Relato de partos

09 de jul de 2014
Quem conta a história hoje é a Tatiana Bartel
Estava casada a seis meses quando resolvemos engravidar. Queríamos dois filhos e eu já estava com 28 anos, então não queríamos esperar muito. Dois meses tentando e em fevereiro o atraso de quatro dias e a certeza que estava grávida. Como não sou muito ansiosa resolvi esperar os quatorze dias de atraso para fazer o beta… 07.03.2006… positivo. Minha nenê tinha previsão de parto para 03.11.2006.
O primeiro GO que consultei já alertou “não faço parto normal, cansei de ouvir mulher gritando no meu ouvido”. Eu tinha vontade de ter parto normal. Segundo GO que consultei, com o beta na mão e alguns exames que o primeiro médico havia solicitado “tudo ok, volta quando estiver de cinco meses para iniciar o pré natal” ????? Fui para o terceiro e tudo corria bem. Gestação tranquila, mas na usg  morfológica constataram que a nenê estava sentada… ok, pensei, ela ainda tem tempo de virar.
Na época, aqui na cidade, algumas gestantes tiveram bebês natimortos por passarem do tempo, mais de quarenta semanas. Minha mãe como é receosa de tudo vivia me importunando “tem certeza que tá no tempo certo? olha essa menina vai morrer… viu o que aconteceu com fulana?”
Continuava tudo bem, nova usg com sete meses de gestação e a médica informou que dificilmente a nenê viraria e se encaixaria. Me conformei e no tempo devido marquei a cesárea. Na verdade foi antecipada uma semana pois o médico estaria em um congresso e como fiz o pré natal com ele queria que ele fizesse o parto.
A cirurgia correu bem, mas depois de tirarem a nenê nem me deixaram ver, levaram correndo para sala de cuidados, ela teve apgar 5/9. Como o hospital estava cheio, para ter ideia fui para sala de parto enrolada em um lençol e meu marido não pode acompanhar pois não havia roupa, me deixaram lá e foram atender outras gestantes. Não sei quanto tempo fiquei esperando até que uma estagiária veio conversar comigo. Até o pediatra já havia vindo e me dito que minha filha era linda, mas eu ainda não havia visto. Então essa estagiária abençoada me disse que ela era linda… falei que não havia visto ela. Foi aí que ela resolveu buscar minha pequena para eu ver. Uma boneca, ela me deu ela nos braços e não a larguei mais. Subi com ela na maca e ficamos juntas até o horário que a levaram para dar banho.
Demoramos para decidir ter outro bebê. Ficamos um pouco traumatizados com as cólicas da primeira e os meses sem dormir.
Enfim resolvemos tentar… dessa vez demorou mais. Consultei uma GO, fiz exames, iniciei tratamento com ácido fólico… parei a pílula três meses depois. Dessa vez demorou… foram dois alarmes falsos. Dez meses depois, em fevereiro desconfiei quando tive um pequeno atraso e comecei a me incomodar com cheiros que antes eu até gostava. Esperei para fazer o beta… 07.03.2013, positivo! Fui para casa sem conseguir conter o sorriso… prazo para o parto? 03.11.2013! Coincidência, não?!?
Gravidez tranquila e muito ativa, e desta vez com muuuiiiiiitos enjoos. Eu sou professora de berçário I em período imtegral, minha sala é no segundo piso, então foram milhares de degraus e de agachamentos durante a gestação. Costumo brincar com os bebês sentada no chão e por mais que tentasse usar uma cadeira baixa não consegui trabalhar assim. Segui minha rotina normal, trabalhar de bike, levar a mais velha na escola…
com tudo isso aos cinco meses já morria de dor no quadril. Desta vez acertei na GO de primeira e estava tudo certo para o parto normal.
Aos cinco meses fui atropelada, estava de bicicleta e um carro que não parou em uma placa de pare me acertou. Caí de barriga no chão, mas não aconteceu nada grave. Semana seguinte minha casa foi roubada… mexeram em tudo, levaram muita coisa, mas graças a Deus não havia ninguém em casa no momento.
No dia do meu chá de bebê, já com 37 semanas outra queda, me desequilibrei ao virar e caí por cima de um banco. Nada grave, só machuquei o braço que usei para defender a barriga.
Dia 29 de outubro, terça, consultei a médica, o prazo fechava no domingo… eu queria trabalhar até sexta, mas minha filha chorou e me pediu para entrar de licença. Quarta saí para caminhar com meu marido enquanto minha filha estava na escola, para apressar o parto, pois eu já estava perdendo o “tampão” fazia uma semana e já estava com dilatação. Quinta levei minha filha no curso de inglês, a aula é de uma hora e a creche que trabalho fica a 200m, então resolvi ver meus bebês enquanto esperava. Estava a pé e não compensava ir para casa e voltar. Cheguei na creche e me sentei no chão para ajudar a dar almoço pros meus filhotes. Peguei minha filha e fomos para casa. Ela chorou e não quis ir para escola. Resolvi ficar agarradinha com ela a tarde toda.
