Sobre a educação e as birras

04 de set de 2014

Vítor está com quase 3 anos e é uma criança extremamente carinhosa e observadora. Fala tudo, o tempo todo, pergunta o porque das coisas, quer saber os detalhes e como acontecem daquele jeito.

Observador como a mãe, ele gosta de ficar olhando a forma como os brinquedos se encaixam, se não encaixam ele quer saber porque. Fica tentando entender a lógica de ser daquela cor ou de outra, de ser grande ou pequeno.

De gênio forte, tem bastante dificuldade de lidar com frustrações. Quando é contrariado não aceita, reclama, bate o pé e diz “eu quero” até entender que nem tudo que queremos podemos ter. Nos desafia o tempo todo e tenta mostrar que ele pode mais que nós. Mas nunca consegue.

Não tem sido fácil. Esse é o momento da vida em que ele está descobrindo qual seu espaço no mundo, até onde ele pode ir e principalmente que a vida é feita de regras. Como é difícil pra ele ter que aceitar que fazer tal coisa não pode ou pegar um brinquedo naquele momento não será possível.

E é exatamente agora que ele mais precisa de nós, os pais. É agora que eu tenho a chance de ensiná-lo com amor que não podemos ter tudo que queremos, que não há dinheiro no mundo que possa comprar tudo, o tempo todo. Que a vida não é só rir e brincar e que em certos momentos teremos que saber sentar e esperar nossa vez.

Com quase 3 anos de idade é fácil eu ceder ao seu rostinho lindo me dizendo “por favor mamãe, eu quero!” e deixar ele fazer o que quiser, evitar aquelas birras em público que tanto julguei as outras mães e comprar aquele novo brinquedo que ele quis tanto, num dia qualquer. Mas não dá para ser assim, não pode ser assim.

Quem controlaria uma criança de 6 ou 7 anos que cresceu sem saber sobre limites e regras? E quem conseguiria impor qualquer coisa para um adolescente que não soube que nem tudo que queremos está ao nosso alcance? Há duas formas de aprender as coisas na vida: com amor ou com a dor.

Eu prefiro que meus filhos aprendam com amor, em casa e não quando forem maiores e sejam forçados a aprenderem com a dor, na rua. Em uma das crises de birras – que tem sido contantes por aqui – no shopping, porque Vítor queria um novo balão e eu disse que não daria para comprar, pois ele já tinha um, ele chorou desesperadamente no meu colo. Eu o abracei muito forte e mesmo sabendo que ele ainda não entende bem o que eu digo eu falei:

– Meu amor, sei que é difícil lidar com a frustração de não ter o que a gente quer, mas a vida é assim mesmo! Eu prefiro te ensinar isso com todo meu amor e que eu possa te dar quantos abraços foram necessários para amenizar sua tristeza, do que você ter que aprender na marra depois!

Ele foi se acalmando e mesmo ainda tendo falado algumas vezes sobre querer o balão, ele não chorou mais e nem deu birra por conta disso. Me senti com a sensação de dever cumprido, mesmo sabendo que ainda haverão muitos outros comportamentos como este.

Chegando em casa ele me disse:

– Mamãe, eu chorei muito no shopping hoje! Eu queria aquele balão de baleia, mas a mamãe disse que não. Mas eu tenho o meu de avião, né mamãe?

Fico impressionada e feliz de ver como ele ter clareza sobre seus atos e como ele compreende, depois da crise, o que aconteceu.

Paciência. É isso que precisamos nesse período tão turbulento e importante. Eu não sou mãe perfeita e perco a minha diversas vezes. Brigo com ele e digo que já deu de fazer birra, que não é não e pronto. Às vezes me arrependo da forma como falei com ele, às vezes percebo que sai do meu eixo e que não poderia. Mas muito mais do que ensinando, eu tenho aprendido muito com ele, todos os dias.

E eu sei que quando esta crise passar, outras virão, porque a vida é assim, feita de ciclos, de fases e o importante é sabermos lidar com cada uma delas e termos em mente sempre que a educação é um trabalho árduo, mas que deve sempre ser feito com muito amor.

Como nossos filhos irão agir frente a todas as questões da vida quando forem adultos, depende de como nós ensinamos para eles hoje.

Beijos,