[Relato de parto] Parto natural domiciliar

30 de jul de 2012

Nome: Caroline

Depois de cair de cabeça na gravidez e no parto em si, eu ja tinha lido muito, ja tinha visto inúmeros vídeos de parto, já tinha lido inúmeros relatos de parto, eu queria me aprofundar mais. Pois estava decidida a ter um PDD, foi então que comentei isso com a Júlia, e ela disse que estaria comigo independente da minha escolha, e me passou o contato da Ana B. que teve um PDD ela foi muito receptiva e me ajudou bastante. Me passou links, apostílas, li bastante os posts do materna japão e também o Relatos de parto da Rosana Oshiro. Rosana me ajudou muito também, sua história, seus partos, principalmente os 2 desassistidos me deram força em minha decisão. Me sanaram dúvidas e me ajudaram a trabalhar meus medos. Admiração e gratidão tenho por essas mulheres, obrigada! Não desmereço quem opta por hospital, casa de parto, PDA.

Acho que o que vale mesmo é parir aonde, como e com quem nos sentimos bem! E eu me sinto bem e segura em minha casa, bem e segura com meu marido, bem e segura com meu corpo. Sabendo que ele é perfeito e sabe parir, sem medos e receios, simplesmente o natural. Tendo a consciência dos riscos, claro! Pois corremos riscos até ao ir a padaria, e com o parto não seria diferente. Eu tinha a consciência de que poderiam haver complicações, de que se fosse necessário teria que ir pro hospital, de que poderia acontecer o pior com mãe e bebê, sabia de tudo isso. Mas a minha mentalização era de que correria tudo bem, afinal o perfeito é o natural.

E assim mantive minha meditação até o final. Compramos tudo o que era necessário para um PDD, meu marido desde o inicio me apoiou, alias me surpreendi com a fé que ele tem nas mulheres, na sabedoria do nosso corpo em parir. Lembro que em uma de nossas conversas eu disse que no TP ele teria que ser forte, não se desesperar, nem me deixar desistir. e ele me disse que de toda a família ele seria o último a se desesperar, e que acreditava que a mulher poderia fazer tudo sozinha, era só deixar ela quietinha que tudo daria certo.

Essa resposta me aliviou e naquela hora senti que ele também estava preparado para o PDD.

Decidimos que só contariamos a nossa decisão para minha mãe, que mora conosco. Ela no começo ficou meio insegura, mas via o quanto eu estava me preparando para aquilo e acreditou em mim. Respeitou nossa decisão e me deu a segurança de que não iria se desesperar e atrapalhar todo o processo. Eu colocava o marido para ler relatos, ver vídeos principalmente os de PDD, e fazia ele compreender que no parto em casa o papel do pai é atuante. E assim até toque ele aprendeu a fazer, foi super engajado por nossa causa.

Gratidão pelo companheiro que és, pois teu apoio foi fundamental para o nascimento digno de nossa filha. Continuei fazendo o pré-natal normalmente, e as 37 semanas umas boa noticia! Strepto negativo, o que me deixou muito feliz, com a bebê cefálica desde o quinto mês, tudo corria bem e meu sonho por um parto respeitoso estava cada vez mais perto. Quanto mais se aproximava o parto, mais Sophie ficava agarrada a mim. Impressionante como isso acabou assim que Naomi nasceu.

A doula-irmã sempe me ligava, me mandava mensagem, estava sempre me mostrando que estava ali pra mim, que estava ali por nós, e eu sentia muito amor. Continuei fazendo meus exercícios, treinando as tecnicas de respirações, subia e descia escada, caminhava… E com 38 semanas comecei a tomar chá de cravo com canela e o colo do meu útero começou a afinar. Nesta gravidez senti, escutei e preparei muito mais o meu corpo.

40 semanas, já sentia muito cansaço, quase não dormia, mas não deixei de me movimentar. Sentia minha princesa cada vez mais perto… Última consulta com a GO, tudo tranquilo, pressão normal como sempre, movimentos fetais presentes, nesta gestação engordei só 9 kg. Tudo correndo bem e nós só esperando Naomi decidir nascer. 08/06/2012, sexta-feira, por volta de 12:00hrs senti uma forte contração, mas não dei muita importancia pois ja havia tido fortes pródromos durante uns 5 dias. Na nossa cultura, guardamos o sábado, preparando casa, comida e roupas antes das 18:00 de sexta, pois das 18:00 de sexta ás 18:00 do sábado descansamos.

