Superando a depressão pós parto

06 de set de 2014
Quando uma leitora me escreveu este e-mail eu fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Triste de saber que ela passou por essa experiência tão difícil e dolorida (eu também passei por isso com o Vítor!) e feliz por ela ter me relatado tudo como foi e em como conseguiu superar. Achei o texto tão sincero, tão bonito, que pedi para publicar no blog. Ela não quis se identificar, mas tenho certeza que assim como eu, muitas de vocês irão se identificar com a história dela.
Eu tenho um bebê de nove meses e ninguém te conta que vai ter crise, vai ter choro, no meu caso teve muito choro, muita crise e depois q ele nasceu uma depressão pós parto!
Eu procuro sempre alertar as grávidas, de uma forma sútil, sobre isso, afinal ninguém te conta, a mulher se sente a monstra e acaba sofrendo sozinha como eu sofri.
Na gravidez eu ja tinha crises de ansiedade, acordava com o coração acelerado, não me sentia familiarizada com a ideia de que teria um filho.
Acredito que pelo fato de ter enjoado os nove meses, ter tido hiperemese na quinta semana, tinha muitos pesadelos com ele, mas eu achava que tudo ia passar quando ele nascesse, mas quando ele nasceu que eu o vi pela primeira vez para meu maior desespero, não senti aquele calor no coração que sinto hoje ao abracá-lo.
Eu me sentia a pior mãe do mundo por querer sair correndo quando ele chorava, por não sentir aquele amor q todo mundo fala, eu tinha um instinto animal de protegê-lo, qualquer ruido eu pulava da cama já com o peito pra fora, para amamentá-lo. E o único momento em que eu me permitia viver aquele sofrimento era na tão esperada hora do banho.
A essa hora meu marido já estava dormindo e eu podia chorar até o rosto ficar inchado, e como eu chorava por me sentir tão ruim, tão cruel com aquele ser tão lindo e tão indefeso. E para piorar eu não consegui amamentar exclusivamente, ele não havia ganhado peso e isso me jogou na pior das sarjetas, na minha cabeça meu filho iria me odiar, não teríamos vínculo porque ele não estava exclusivamente no peito, chorei até no consultório do pediatra.
Nos momentos em que eu voltava para a realidade era quando as pessoas falavam da minha dedicação a ele, de como eu era uma mãe cuidadosa, mas eu estava em outro planeta que não enxergava aquela mãe dedicada, paciente e muito esforçada. Eu me perguntava o porque de estar passando por aquilo, porque do meu filho ser tão injustiçado, eu havia sonhado a minha vida toda com a maternidade, com o meu filho e naquele momento o sonho estava mais para pesadelo.
O amor veio depois, foi duro aceitar que seria depois, que seria através do cuidado que eu iria estabelecer um vínculo de amor com ele, e isso me machucava, eu sentia como se fosse uma mãe desnaturada, sem coração, mas a maternidade não tem nada de certo ou errado, é uma loucura só.
Eu fiz terapia, porque quando ele fez dois meses teve um febrão por causa da vacina e eu na minha inexperiência de ser mãe achei q ele ia morrer (olha que louca) e eu sai correndo, chorando e pedindo a Deus pra não tirar ele de mim porque eu não havia feito nada do que havia sonhado a vida toda ao lado do meu filho.
Na terapia eu enxerguei que estava em luto, luto pela mulher que tinha ido embora com a placenta e tinha que aprender e conhecer a viver com a mulher mãe, que nunca havia existido e que nasceu já com 28 anos e tinha um nenê lindo, mimoso e que precisava dela. Com a terapia também aprendi que tenho que errar para ser uma boa mãe, que com os meus erros ele vai experimentar a frustração e com isso irá crescer.
Hoje tem dias que eu sinto falta do trabalho e me culpo por querer numa sexta-feira estar num bar conversando bobagens com as minhas amigas. Mas ai eu fui conhecer as mamães do condomínio e me sinto menos solitária. Tem isso também, você vai se sentir solitária o tempo todo, mesmo com a casa cheia, pelo menos comigo foi assim.
Digo a todas as mulheres que isso passa, que o amor vem e que às vezes você vai querer engolir seu filho de tanto amor só para ter ele dentro de você novamente, hoje eu assisto os ultrassons com saudade, com culpa de não ter aproveitado, de não ter procurado ajuda naquela fase, mas o mais importante é que hoje ele tem nove meses, é lindo, saudável e muito sapeca e de sorriso muito fácil!!
depressão pós parto
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