Sobre a paciência que eu não tenho mais

17 de jan de 2015

Eram 5:45 quando acordei com o chorinho da Mariah. Olhei no relógio e pensei “Tá cedo ainda filha, vamos dormir mais um pouquinho?”. Levantei, fui até o berço e fiz como sempre, um barulhinho baixinho de “chi, chi, chi” e passei levemente a mão em suas costas. Nada.

Parecia que a menininha de quase 10 meses tinha mesmo despertado para mais um novo dia. Tentei de novo e pareceu que ela topou dormir mais um pouco. Voltei pra cama. Estava quase pegando no sono quando a escuto novamente. Eram 6:20 e sabia que agora não teria mais jeito. Cheguei perto do berço e ela sentada me esperava de braços abertos.

A peguei e fui dar mamá. Depois já levantamos e fomos para a sala começar nosso dia. Troca fralda, tira pijama, penteia os cabelos. Da bebê, claro, porque eu continuava com a mesma cara de quem ainda queria dormir por muito mais tempo. Na sala coloquei seus brinquedos no chão e assim que ela percebeu que era pra lá que iria, abriu o berreiro. Nem chão, nem sofá, só colo. E me olhava como se dissesse “Não, mamãe, eu quero é ficar grudada em você!” agarrando bem forte minha blusa.

Ficamos ali, meio sem ter o que fazer, às vezes em pé, às vezes sentadas. Minha mãe levantou e foi para a sala, Vítor também acordou. Foi me dando muita fome e decidi pegar um biscoito de arroz para ver se ela se distraia e eu tomava meu café da manhã. Ela adorou a ideia do biscoito, mas não de ficar na sala com minha mãe e Vítor enquanto eu tomava meu café.

Mesmo assim me levantei e fui. Ela reclamou um pouco, mas logo parou. Lembrei que Vítor ainda estava de pijama e com a fralda noturna, então voltei pra sala e o peguei para se arrumar. Tira fralda, tira pijama, escova os dentes. De novo, do filho, porque eu continuava a mesma de pijama e descabelada, mas sem estar com a cara tão amassada como antes.

Vou pra cozinha preparar o café dele e me esqueço que estava com fome alguns minutos atrás. Ele me pediu o “leite da mamãe” (é como ele chama o leite que eu tomo, porque tem achocolatado e o dele não) e eu fiz, porque de vez em quando pode, né? Ele foi pra sala tomar enquanto eu fazia um pão. Logo escutei um “desculpa, mamãe!”. Eu já sabia o que me esperava e não deu outra: ele tinha derrubado o leite quase todo no chão:

– Poxa vida Vítor, a mamãe pede tanto pra ficar sentado direitinho enquanto estiver tomando leite!

Corro pegar pano de chão pra limpar tudo e levo o leite pra cozinha. Passo pra um outro copo o que restou e peço pra ele ter todo cuidado do mundo desta vez – santa ingenuidade. Nisso Mariah já terminou faz tempo o biscoito de arroz e chora pedindo por mim:

– Espera um pouco filha, mamãe já vem!

Vou pra cozinha tentar preparar meu café e quando vou comer escuto minha mãe falando que o Vítor precisava ficar sentado para terminar o leite. Chego na sala e a camiseta limpinha já estava toda suja com o leite mais uma vez derramado. Tiro o copo dele, dou bronca falando que ele tinha que ficar sentado para tomar o leite, se não cairia tudo mesmo e volto pra cozinha.

Sento com meu pão e uma água de coco. Vítor fica correndo loucamente da sala pra cozinha, da cozinha pra sala e a Mariah chorando já sem nada que a consolasse. Começo a ficar nervosa com toda aquela situação. Largo tudo e vou pra sala pegá-la. Agora são 8h e já me sinto cansada:

– O que foi filha, por que você está chorando assim?

Nada a acalmava e quanto mais eu tentava, sem sucesso, mais nervosa eu ficava com aquele chororô todo. Aí, de repente, eu me lembro! Já faz mais de 2h que ela acordou isso é sono! Ela está com sono! Meu Deus, como fui me esquecer que poderia ser sono?

Aviso minha mãe e Vítor que vou pro quarto com ela e enquanto a faço dormir fico pensando em como minha paciência tinha acabado rápido demais. Eu estava quase surtada já e não eram nem 9h ainda. Como eu ia conseguir passar o dia? Como conseguiria ter mais calma e paciência se estava me sentindo no meio do caos?

Mariah dormiu, eu me acalmei melhor e com a água de coco já quente, pelo tempo que ficou em cima da mesa, vim escrever este post. Eu precisava contar, desabafar. Porque mãe não é um poço de paciência, porque tem momentos em que acordamos já cansadas e tudo fica muito mais difícil. Porque as mães que nunca tem problemas com os filhos não devem ter filhos de verdade e as que dizem que tudo é calmo e tranquilo em casa ou não ficam lá ou mentem. Nós, mães, sempre temos momentos de caos total.

Agora ela já acordou e minha mãe foi pegá-la para eu terminar de escrever. Sei que são poucos minutos até ela reclamar minha falta e começar tudo de novo….

Não está sendo nada fácil… mas quem disse que seria, né?

Beijos,