos que a partir daquele dia nossa vida seria aquele pedacinho de gente, a nossa misturinha! Às 11:35h, de uma terça de Carnaval, nasceu nosso maior presente, meu Lucas, de 38 semanas e com 3.300g e 48cm, na hora que ele quis, quando ele estava pronto!
Não foi um parto totalmente natural até porque nunca foi minha intenção, mas hoje após vivenciar essa experiência sei que vou querer um pouco diferente pro meu próximo filho. Vou lutar mais para ficar em outra posição, na hora eu lembro que eu queria ficar mais sentada, deitar doía demais as costas apesar de ter ficado bem pouco tempo assim.  E principalmente vou pedir pro Daniel ficar do meu lado o tempo TODO, depois que nos separamos pra ele fazer minha internação ele voltou pra ficar comigo mas meu médico achou melhor ele esperar o Lucas nascer pra entrar, sinceramente eu estava tão concentrada no que eu tinha que fazer pro meu filho nascer que eu praticamente ignorei as pessoas ao meu redor, e nem senti tanta falta do meu marido, tadinho. Depois perguntei pra ele se tinha ficado chateado por não ter entrado e ele falou que não, que talvez até ficasse mais nervoso de me ver naquela situação. Mas enfim, o que passei serve de experiência e lição para próxima vez, e se o segundo resolver ser mais rápido que o primeiro é capaz de nascer numa ida ao banheiro, rsrs!
Levaram o Lucas e eu fui pro quarto pra me aquecer, me deu uma tremedeira depois do parto. Lá o Daniel me abraçou e me beijou demoradamente, como me agradecendo pelo nosso bebê. Logo o Lucas chegou e a enfermeira o posicionou pra mamar e meu espertinho abocanhou de primeira meu seio, como se já soubesse o que fazer, e eu e ele ficamos ali, nos curtindo, nos conhecendo, e com meu marido do nosso lado fiquei pensando como Deus é maravilhoso de nos permitir gerar uma pessoinha tão linda e perfeita! Sempre tive tanta vontade de amamentar e medo de não conseguir, mas mais uma vez a natureza me surpreende com a naturalidade com que tudo ocorre, como nossos corpos sabem melhor o que fazer, sem precisar pensar muito sobre isso. Apesar de ter amamentado na primeira hora após o nascimento sem problemas, no próximo pretendo pedir para amamentar ainda na sala de parto, sentir mais o cheiro dele, curtir ainda mais esse momento.
Finalmente tive tempo pra avisar as amigas e minha família, tomei banho, comi um pratão de macarrão e tentei descansar, mas a descarga de adrenalina dos acontecimentos não me deixaram fechar os olhos.
Somente bem à noite consegui finalmente dormir um pouco, com o Daniel e o Lucas ao meu lado e relembrando tudo, mal acredito na velocidade como tudo aconteceu!  Venci meus medos, acreditei no meu instinto e tive o momento mais sublime da vida de uma mulher. Descobri que sou mais forte do que eu jamais pensei que era, que sou capaz de absolutamente tudo pelo meu filho e conheci um novo amor, o amor de mãe, maior que qualquer coisa e absolutamente incondicional. Obrigado meu filho por em tão pouco tempo já me ensinar tanto e me transformar numa nova mulher, igual por fora mas muito melhor por dentro…

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Beijos,