Síndrome Hellp – relato de caso

19 de mar de 2015
Este relato sobre a Síndrome HELLP foi escrito pela Priscila Marques.

Síndrome Hellp – relato de caso

Eu sai de casa no dia 14/11 para uma consulta e só voltei 32 dias depois…
Comecei a notar que algo estava acontecendo comigo quando em uma consulta do pré-natal minha pressão estava 12/8. Durante toda a gestação, mesmo sendo gemelar, não era diferente de 9/6… Mas como não é alta para uma pessoa normal, meu obstetra “ignorou” esse fator… (Não culpo o obstetra, pelo contrário agradeço o acompanhamento durante a gestação e os puxões de orelha no ganho de peso, foi tudo fundamental para que eu conseguisse lutar pela vida!)
Três semanas antes do parto eu estava super inchada! Minhas pernas pareciam dois tronquinhos de madeira… Uau! Não doíam e nem incomodavam… Mas para evitar complicações, fui colocada de repouso por uma semana (sim! Eu estava trabalhando…).
Na outra semana retornei ao trabalho super disposta e sem inchaço… Mas no final de um dia de trabalho lá estava aqueles dois troncos de novo… Porém não estavam sozinhos. Comecei a notar uma fadiga que antes não existia. Eu sempre estive disposta e tranquila…  Comecei a evitar subir a escada do meu trabalho e pedia ajuda aos colegas para pegarem documentos que eu mandava para a impressora.
Minha urina começou a ficar alaranjada e por mais que eu bebesse água fazia só um pouquinho (pouquinho mesmo) de xixi…
E de uma hora pra outra aquele prazer em estar gravida foi tornando-se um fardo… Eu não conseguia dormir, sentia uma dor intensa nas costas, na altura dos pulmões e a falta de ar aumentava; eu transpirava excessivamente e ia cada vez menos ao wc; tudo que eu comia voltava e quando não tinha nada para voltar saia muita bile.
Fui ao médico e fiz alguns relatos, mas ele não imaginou que seria Hellp Síndrome, afinal é uma doença de difícil diagnóstico…
Na semana seguinte fui a maternidade, pois estava passando muito mal!!! Relatei tudo novamente, mas me disseram que eu não podia sentir falta de ar se o ar estava entrando nos pulmões… E que todo o resto era porque a gestação gemelar comprime os órgãos… Voltei para casa arrasada! Parecia que ninguém acreditava em mim e que eu estava exagerando. Tomei a decisão de não reclamar mais… E assim fui levando… Não conseguia sentar e me levantar, era uma dor insuportável… Não comia direito, vivia amuada…
Até que na sexta-feira, dia 14/11, acordei bem e consegui tomar café da manhã! Fiquei feliz!!! Mas no almoço todas as dores voltaram… Deitei na cama da minha mãe com uma blusa de lã e uma coberta e lá fora um sol e um calor de 35 graus! Quando minha mãe deu por falta foi me procurar e se assustou! Disse que meus olhos estavam sem brilho e eu estava pálida… Imediatamente ela ligou para a obstetra de plantão (meu médico teve uma viagem naquela semana)… Cheguei no consultório e ela assustou com a blusa! Comecei a relatar as dores, mas nada se encaixava… Eu não tinha dilatação, mas minha pressão, ah! Essa estava nas alturas: 13/10… E quando ela bateu nas costas eu urrei de dor… Ela me mandou para a maternidade prontamente e aí começaram os exames…
Achei que a bolsa tinha estourado, pois a cama estava pura água, mas era suor. A falta de ar aumentava e os vômitos também…
Quando os exames chegaram tudo alterado… Pré-eclampsia! Meu pulmão estava inchado também, meu fígado ia explodir e meus rins tinham parado… Precisávamos realizar o parto, mas estava com 33 semanas e a UTI Neonatal estava lotada! Fomos para a cidade vizinha e ao chegar (já era dia 15) mais um susto! Minhas plaquetas estavam caindo bruscamente e eu não tinha muito tempo… A médica pediu autorização a minha mãe para prosseguir com a cirurgia sem a chegada das plaquetas (estavam vindo de outra cidade), pois naquele momento ela não podia garantir a vida de nenhuma de nós três… Minha mãe autorizou.
Eu desci para o centro cirúrgico sem saber o que estava acontecendo e antes de ser entubada para a anestesia geral, pedi que salvassem as minhas meninas primeiro e não se preocupassem comigo… A Lavínia nasceu com 1,920kg às 8:01 e a Isadora às 8:03 pesando 1,5kg… Depois disso acordei no CTI sem minha linda barriga e com um medo no coração, porque eu não as vi nascer! Logo meu marido entrou para visita e perguntei pelas minhas pelotinhas e ele disse que elas estavam bem e me mostrou a foto! Chorei. Elas eram lindas e fortes!
Fiquei três dias no CTI aguardando meus órgãos voltarem ao estado normal e recendo as minhas várias bolsas de plaquetas, desci para a maternidade e dois dias depois fui autorizada a conhecer minhas meninas, mas na cadeira de rodas, não tinha forças para andar…
Tive alta no sexto dia e voltava todo dia no hospital para passar o dia com minhas filhas. (De acordo com os médicos uma recuperação super rápida! Acho que foi para que eu pudesse dar forças para minhas meninas…)
A Lavínia teve alta com 17 dias e a Isadora com 31 dias!
Hoje estamos em casa, elas tem quatro meses e eu agradeço a Deus todos os dias pela vida delas e pela oportunidade de me deixar viver!
Essa síndrome leva ao óbito mãe e bebê na grande maioria das vezes e sairmos ilesas me enche de gratidão!!
Agradeço pela vida dos médicos e enfermeiros que cuidaram de mim e das minhas meninas, afinal, ser mãe é a melhor recompensa que eu poderia ter!
—-
primarques
Beijos
MaH