A noite fui à reunião, sou Testemunha de Jeová, dirigindo normalmente. Me despedi do pessoal, pois como era quinta imaginei que não estaria no domingo pois era o prazo para a nenê nascer.
Ao chegar em casa percebi um corrimento mais líquido e em mais quantidade que o tal tampão. Avisei meu marido, tomei um banho, me depilei, arrimei a bolsa da mais velha, liguei para minha sogra que iria ficar com ela e fomos ao hospital.
O médico foi atencioso, fez o toque, falou que tinha dilatação mas a bolsa estava íntegra. Ok. Vamos para casa! No caminho comecei a ter contrações, falei para meu marido deixar minha filha com minha sogra que seria aquela noite. Em casa fiquei na sala vendo TV, as contrações foram ficando mais fortes e frequente e perto de uma da manhã pedi ao meu marido para voltar ao hospital. Quando deitei na maca as contrações pararam. O médico apenas colocou a mão na minha barriga, esperou um pouco e disse “não é pra hoje, quer ficar de observação tudo bem, mas não vai ser hoje”, meu marido estava no carro e eu não queria deixar ele esperando. Quando as dores deram um intervalo me levantei e fui embora, quase me arrastando. Jurei que só voltaria depois das sete, quando minha médica entraria no plantão.
 Novamente em casa as dores estavam de subir as paredes… a perna começou a trincar… mandei meu marido dormir. Não gosto de pessoas por perto quando sinto dor. Eu cochilava na sala e acordava com as contrações… observei que os intervalos não passavam de três minutos. Não aguentei mais, chamei meu marido, a essa altura eu não conseguia mais andar… eram três da manhã. Pedi para chamar o SAMU, mas ele só conseguiu os bombeiros voluntários, a ambulância chegou mas a maca não tinha como entrar na minha casa, com ajuda deles me levantei e fui até a maca. O caminho para o hospital nunca demorou tanto. Ao chegar lá as enfermeiras mandaram andar até a sala de pré parto. Mais um esforço e lá fui eu. Me joguei na maca! O médico olhou e disse, quer ser consultada tem que trocar de roupa. ???? Eu não aguentava andar… Lá fui eu novamente. Ele veio examinar e para surpresa dele eu já estava com nove dedos de dilatação e ao simples toque dele a bolsa rompeu. Só pensei, agora não tem volta!!! Quando as dores vinham só imaginava que sábado estaria em casa com minhas duas bonecas.
Quando veio a vontade de fazer força a enfermeira mandou levantar para ir para a sala de parto. Não sou de reclamar… pedi que tivesse calma e num último esforço caminhei até lá. Não demorou nada, duas forças, que vieram acompanhadas de gritos involuntários… não dá pra explicar, simplesmente sai, como se ajudasse o processo!!!kkkk Senti ela começar a sair, o médico nesse momento foi muito calmo e me deixou tranquila… uma ardência enorme… mais uma força e pluft! Toda dor passou! Ele precisou tirar a placente que havia ficado grudada e dar uns pontos pois como ele disse “a pequena fez um estrago”. Nada perto da dor de antes e da alegria que eu estava sentindo.
A enfermeira colocou a nenê em cima da minha barriga enquanto ele tirava a placenta, só vi o pezinho. Depois a levou, só ouvi seu choro. Fiquei mais de meia hora esperando para ser levada ao quarto, vi elas banhando a nenê e vestindo enquanto passei com a maca. Chegando no quarto entregaram ela já arrumada ao meu marido, que só me deu ela após me transferirem para a cama.
Apesar da dor das contrações… faria tudo de novo. Sinto que eu precisava passar por essa experiência. Não que quem faça cesárea seja menos mãe, mas eu sentia um vazio que só passou depois do meu segundo parto. Mas ainda tem um buraco… não vi nenhuma das duas no momento do nascimento. A primeira por necessidade, a segunda por submissão. Não fui capaz de pedir para a enfermeira virar a nenê para eu ver, para eu tocar… Ficou o vazio do meu marido não ter participado destes momentos. Apesar de saber dos meus direitos, na hora do vamos ver não lembrei de pedir que ele estivesse junto, na verdade tive receio que não deixassem… só queria que aquela dor passasse e não pensei em mais nada.
Minha dica para as gestantes: Se prepare bem para esse momento, relembre tudo que precisa fazer antes de chegar ao hospital… não tenha medo de exigir seus direitos. É um momento que não volta, e as coisas que a gente deveria ter feito e não fez ficam latejando na memória por um bom tempo.
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