E era o que eu estava a fazer, como estava na maior faxina, nem senti mais contrações ou desencanei delas. Quando parei, por volta das 15:00hrs, comi e fui pra bola. Daí senti algumas contrações mas não eram ritmadas então pensei que não era o TP. Por volta de 17:00hrs tomei um banho quente e voltei para a bola. E ali fiquei até umas 19:00hrs, quando senti contrações beem fortes e ai pensei que poderia ser o TP. Então resolvi deitar um pouco para descansar. Deitei, mas quem disse que dormia? Aquela posição acabou ficando insuportável. Por volta de 20:00hrs liguei pra Julia e disse: “Olha eu acho que é hoje!” E ela já havia sentido, estava indo pra casa de sua mãe e me disse que deixaria seus pimpolhos lá e viria pra cá. Julia chegou aqui umas 21:30 e eu já tinha fortes contrações que vinham +/- de 10 em 10min com 1min de duração. E foi que começamos a “preparar’ mesmo a casa. Apagar as luzes, acender as velas, colocar Nyahbingui pra tocar…

Foi ai que o TP engrenou de verdade, me entreguei, Julia me fazia massagens e que santas mãozinhas, nossa como me aliviava! Enquanto isso o marido preparava a casa, inflava a piscina, e eu a cada contração mentalizava meu corpo se abrindo, minha bebê descendo e praticava as técnicas de respiração (técnicas que foram fundamentais para um TP tranquilo). Sophie ficou com sono, chorava e queria meu colo, então minha mãe a levou para casa da minha avó para faze-la dormir.

O que pra mim foi bom, pois a preocupação com ela ativava muito meu racional. E assim seguimos com massagens, luz de velas e Nyahbingui. Enquanto isso a banheira já estava sendo cheia, lembro da Julia me perguntar se eu queria pedir pro marido fazer o toque, pra ver como estava. E eu disse pra ela que não queria toque, meio marruda até. rs Disse a ela que sabia que estava correndo tudo bem! E a essa altura meu corpo ja pedia água quente, e como a piscina ainda não estava cheia, decidi ir pro chuveiro. E assim fomos eu e a bola pro chuveiro. Era uma noite fria e chuvosa e ao tirar a roupa senti frio, então Julia me cobriu com toalhas, foi ótimo! Esquentei, relaxei, e as contrações já me levavam a outras dimensões. Julia então trocou de lugar com o marido e foi cuidar de encher a piscina.

Ele não me dizia nada, mas o seu olhar dizia tudo, me trazia paz, segurança e muito amor. Lembro de olhar pra ele e sorrir, acho que uma forma de agradecer por ser tão companheiro, por compartilhar aquele momento comigo, por me apoiar em todos os momentos. Estava concentrada, mergulhada dentro de mim, sentia Naomi se mexer e sabia que estava tudo bem. Me sentia cansada, e não queria comer, só beber água. E entre uma contração e outra, um puxo! E o chuveiro que antes era tão bom, já não era mais. Perguntei pra Julia se ainda demoraria muito pra encher a piscina, e ela disse que demoraria mais um pouco. Mas que eu poderia entrar e que eles jogariam água nas minhas costas. Este foi um momento engraçado, pois levantei e sai do banheiro que nem um foguete. Nem lembro direito como cheguei na sala, de tão rápido que foi. rsrs

Entrei na piscina, ai relaxei total, água quente aliviava DEMAIS. E a única posição que eu conseguia ficar durante as contrações era tipo rã, com joelhos e cotovelos apoiados no chão. A água que o marido e a doula jogavam nas costas era uma delicia. Água quente, a santa anestesia! Sentia intensas contrações e me fechava dentro de mim mentalizava meu corpo se abrindo, meu bebê cada vez mais perto. Conversava com ela e a chamava para vir a este mundo. Senti uma mega contração e cheguei a pensar se iria conseguir pois me sentia muito cansada. Mas logo em seguida me tranquilizei e pensei: “Estou em transição, isso é bom!”. Julia veio com uma banheira de água, tropeçou e despejou tudo em minha lombar, que delicia! Relaxei e senti Naomi descer, a esta altura eu deitava de lado entre as contrações e até cochilava.

