Trombofilia e cardiopatia congênita

19 de out de 2014

Quem conta a história de hoje é a Viviane Rodrigues

Namorei meu marido Denis, por 6 anos e meio casamos. Como manda o figurino, para comemorar nosso 1º aniversário de casamento fizemos uma viagem à França e Itália. Um pouco antes havia feito todos os exames e parado de tomar o remédio um mês antes, treinamos na viagem, mas engravidamos na primeira semana que voltamos. O grande sonho do casal certinho estava por vir, já estava começando a comprar revistas, ir em nutricionista, fazer agenda, quando veio o sangramento no dia da morte de Michel Jakson, e o diagnostico, havia perdido o bebê.

Comecei a tomar o remédio para fazer a curetagem, depois de 1 semana, no dia do aniversario do meu marido foi feito a curetagem, meu mundo caiu, aí começaram os palpites, e tal, não teve causa mortis então meu médico pediu uma serie de exames para ver o q havia de errado. Fiz 14 exames e no ultimo veio o resultado, Fator V de Leiden – Heterozigoto, que é propensão a Trombose Gestacional, modo de combater, uma injeção diária por toda a gravidez e 40 dias após o parto.

Como eu sempre fui frágil com vários problemas de saúde na infancia, encarei numa boa, tendo em vista que minha vontade de ser mãe era maior do que uma injeção. Depois de 6 meses de tentativas, 9 meses da perca do bebê, quase entrando em depressão veio o meu positivo, tive um pouco de borra e tive q ficar uma semana de repouso e só, iniciou-se o tratamento.

Vou ser sincera, nem lembro da dor, a única coisa ruim era quando pegava algum vaso e ficava roxo a lateral da barriga. Eu brinco e falo q tive uma gravidez igual a da Angelica, fiz drenagem, hidro, book, chá de bebê, viajei de carro para Curitiba com 3 meses, Goiânia e Caldas Novas com 4 meses e para Nova York com 5 meses, tudo normalmente, quando voltamos fomos encaminhados a fazer um eco fetal no qual foi
constatado uma cardiopatia congênita no meu filho. O CIA Comunicação Intra Atrial, 25% das crianças que apresentam essa doença tem Síndrome de Down, fiquei sem chão uns 3 dias, mas não quis saber tive medo da resposta e não queria me preocupar naquele momento mágico.

Trabalhei muito por toda a gravidez que foi normal, um dia antes do parto fui dirigindo sozinha para a cabeleireira me arrumar. Fui ter o Vinicius, cesárea devido a minha doença, com uma plateia de mais de 10 pessoas vendo todo o procedimento. O Vinicius nasceu de 36 semanas com 2890:Kg e 46 cm e graças a Deus veio normal, eu estava muito feliz, mas sem me sentir tão mãe acho q a cesarea e a morfina fizeram isso comigo, até q meu filho que até aquele momentos estava no quarto comigo foi para um exame de
rotina e ficou na UTI Neo Natal.

Por causa do coração, o colocaram na incubadora, naquele momento percebi que como sempre estava na hora da leoa guerreira  aparecer, me dediquei a ele todas as mamadas, dormi em um hotel próximo do hospital e não ia apenas na mamada das 3 da madrugada. Ele estava de alta da cardiologista, mas tinha q aprender a mamar para sair, eu falo q lá eu virei mãe, aprendi a dar banho, a trocar, a amamentar (tinha certeza que em casa daria LA) foi a melhor q coisa q aconteceu pra nós dois. Em casa apenas eu cuidava dele, por ter me tornado essa super  mãe na UTI não tive muitos prolemas, eu lutei muito para te-lo comigo e estava muito feliz.

O Vinicius sempre foi pequeno, um pouco pela cardiopatia outro pela genética, mas muito saudável amamentei exclusivamente leite materno até os 8 meses, mas introduzi papinhas desde os 4 meses uma vez que emagreci muito com a amamentação estava debilitada já, tive muitos problemas na aceitação de papinhas em especial de salgada, ah o Vinicius tb teve refluxo leve.

Sou arquiteta e hj em dia trabalho metade do tempo que trabalhava antes com 6 meses voltei a trabalhar e com 10 meses ele iniciou sua vida escolar. Como gostamos muito de viajar, viajamos com ele com 40 dias para a praia, 3 meses São Lourenço, 8 meses Buzios de carro, 11 meses Uruguai e Argentina, com um ano e pouco já está indo para a terceira viagem para o Nordeste.

Esse ano com 2 anos e 3 meses a cardiologista sugeriu que fosse feita a cirurgia de correção do CIA no coraçãozinho do Vinicius, o cirurgião marcou para 15 dias após a consulta, que eu posso dizer esses sim foram os piores dias de minha vida, o medo de perder, de o que eu faria da minha vida sem ele, mas graças a Deus ele fez uma operação de 5 horas onde o foi corrigido o buraco, o qual,era maior do q o imaginado, mas foi um sucesso e surpreendentemente em 3 dias ele teve alta.

Já cresceu e engordou um pouco está mais terrível do que nunca e o trauma já está passando para todos. Depois de 6 meses o coraçãozinho estava curado e hj em dia é só acompanhamento anual, mas medo sempre temos.Em Agosto de 2013 decidimos aumentar a família, tirei o DIU e  começamos os treinos, com uma ligeira endometriose, viajamos para Europa com Vinicius q curtiu muito e nada.

Até q em janeiro de 2014 engravidei, mas no primeiro ultrassom com 6 semanas deu gestação anembrionária, com 7 semanas feto com 2,7mm e 84bpm, ainda havia esperança, fiz tudo o q podia, mas com 8 semanas estava com 2,9mm e 64 bpm, não evoluiu, 9 semana não havia mais batimentos e dia 13 de março, 1 ano e 1 dia depois da cirurgia do meu filho, fizemos a curetagem.

No cariotipo deu q era uma menininha, me acabei, como somos em 3 mulheres achava q eu teria 3 homens, nunca almejei um casal, sempre quis um filho homem e como um
irmão nunca me fez falta, não sonhava com um casal, mas ao saber q teria uma princesinha fiquei muito mal.

Sigo a minha vida de tentante de ponta cabeça, estoque de teste de gravidez e muita dor, só eu sei o quanto dói não ter minha bebê comigo, detalhe o Vinícius sabia da presença da irmã antes do q eu e ele soube dela e da morte dela, e eu percebo q ele fica pensando nela, ele pergunta porque o irmãozinho está demorando e para arrasar ainda mais comigo ele adora bebês, toma tanto cuidado com bebês, corta o coração.

Vivo um dia de cada vez esperando q meu milagre venha. Estamos investindo, com pouca grana, mas como eu trocaria tudo, por minha filha nos meus braços, era para estar nascendo por esses dias, mas não sabemos o propósito de Deus, acho q cuido da melhor forma possivel do meu filho, não sou tão apegada a dinheiro, para estar sofrendo tanto, mas quem sabe em breve não tenha mais um bebê que vingue e me torne feliz por completa, que ter esse vazio e o seu filho pedindo um irmão dói, não entro numa maré pior, pois sempre tento ser forte e com os problemas tirar algo q me fortaleza ainda mais.

Amo ser mãe é a melhor coisa da minha vida, mesmo com tudo o que eu e ele passamos estou querendo providenciar um irmãozinho(a) para o Vinicius e se der na louca arrumo outro, não me arrependi ou arrependo de tudo o que passei para ter o meu tesouro Vinicius Tadeu. Espero que tenha ajudado algumas treinastes ou mães que tenha algo relacionado à trombofolia ou cardiopatia congênita.

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Beijos,