Relato de parto normal após cesárea – I

29 de nov de 2014

Quando recebi o relato do parto da Juliana me identifiquei muito. Não pela história que foi tudo bem diferente da minha, mas pela forma como ela escreveu. Adorei ler, ela conseguiu passar toda a emoção que vivenciou em suas palavras.

Geralmente eu peço para a pessoa resumir, para que não fique tão grande, mas nem eu saberia como fazer isso, pois parece que cada palavra era importante. Por isso, vou dividir ao meio esta história linda de um nascimento emocionante!

Espero que vocês gostem assim como eu e sábado que vem postarei a segunda parte!

Pari.

Mas essa história não pode ser tão simplificada quanto o verbo, embora não seja nada além de um momento simples e natural, que o próprio Deus criou.

Minha saga começa numa primeira tentativa de realizar esse sonho, quando fiquei grávida do meu primeiro filho. Planejamos, eu e meu esposo, essa gestação e a chegada do primogênito em cada detalhe de nossa vida. Tudo estava milimétricamente pensado e preparado. A decisão pelo parto normal foi feita baseada única e exclusivamente no senso comum de que era a melhor via para o nascimento e a saúde do bebê, além dos benefícios na recuperação pós-parto da mãe. No entanto, meu bebê permaneceu pélvico durante toda a gestação. Orientados pelo obstetra, nós decidimos pela cesariana, pois sabíamos que ele não faria o parto normal se o bebê permanecesse nessa posição. Aguardávamos a virada dele quando a bolsa estourou na semana 36. Permaneci por 12 horas com a bolsa rota sem sinal de trabalho de parto e, como já havíamos sido informados, fizemos a cirurgia. Tive um pós-parto complicado, com muitas dores, reações várias da anestesia, não consegui amamentar, nosso bebê apresentou displasia de quadril e todas as dificuldades da primeira viagem na maternidade. Não queria mais filhos! Não queria ser submetida a tudo aquilo novamente.

O tempo passou, e como dizem por aí: sua passagem cura tudo. Curei-me dos traumas da cesariana com a alegria que um bebê traz a família. Aos 6 meses do meu príncipe, fizemos uma viagem de férias. Esqueci o anticoncepcional em casa, na correria dos preparativos da primeira viagem com um bebê. Lá, eu e o marido conversamos e decidimos que era a hora de embarcar na segunda viagem…

Após 2 meses de espera, estávamos grávidos novamente. Pouco tempo depois descobrimos que era uma menina! Muita festa, muita alegria! Era a hora de planejar tudo novamente. Porém, decidi que faria tudo de maneira mais leve, com menos cobranças. Oramos a Deus e pedimos que Ele encaminhasse tudo da melhor maneira possível. Decidi que quem escolheria a forma de nascer não seria eu, mas minha filha.

Mais uma vez o fantasma da posição pélvica me assombrava. Contando com 30 semanas, a bebê ainda não tinha virado. Sabia que se a situação não se modificasse, partiríamos para nova cirurgia. Só que dessa vez, eu não fiquei na ignorância. Corri atrás de informações, de relatos sobre os partos pélvicos. Estava consciente dos riscos das manobras para virar bebês e de partos naturais com bebês nessa posição. Decidi não assumir os riscos e votei em meu coração que faria nova cesariana, caso essa situação não mudasse.

Surpreendentemente, na semana 32, quando fiz o exame de ecocardio fetal, descobrimos que ela havia se posicionado em cefálico. Como fiquei feliz! Parecia que um trem havia saído das minhas costas. Ela queria nascer naturalmente. Era hora de me preparar para um possível parto normal.

Com uma gestação mais que tranquila, sem qualquer intercorrência, busquei informações sobre o parto normal. Com uma grande incentivadora e consultora (minha melhor amiga que havia acabado de parir, num momento lindo e rápido), segui firme no propósito de me preparar para o parto normal.

Ouvi muitas coisas nesse meio tempo: “parto normal? Você não vai aguentar a dor!”, “mas, gente, não é possível! Você tem uma cesariana muito recente! É muito arriscado”, “seu médico não fará essa loucura!” Bom, resolvi manter meu desejo e minha preparação em segredo, para evitar ansiedades e julgamentos das pessoas.

Assisti ao filme” O Renascimento do Parto”, que foi extremamente esclarecedor e fundamental na minha escolha pelo parto normal. Vários paradigmas foram quebrados e estava cada mais esclarecida quanto aos riscos, vantagens e desvantagens do parto normal. Nesse momento, o marido não estava tão convencido assim. Achava que poderia ser perigoso, que talvez não fosse uma boa idéia… Continuamos conversando: nós e o obstetra, que embora seja um excelente cirurgião respeitou minha decisão e disse que me acompanharia no parto que eu escolhesse; que ele estaria ali para garantir a segurança de mamãe e bebê.  A segurança do médico e nossa confiança nele nos ajudaram a continuar na busca do nosso maior desejo.

Busquei ajuda de uma equipe de enfermagem maravilhosa para nos acompanhar em casa, durante o trabalho de parto, pré-internação. O auxílio e a consultoria de nossa enfermeira, doula e amiga foi primordial para o nosso preparo físico, mental e emocional.

Seguimos, agora eu e marido, unidos no desejo de parir nossa menina. Os dias foram passando, a ansiedade aumentando e nada de trabalho de parto. Ao completar 40 semanas, tudo ia muito bem. A neném estava super saudável e a cada consulta, agora semanal, nosso obstetra nos dizia: “tudo bem. Vamos esperar. Paciência. Parto normal começa na sua cabeça”.  Todavia, minha cabeça não parava. Eu estava a mil por hora. Sabia que meu obstetra não esperaria além das 41 semanas e na última consulta, uma 6ª feira, ele disse: “Ju, vamos aguardar esse fim de semana. Quero te ver novamente na segunda e se esta situação não houver mudado, conversaremos sobre a cesariana”. Aquilo partiu meu coração.

Resolvi que poderia dar uma ajudinha… Iniciei sessões de acupuntura, para estimular o trabalho de parto – já estava com colo do útero encurtado e a dilatação já havia começado, contava com 1cm. Orientados por nossa doula-amiga, procuramos um profissional habilitado. Após 3 sessões, entramos em trabalho de parto de verdade, com 40 semanas e 5 dias.

Por volta das 18h30 de domingo, fiz a última sessão de acupuntura. Voltamos pra casa e as cólicas já estavam mais fortes.  Às 22h30, senti contrações mais intensas e liguei para nossa acompanhante. Ela pediu que eu descansasse e tentasse dormir, porque provavelmente minha filhinha nasceria no dia seguinte. Tentei relaxar, mas meu coração pulava de alegria e medo.

Às 01h30, percebi que as contrações estavam ritmadas, de 10 em 10 minutos. Ligamos para doula. Em 20 minutos, ela estava conosco em casa e nos unimos na espera de nossa pequena. Minha mãe veio para cuidar do nosso lindinho que dormia o sono dos anjos. A cada contração sentia a dor e a felicidade de poder esperar pela chegada da minha princesa.

Para continuar lendo: Relato de parto cesárea II

Beijos,