Tudo muito tranquilo! Mas também quando vinha contração… Eu pulava e voltava pra posição de rã. Michel jogava água em minhas costas e eu rebolava e praticava respiração profunda, e em determinado momento não via mais ninguém, não escutava nada além do som da água que caia nas minhas costas, quando caiam na água da piscina. E foi neste momento que tive o meu encontro com Deus, dentro de mim. E pedi para que me fizesse forte como as mulheres ancestrais, e que me guiasse até o fim daquela jornada. Então senti outra contração e uma pressão bem forte no períneo, coloquei a mão e senti meu tampão, logo em seguida senti os cabelinhos. E então “voltei” e disse que ela já estava vindo, Julia e o marido se revezavam e jogavam água em minhas costas. Já estávamos perto de uma manhã, eu me sentia muito bem apesar do cansaço, me sentia confortável, me sentia muito segura do que estava fazendo.

Relaxei tanto que ainda cochilava em pleno expulsivo, foi ai que veio uma longa contração seguida de puxos incontroláveis e eu já emitia sons totalmente primitivos e instintivos. Relaxava os músculos da minha boca, e relaxava por dentro, me sentia mole por dentro. E então outra contração e senti uma ardência muito grande, o tal círculo de fogo. O fogo é quente meeesmoo! rsrsrs Falei que ela havia coroado e o marido jogava água em minhas costas. Todos jubilaram, outra longa contração e novamente os puxos, foi quando relaxei e senti Naomi virar dentro de mim, aparei sua cabeça e depois seu corpinho. Incrível é a sensação do poder da vida entre meus dedos.

Veio direto pro colo da mamãe com circular de cordão no pescoço e no braço que retirei assim que a coloquei em meu colo. Tudo tranquilo, sem neuras. Senti um gozo tão grande, um misto de amor, proteção, felicidade,me senti uma vitoriosa! Neste dia nasceu uma nova família, e como se sentisse a chegada da mana, Sophie acordou assim que Naomi nasceu. E veio ver a irmãzinha. Ela ficou encantada! O papai se desmanchou em lágrimas de felicidade, minha mãe também estava ali em êxtase maravilhada com o poder da vida.

E Julia compartilhava desse momento tão importante em nossas vidas trazendo muito amor… Ela se lembrou de tirar as fotos, de filmar, de cuidar para que eu não saísse muito exposta nos registros. Muitas das fotos nem vi ela tirar, tamanha foi sua descrição. Aquele momento foi indescritível, maravilhoso mesmo e eu fiquei lambendo a cria na piscina. Quando ela nasceu eu não via mais ninguém, só estávamos ali eu e o meu bebê. Mas estava frio, precisavamos vestir a bebê e eu começara a sentir as contrações para expulsar a placenta. Então o Papai cortou o cordão e ficou lambendo um pouco a cria no colo, em seguida Julia foi enxugar e vestir Naomi. Foi ai que metade da placenta saiu, e eu relaxei total deitei na água e a placenta demorou a sair. Julia me deu um pão que comi em duas mordidas. kkk

Foi ai que senti que precisava sair da água pra placenta sair e assim que levantei ela saiu. Então me troquei e fui deitar com meu bebê. Naomi pegou no tete e assim ficamos a noite toda. Fomos dormir lá pras 04:00 acordamos as 07:00, tivemos uma conversa muito gostosa, era pura ocitocina! Julia, minha mãe e o marido deram uma super força e arrumaram tudo. Com uma episio super recente meu maior medo era a laceração e graças a Deus não aconteceu. Fui dormir mais um pouco e quando acordei Julia já tinha ido. Me deixando com um sentimento de gratidão enorme por tudo, só desejava bençãos a essa mulher que tanto me ajudara. Gratidão ao meu amor, meu irmão, meu pai, meu companheiro, meu filho e marido. Pois sem ele eu não teria conseguido, homem forte que me deu muita força! Damos graças pela cumplicidade, Te amo! Naomi nasceu no dia 09/06/2012, medindo 51cm e pesando aproximandamente 3,200kg. Nasceu, chorou, choro de pulmão forte! E momentos após seu nascimento já abria os olhinhos, toda alerta… É um bebê tranquilo, que quase não chora, mama em livre demanda e se acorda 2x por noite é muito. Um bálsamo de amor em nossas vidas!!!